Campo

Nos dois últimos anos, foram registrados 2.980 focos da ferrugem, que provocaram perdas de 2,67 milhões de toneladas de grãos. Isso representa aproximadamente 4,5% da safra de soja brasileira ou um prejuízo de U$ 2,19 bilhões.

Em fase final de teste pela Embrapa Soja, de Londrina (PR), a nova linhagem estará disponível no mercado em janeiro de 2008. Essa primeira variedade foi adaptada para o plantio no Centro-Oeste, região de maior produção no País.

A pesquisa, que conta com recursos da FINEP do Fundo Setorial de Agronegócio da ordem de R$ 2,8 milhões, permitiu a realização de estudos em 452 variedades comerciais de soja. Dessas, apenas 11 apresentaram algum tipo de resistência à ferrugem. O projeto prevê, agora, o desenvolvimento de linhagens específicas para cada região do País. "A ferrugem asiática é provocada por um fungo que sofre mudanças com o passar do tempo e se apresenta com características distintas dependendo das condições de cada lavoura, especialmente o clima", afirma o pesquisador de biotecnologia da Embrapa Soja e coordenador do projeto, Ricardo Vilela Abdelnor.

Regiões de muita umidade, por exemplo, são mais propensas ao desenvolvimento da doença. "Estamos investigando toda a cadeia da ferrugem, até para saber o que torna uma planta mais resistente que a outra", afirma o pesquisador. Os estudos realizados pela Embrapa permitiram, ainda, a montagem de uma rede para difusão de informações sobre a doença e a realização de cursos direcionados a produtores, técnicos e agrônomos, para identificação e controle do fungo.

Segundo o pesquisador, o diagnóstico na fase inicial é extremamente importante, pois possibilita tentativas de controle com produtos químicos. No entanto, a identificação tem sido difícil, já que os sintomas podem ser confundidos com os de outras pragas. A ferrugem asiática ataca principalmente as folhas da soja fazendo com que elas caiam antes do tempo.

HISTÓRICO

Até então restrita aos países asiáticos, a ferrugem da soja foi detectada pela primeira vez no Brasil em 2000. Nos dois anos seguintes foram relatadas perdas de até 70% nas principais regiões produtoras. Isso representou uma perda estimada em 112 mil toneladas. Em 2004, apesar do aumento de 14% na área plantada, houve uma redução de 4% na produção de soja.

Segundo maior produtor e maior exportador de soja no mundo, o Brasil produz mais de 50 milhões de toneladas ano. As regiões de maior plantação são o Centro-Oeste, com metade da produção, e o Sul, segundo dados de 2005 do IBGE. As exportações no mesmo ano chegaram a 13 milhões de toneladas, segundo a Secretaria de Comércio Exterior.

Fator Brasil

Por: Redação

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