Opinião

Foto: Roberto Ortega

Pesquisa Datafolha feita em novembro do ano passado mostra que em Recife, Fortaleza e Salvador, respectivamente, 38%, 29% e 26% dos eleitores dizem que o apoio de Lula a um candidato poderia levá-los a votar nele. Em cidades como São Paulo e Belo-Horizonte o índice é de 15% e no Rio de Janeiro 21%.

Busquei o acesso a esta pesquisa visando obter dados relacionados a Palmas que pudesse me subsidiar para fazer este artigo. Embora não os tenha obtido de imediato, espero que em breve possam estar disponíveis.

Nos últimos dias tenho ouvido muitas conjecturas de comentaristas do jornalismo político de Palmas. Um trata as articulações políticas como “piscadinhas” que são dadas, ora dali, ora de cá, outro se esconde por trás da prerrogativa constitucional do sigilo de fontes, como em várias oportunidades tem feito, para jogar no ar comentários ardilosos.

Em uma destas oportunidades, diz em seu blog, que uma suposta fonte do governo teria confidenciado que ouviu de um altíssimo membro da administração do governo Marcelo Miranda, que o governador tentaria demover o presidente Lula da idéia da reeleição do prefeito Raul Filho, pois “nem todo apoio do mundo poderia reverter os estratosféricos índices de rejeição do petista", teria dito a fonte. Vejam bem o diz que me diz, a cadeia sucessória da informação.

O sigilo da fonte, inciso XIV, artigo 5º da constituição é, sem dúvida, a grande garantia de trabalho do jornalista. Sem ela, o profissional não tem condição de fazer um bom jornalismo, principalmente o investigativo. Mas é preciso apresentar resultados concretos. Ficar no campo das especulações políticas utilizando uma prerrogativa como subterfúgio não é honesto.

Poder-se-ia até invocar o art. 154 do Código Penal que trata da violação do segredo profissional. Mas que segredo é este? Desde quando convicção política ou relato de um diálogo político em corredor de secretaria é matéria que viole o direito da intimidade da fonte? Ainda mais quando esta pretensa fonte ouviu de alguém, que falou assado sobre outro alguém. Isto está parecendo apenas mais uma fofoca que não deve ser levada a sério. Ação de imprensa sensacionalista forjando situações chocantes e causadoras de impacto.

Eu poderia dizer que ouvi de uma fonte do governo estadual, que ouviu de outra alta fonte, que no lançamento do PAC da segurança no dia 20/08/2007, para o qual os governadores foram convidados, que Raul foi a Brasília a pedido de Lula para um encontro a três com a presença de Marcelo Miranda. Naquela oportunidade Raul teria ido pretensamente se encontrar com o Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo Silva em busca de recursos para urbanização das praias do Caju e Buriti. Vale neste sentindo meta-pseudo informacional temperar com a lembrança de que no dia 03/08/2007 o prefeito de Palmas estava em Brasília na solenidade para liberação dos recursos do PAC, portanto, um intervalo de apenas duas semanas antes.

Se a informação não falta com a verdade, diga quem ouviu de quem para te dizer. Ao informar um diálogo sobre política, uma pretensa fonte não está praticando nenhum crime, está apenas fofocando e nada mais plausível que o fofoqueiro ser colocado no palco à frente da cortina. O Tocantins inteiro acredita que um funcionário do governo não será punido por ter relatado um simples diálogo. Afinal o Tocantins está livre da ditadura. Ou não está?

É bom que convenhamos que as informações de bastidores e o sigilo de fontes têm seus níveis éticos a serem observados, principalmente em ano eleitoral, onde a palavra do jornalista pode moldar a opinião pública. É preciso tomar cuidado com a confiabilidade da informação a ser divulgada para não se tornar apenas um fofoqueiro mor a serviço do retrocesso.

Este ponto de vista não é fruto de uma visão autofágica do jornalismo. O sigilo de fontes tem seus limites para que se mantenha dentro dos parâmetros éticos, principalmente no jornalismo político, e a obtenção de dados como os acima citados, poderá servir aos veículos de imprensa que realmente desejem informar de maneira fidedigna, dentro dos critérios da objetividade, restabelecendo a clareza do cenário político que se descortina.

Não é preciso ser grande conhecedor de política para reconhecer o imenso carisma que Raul Filho carrega, e este é seu maior patrimônio político, o que assombra e tira o sono das lideranças retrógradas e conservadoras do estado, representantes do grande latifúndio e trabalho degradante.

Ainda é muito cedo para os corvos da imprensa conservadora começarem seu canto agourento. Daqui até outubro muita água irá passar por baixo desta ponte e ela corre no sentido sul-norte. De lá também vem muito carisma e cheiro de povo. Ações que, se ainda não colocaram o país no palco dos atores principais, pelo menos retirou da fome e miséria milhões que ao longo dos séculos foram parasitados por uma elite obsoleta e sem visão de futuro, que sempre olhou para o próprio umbigo, gerando os problemas sociais que hoje vemos diariamente em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo.

A realidade que se observa é uma relação amigável e também institucional entre Raul Filho e Marcelo Miranda, duas jovens lideranças que já marcaram seus nomes na história do Estado e que ainda tem muito a contribuir para a efetiva modernização do Tocantins.

E para quem gosta tanto de falar nos históricos do PMDB, é bom que se lembre; o vice-prefeito Derval de Paiva é uma peça de grande valor neste tabuleiro de xadrez político. Vale recordar que ele e Brito Miranda foram os arquitetos do rompimento que propiciou as condições para a reeleição de Marcelo Miranda em 2006.

Uma frase de Derval em entrevista ao jornalista Cleber Toledo no dia 26/07/2007 é enigmática "Ainda temos que tirar com as mãos as cinzas do dorso da fênix". Na mesma ocasião disse que o divisionismo não interessava e que era preciso aproximar as duas administrações. Isto já foi feito, basta ver a quantidade de aparições de Raul e Marcelo inaugurando obras em parceria. E a indagação que fica é a seguinte, seria Raul Filho a fênix?