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Foto: Arquivo Seduc

Há cinco séculos os povos indígenas convivem com o preconceito e a visão mítica irreal criada pelos “brancos” e buscam sua completa inserção na sociedade brasileira. Nesse sentido, avanços ocorreram em vários setores, como o da Educação, na qual se defende um maior respeito à diversidade cultural e lingüística das populações indígenas brasileiras. Neste 19 de abril, comemora-se o Dia do Índio e, mais do que o ufanismo nacional e das indumentárias que encantam turistas, esta data representa um momento de reflexão sobre as reais políticas sociais e educacionais que atentem estes povos.

A educação é um ponto-chave, pois a cultura e os diversos dialetos tornam todo o processo pedagógico muito delicado. O Estado do Tocantins possui sete etinias: Apinajé, Javaé, Karajá, Karajá-Xambioá, os Krahô, Xerentes e recentemente, Krahô-Kanela. Cada uma delas com suas culturas, crenças e costumes diferenciados. E para atender todo este povo, a Seduc – Secretaria de Educação e Cultura desenvolve um programa especial voltado para a educação indígena. Educação Indígena no Tocantins tem como princípio básico a conquista da autonomia sócio-econômica-cultural de cada povo, contextualizada na recuperação de sua memória histórica, na reafirmação de sua identidade étnica e no estudo e valorização da sua própria língua. Ou seja, jovens e adultos se alfabetizam e seguem o currículo regular da rede estadual de ensino. Até o 5º ano do ensino fundamental os jovens são alfabetizados na língua materna, depois aprendem o português.

Uma grande ferramenta para a consolidação das políticas educacionais voltadas para povos indígenas é o Conselho Indígena, que conta com a participação de técnicos da Seduc e representantes de todas as etnias. “A educação indígena é um orgulho para o Tocantins, que tem investido bastante nesta área, na estrutura física das escolas e formação dos professores. A cada ano temos mais professores terminando o ensino médio específico para atuar em sala de aula e vários terminando a graduação. Temos o Conselho Indígena funcionando, fomos o 3º a criá-lo no País e hoje somos modelo”, conta a secretária da Educação e Cultura do Tocantins, Maria Auxiliadora Seabra Rezende.

Escolas Indígenas

Atualmente o estado do Tocantins possui 314 professores indígenas e não-indígenas lecionando nas 88 unidades escolares, que atendem cerca de 4,5 mil alunos das sete etnias tocantinenses.

Segundo a Coordenadoria de Educação Indígena da Seduc, vários fatores fazem da educação indígena tocantinense, um referencial nacional. O compromisso com o ser indígena e o respeito à cultura local

é o cerne do trabalho desenvolvido aqui. Os professores participam de cursos de formação continuada, que atualizam e capacitam os docentes da rede estadual de ensino. Professores como Renato Krahô, da aldeia Manoel Alves, no município de Goiatins, a 504 km da capital. Ele fala da alegria em poder lecionar e da experiência de repassar conhecimento para os mais jovens. “Eu sou filho de professor e sei da importância da educação na aldeia. Conheço a realidade de muitos estados e sei como a educação indígena tocantinense está à frente. Espero aprimorar meus conhecimentos e levar isto aos jovens e, desta forma, evoluímos como pessoas e, paralelamente, mantemos o que há de mais rico para nós, a cultura”, conta o professor.

Para garantir todos estes avanços, o governo do estadual vem investindo muito na área. Só em 2007 foram destinados quase R$ 4 milhões para educação indígena, com reformas e construção de unidades de ensino, formação continuada de professores, aparelhamento das escolas entre outras ações.

Reconhecimento

Este incentivo já vem demonstrando resultados. Em 2007 o Tocantins fez parte do seleto grupo de seis exemplos de escolas brasileiras que conseguiram vencer os obstáculos, transformando alunos, professores e comunidade, e fizeram parte do livro “Escolas de Valor”, do fotógrafo espanhol Carlos Díez Polanco. Ao todo foram retratadas quatro escolas indígenas da rede estadual de ensino. São elas: Escola Indígena Forno Velho (Krahô), Escola Indígena Crokroc (Krahô), Escola Indígena Waipainere (Xerente) e Escola Indígena Kumanã (Kumana). As escolas tocantinenses foram escolhidas por terem sido consideradas referências na área da Educação Indígena e na consolidação da identidade cultural do povo.

Quem se encantou com os casos tocantinenses foi o embaixador da Espanha, Ricardo Piedro, que descreveu como uma experiência única poder conversar com os professores das etnias Karajá, Krahô e Xerente, que participaram do projeto. “Foi uma gratíssima experiência poder falar com professores indígenas de diversas etnias. Ver como eles encaram desde dentro da escola, em qualquer latitude, em qualquer lugar, a solução dos problemas, seja qual for o critério de imaginação”, disse.

A Secretaria da Educação e Cultura do Tocantins cita várias ações previstas para o ano de 2008 para o desenvolvimento da área educacional indígena. Dentre elas, destacam-se as capacitações para diretores regionais, coordenadores de educação na diversidade e supervisores indígenas, com temáticas específicas; curso de formação inicial em magistério indígena; curso de formação inicial em nível superior; parceria com UFT/Araguaína no “Projeto de Apoio Pedagógico à Educação Indígena Apinayé”; produção e publicação de material didático específico; informatização das escolas indígenas; construção, reforma e ampliação de unidades escolares indígenas; elaboração da proposta do referencial curricular para a educação escolar indígena, além das reuniões do Conselho Estadual de Educação Escolar Indígena.

Fonte: Secom

Por: redação

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