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A valorização do sal mineral aumentou novamente o custo da produção pecuária, que já acumula alta de 7,72% no custo operacional efetivo e 6,35% no custo operacional total, nos dois primeiros meses do ano. Apesar dos preços da arroba estarem elevados, a receita do pecuarista de corte foi reajustada em apenas 23,42% nos últimos cinco anos, enquanto seu custo operacional total subiu 56,85% no período, acumulando severas perdas de rentabilidade. Desta forma, segundo dados dos Ativos da Pecuária de Corte, divulgados hoje pelo Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), os custos aumentaram mais do que o dobro do preço da arroba.

O sal mineral foi um dos principais responsáveis por este aumento nos custos da pecuária. Somente de janeiro para fevereiro os preços aumentaram 12,75%, na média ponderada dos 10 Estados produtores pesquisados pela CNA e Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo. No acumulado do ano, a mineralização do rebanho aumentou 35,5% para os pecuaristas. "Mas o produtor deve ter cautela, pois economizar na quantidade de sal mineral oferecido aos animais pode causar mais perdas que ganhos", afirmou Antenor Nogueira, presidente do Fórum da Pecuária de Corte da CNA. Segundo ele, apesar de uma evolução desfavorável na relação de troca de arroba de boi gordo pelo sal mineral, trata-se de um insumo fundamental para a manutenção da produtividade das fazendas. O reajuste de 9,21% do salário mínimo, em março, acabou agravando ainda mais o quadro de custos altos da atividade.

No cenário internacional, a forte instabilidade nos preços da soja e do milho acabou atingindo a atividade pecuária mundial, especialmente na Europa, Estados Unidos e Canadá. Os Ativos da Pecuária de Corte alertam que a oscilação nos preços dessas commodities deverá gerar maior volatilidade nos custos de produção, alterando as relações de oferta e demanda da carne nesses países. Na realidade, a produção pecuária na Europa e nos Estados Unidos tem um vínculo direto maior com o mercado de milho e de soja do que a brasileira e a argentina.

Influenciados pela política energética norte-americana, subiram os preços de milho, com reflexos nas cotações da soja, que disputa áreas de cultivo com o milho. Como resultado, os custos de produção da pecuária estiveram em alta na Europa e Canadá nos últimos anos. Nos Estados Unidos, aumentaram muito os custos com a alimentação do rebanho em relação ao valor recebido pela venda da carcaça, chegando próximo a US$ 150,00 por carcaça. Assim, a margem de produção da carne, sempre muito volátil nos Estados Unidos, vem diminuindo desde 2004. Para Antenor Nogueira, este quadro "terá reflexos nas relações de oferta e demanda da carne nesses países".

Fonte: CNA

Por: redação

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