Economia

 Os automóveis podem ficar mais caros dentro de poucos meses. Estados brasileiros devem sugerir, na próxima reunião do Confaz (Conselho de Política Fazendária), em setembro, aumento da alíquota do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre automóveis. Caso seja aprovado, o aumento será integralmente repassado aos preços dos carros.

O reajuste defendido pelos estados, dentre eles os do Nordeste, onde o assunto já foi debatido e é consenso, eleva a alíquota do imposto de 12% para 17%. Segundo declarações do presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Jackson Schneider, o aumento obrigaria as montadoras a reagirem, fazendo seus cálculos de impacto nos preços.

Espiral

Schneider afirma que a medida é inflacionária, já que os preços dos automóveis serão diretamente afetados. Com o aumento nos preços, por sua vez, a venda de automóveis deverá cair. A repressão pode contribuir para mais aumentos nos preços, para equilibrar o prejuízo gerado pela queda nas vendas.

O presidente da Anfavea criticou, também, o momento em que os estados decidiram anunciar a medida. Os juros altos, que começam a atingir o consumidor, somado ao grande volume de veículos circulando, gerando saturação, principalmente nas grandes cidades, são fatores que já estão resfriando a demanda.

Menos vendas, menos impostos

Com base nesse quadro, a previsão da Anfavea é que o crescimento do mercado de automóveis no segundo semestre não seja tão expressivo quanto o do primeiro. Para Schneider, o aumento do ICMS significa uma quebra nas regras do jogo, pois frustra os planos de investimentos das montadoras para aumentar a produção.

O executivo alerta que, ainda que a motivação da proposta seja aumentar a arrecadação, os estados podem ser surpreendidos por um efeito contrário. A explicação: carros mais caros serão menos vendidos, logo, haverá menor arrecadação por meio do IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores).

Opiniões divididas

A sugestão de aumento no ICMS sobre automóveis têm dividido opiniões entre os políticos. Quem defende a proposta, alega que a época de subsídios às montadoras, visando seu crescimento, investimentos, e consolidação no mercado brasileiro, já passou. A atual situação da indústria automobilística no Brasil permite o reajuste.

Os críticos do incremento na carga tributária ressaltam que o comportamento do governo não deveria ser balizado pelo desempenho das vendas, aumentando os impostos quando elas estão em alta, e diminuindo na época de resfriamento do mercado.

 

Fonte: InfoMoney

Por: Redação

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