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As lideranças do setor rural chegaram a um acordo na terça-feira à noite para evitar uma disputa pelo comando da Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA). A senadora Kátia Abreu (DEM-TO) deve ser confirmada pelo voto de 27 federações estaduais, em 12 de dezembro, como a primeira presidente da história da principal organização do setor.

Pecuarista, ex-deputada federal e dirigente ruralista há uma década, Kátia Abreu disputará o cargo em chapa única, após um acordo de um grupo de cinco federações que apoiava a reeleição do atual presidente da CNA, o paulista Fábio Meirelles. Pelo acordo, ficou decidida a indicação de Fábio Meirelles Filho para a vice-presidência executiva.

Os planos da senadora para a entidade, que reúne 2,3 mil sindicatos e 1,7 milhão de produtores rurais do país, incluem algumas máximas de gestão empresarial, como planejamento estratégico e melhora nos gastos da CNA, além da profissionalização e a descentralização.

"Estou muito satisfeita e animada com a chance de mostrar um agronegócio diferente ao público urbano", disse por telefone, ao Valor, no intervalo da campanha municipal de Tocantins.

Em comum acordo com a diretoria e as federações filiadas, Kátia Abreu planeja contratar uma empresa especializada em planejamento estratégico e outra para orientar a gestão financeira da CNA. Também encomendou um amplo estudo para a criação de um plano de previdência privada para os produtores com a chancela da entidade.

A senadora tem como meta estruturar um programa de financiamento para a compra de computadores a pelo menos 1 milhão de produtores rurais. "Queremos todos com um lap top na mão, ligados na internet, nos mercados internacionais, via satélite ou telefone", anima-se.

Mas o tom político na condução da CNA está claro. "Vamos afinar os relacionamentos com os senadores, da mesma forma como temos hoje na Câmara", afirma a senadora. Kátia Abreu ressalva, entretanto, que sua atuação será "política, mas não partidária". "Sou oposição ao governo Lula, mas vou defender os interesses dos produtores rurais na CNA, jamais questões partidárias", afirmou. "A CNA não será palco da disputa eleitoral de 2010. Não temos direito de fazer isso. A Kátia senadora não se mistura com a Kátia presidente da CNA", disse.

Apontada como virtual candidata ao governo do Estado de Tocantins, Kátia Abreu rejeita a discussão neste momento, mas não descarta a opção no futuro. "O momento é de focar na CNA, que não tem nada a ver com a questão pessoal e de Tocantins", diz.

 

Fonte: Valor Econômico

Por: Redação

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