Polí­tica

Foto: Carlos Roberto

Em entrevista concedida ao jornal Tribuna do Planalto no último fim de semana, Derval de Paiva (PMDB) fala sobre o resultado das eleições na Capital, sobre o posicionamento político do governador Marcelo Miranda (PMDB) e diz que o PMDB está firme no propósito de ter candidatura majoritária em 2010. Derval disse que Marcelo Miranda cometeu um “grande equívoco” ao avaliar que a candidatura deveria ser aquela que estivesse em primeiro lugar na pesquisa, mas disse que conciliar é importante.

Segundo o prefeito o governador e “toda a outra força paralela optaram por candidaturas do DEM e antiga arena, ex-PDS, e aqui um segmento que sempre esteve ao lado do Siqueirismo”, afirmou.

Ainda segundo Derval, não dava para comportar como o governador. “As principais cidades, como Araguaína, Gurupi e outras tantas, era entregá-las de mãos beijadas àquilo que tanto resistimos durante décadas”.

Confira a entrevista

Tribuna do Planalto - O prefeito Raul Filho foi reeleito com o apoio de uma ala do PMDB à qual o senhor pertence. O que esse resultado representa?

Derval de Paiva - É uma prova de que a resistência democrática se faz necessária. O PMDB em toda a sua história sempre teve duas alas. Num determinando momento da luta mais aguerrida do partido havia que era denominada autêntica e a outra, moderada. Sempre fiz parte da autêntica e não porque gostasse do título, mas porque acho que não dá para fazer política com meio termo. Agora conciliar é importante, é fundamental e já dizia o Tancredo: política se faz eternamente com conciliação e foi com conciliação que nós conseguimos vencer a ditadura. Mas aqui, o governador cometeu um grande equivoco ao avaliar a priori que a candidatura deveria ser aquela que estivesse em primeiro lugar na pesquisa e pesquisa para opção majoritária só pode ser levada em consideração no apagar das luzes. O governador e toda a outra força paralela optaram por candidaturas do DEM e antiga arena, ex-PDS, e aqui um segmento que sempre esteve ao lado do Siqueirismo, e quando digo Siqueirismo não estou fazendo nenhuma colocação pejorativa. São segmentos. Não dava para nos comportarmos como o governador. As principais cidades, como Araguaína, Gurupi e outras tantas, era entregá-las de mãos beijadas àquilo que tanto resistimos durante décadas. De forma que tomamos a decisão certa. Tentei conduzir a ala à qual pertenço democraticamente para a posição que conseguimos. E tenho uma infundada esperança que o governador deve desenvolver o raciocínio que foi com bem que praticamos este projeto, que o reelegemos e agora reelegemos o Raul para tocar o barco para frente.

TP- O sr. acredita que o governador deveria rever a posição dele?

DP- Ele tem que rever esta posição. O critério que ele adotou foi o errado. O tempo mostrou que nós tínhamos razão.

TP- A eleição mostrou que UT não está morta?

DP- Muito pelo contrário. Sem ser adivinhão ou mesmo bidu, eu previa e deixei por escrito, porque previa com muita antecedência, que era impossível pensar nas eleições de Palmas sem pensar que Marcelo Lelis chegasse a um terço dos votos. E ele teve 33,28%. Se ele tivesse 33,29%, uma dízima periódica, eu teria acertado. O número se aproximou, mas acho que não chegou aí. Por outro lado as oposições sempre tiveram isso, sobretudo nos grandes centros, e ainda mais aqui sendo Capital. No início da campanha eu disse que chegaríamos com no mínimo 10 mil votos de frente. E chegamos com 11.366. Não é ser bidu. Havia pesquisas naquele momento que mostravam que estávamos aquém destes números. Mas é uma prova de que a gente vive e respira política e da nossa experiência.

TP- Questionado sobre um possível nome para o governo do Estado em 2010, o deputado Eli Borges disse que ainda era cedo para isso. Qual o prognóstico do sr. para o PMDB?

DP- Aquela frase que diz que amanhã é outro dia deve sempre deve ser levada em conta. Mas os nomes, eles deverão fluir em meados do ano que vem, quando tivermos aí uma reorganização partidária. Citarmos alguém agora seria cometer uma impudência. Mas com certeza o PMDB vai para a luta. O partido tem o seu projeto e resistiu esse tempo todo, desde a criação do Estado. Já chegou ao governo uma vez e depois outra com a vinda do próprio Marcelo Miranda ao partido.

TP- Voltando ao governador. Existe a possibilidade de que ele deixe o PMDB e vá para o DEM, como tem sido cogitado?

DP- Acho essa possibilidade quase impossível, porque ele tem um compromisso muito arraigado, por mais que os resultados deste pleito não sejam de fácil digestão. Em política você tem que contar até 10 em tudo que vai fazer. A priori você tem que ter um raciocínio de não dar as costas a tudo o que recebeu e ganhou. Não acredito nesta possibilidade. E por outra também: ele é um homem que respira política e tem idade e história para continuar sendo político. Também tem a lei da fidelidade partidária e ele irá atentar para tudo isso.

TP- O sr. disse que há possibilidade de o PMDB lançar um nome em 2010. Raul Filho também poderá lançar o nome dele. Nesse caso, PT e PMDB seriam adversários, e aí?

DP- Política não se faz por hipótese, ainda mais com toda essa antecedência. Quem é maior, batizado, vacinado, crismado e tem vocação não está proibido [de se candidatar], mas hoje o prefeito Raul é o elo de uma grande corrente que já esteve com ele em suas últimas eleições - as duas últimas, inclusive, vitoriosas para prefeito da Capital - e ele vai fazer parte deste exército de onde irá sair o soldado. Não tenho dificuldade em vaticinar que vamos estar todos juntos. E o PMDB está firme no propósito de ter uma candidatura majoritária.

TP- Há possibilidade de o sr. assumir alguma secretaria no próximo ano?

DP- Não. Com certeza não. Acho que vou morrer político numa previsão para daqui a cinqüenta anos. E a vida pública para mim não é fundamental. O que é fundamental para mim é a política, que é cidadania e faz parte do oxigênio que respiro. Não desejo e não quero participar da atividade pública para ter mais tempo de participar da atividade política sempre.

TP- Se o sr. for convidado a assumir alguma secretaria, seja no município ou no Estado, então, essa hipótese está descartada?

DP- Primeiro, porque tem que dar oportunidade para outros. Venho de uma longa viagem político-administrativa e acho que as oportunidades têm que ser dadas para pessoas mais novas. Tem-se que revelar líderes e eles se revelam na luta política ou na político-administrativa.

TP- Estive presente na posse do sr. antes das eleições e me lembro que o prefeito reeleito Raul Filho disse que voltaria somente em 1º de janeiro. Havia um acordo neste sentido?

DP- Com certeza, não. Até porque quando se está em uma eleição há a possibilidade de ganhar ou perder. Como já diz o adágio popular, o risco em que corre o pau corre o machado. Com toda a honestidade, não tínhamos acordo neste sentido. São informações que temos que passar para a sociedade com crédito, com toda a responsabilidade. Meu mandato terminaria no dia 10, mas o prefeito saindo vitorioso e tendo outras coisas a fazer, como cirurgia, a necessidade acompanhar de pertos as emendas no Congresso Nacional e também o direito a um descanso, e considerando que estamos a 180 dias do término, ele me pediu para ficar. Eu não poderia negar isso a ele. Será com imenso prazer que irei passar a faixa para ele no dia 1º de janeiro de 2009, com honra e mérito.

TP- Então ele previu o resultado das eleições naquele dia?

DP- Eu digo que foi um bom vaticínio e que deu certo.

TP- Até o final do mandato o sr. pretende entregar mais alguma obra importante?

DP- Com a extensão do mandato por mais 180 dias, estarei na próxima quarta-feira, dia 15, fazendo um checagem com o secretariado das condições orçamentárias. Quero aproveitar que ainda não está no tempo chuvoso e ver algumas obras do PAC que estão a passo ainda lento. A preocupação é que agora começa o período chuvoso, temos o Natal pela frente e vamos deixar a cidade aprumada e bonita para o Natal e a chegada do ano novo.

TP- Então seria uma reunião com o secretariado?

DP- Sim. E aí vamos ver o que iremos focar, fazer um balanço, uma visão geral deste tempo que nos resta e das prioridades, das condições que se tem para fazer e fechar bem a administração, porque quem está no exercício tem sobre seus ombros a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Derval de Paiva

É um peemedebista histórico. Natural do município de Anhangüera - GO, onde nasceu em 24 de junho de 1942, elegeu-se deputado estadual em Goiás pelo MDB em 1971, no período mais duro do regime militar. Eleito suplente de senador em 1982, assumiu temporariamente o lugar de Mauro Borges no ano seguinte. Com a divisão de Goiás para a criação do Estado do Tocantins, Derval de Paiva elegeu-se deputado federal pelo novo Estado em 1990. Em 2004 compôs como vice-prefeito, a chapa vitoriosa para prefeitura de Palmas encabeçada por Raul Filho. Derval é tido como um dos mentores da articulação que levou ao rompimento do governador Marcelo Miranda (PMDB) com a União do Tocantins (UT) em 2005, propiciando sua reeleição ao governo do Tocantins em 2006.

 

Fonte: Jornal Tribuna do Planalto

Por: Redação

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