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Foto: Divulgação CNA busca melhorias na produtividade e na logística da movimentação das cargas CNA busca melhorias na produtividade e na logística da movimentação das cargas

Pela primeira vez em sua história, a Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) será comandada por uma mulher. Graças a um acordo de bastidores costurado ao longo do mês de setembro, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO) será a única candidata na eleição da CNA, que ocorre em 12 de novembro. Com isso, a vida do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não será fácil em 2010, ano em que Kátia assumirá o comando da confederação e passará a lutar pela eliminação de gargalos que “historicamente emperram a produção do setor”.

A senadora de Tocantins ganhou notoriedade no setor portuário ao emperrar por dois meses a aprovação da Medida Provisória 412, aprovada pelo Congresso Nacional em maio e que prorrogou até 2011 a isenção de impostos para empresas portuárias, por meio do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e Ampliação da Estrutura Portuária (Reporto).

Na época, Kátia propôs duas emendas para flexibilização do limite de cargas para os portos particulares, o que na prática acabaria com portos públicos como Santos e Paranaguá, por exemplo.

Os especialistas do setor agropecuário previam a disputa mais acirrada da história da CNA entre Kátia Abreu e o atual presidente do órgão, Fábio de Salles Meirelles. Mas, com o acordo, um dos filhos de Meirelles ocupará uma das diretorias da confederação e o pai, em troca, deixa de concorrer com a senadora de Tocantins.

No dia do registro de sua chapa, Kátia Abreu disse que fará o necessário para valorizar o agronegócio brasileiro. Em seu entender, falta um governo que olhe para o campo com a mesma importância que se olha para a indústria. "O agronegócio nunca teve tanta dificuldade como agora, no governo Lula. É uma questão ideológica. Há várias ações agredindo o direito de propriedade. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso já era muito urbano e desde Getúlio Vargas o País nunca mais teve um presidente com sensibilidade para o agronegócio. Em resumo, sou obrigada a admitir: temos levado muita bola nas costas”.

Para quem não sabe, a Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil representa 1,2 milhão de produtores rurais e possui um orçamento anual de R$ 25 milhões, dinheiro que surge da contribuição sindical do setor.

Podem ser filiados da CNA todos os proprietários de terras superiores a dois módulos fiscais, que variam de estado para estado. Em geral, os filiados da CNA têm, pelo menos, 200 hectares de terras. Caberá à Kátia Abreu liderar o grupo e lutar pelo fim dos gargalos logísticos.

Dura realidade

Antes de voltar suas fichas contra o presidente Lula, a futura presidente da CNA terá que olhar para o próprio setor e tentar amenizar os efeitos da crise econômica mundial que assola o mundo neste mês de outubro. Na última quinta-feira, 9, a atual assessora técnica da CNA, Rosemeire Santos, declarou em entrevista coletiva que o PIB do agronegócio brasileiro deverá subir 9,5% em 2008. Até dias atrás, a entidade previa crescimento superior a dois dígitos.

Muitos produtores ainda estão descobertos e quem não adquiriu os insumos terá dificuldade de conseguir crédito para comprar. O fato é que quem utilizar menos insumo em uma área plantada menor, porém com mais tecnologia, poderá manter o atual índice de produção. Já quem usar menos insumos em 100% da área poderá reduzir a lavoura. Mesmo assim, com todos esses contrapontos, a CNA considera 2008 um ano histórico, pelo volume de dinheiro e carga movimentados.

 

Fonte: Portogente

Por: Redação

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