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Levantamento, que não inclui funcionários federais, mostra queda nas operações no governo estadual, na prefeitura, na Câmara e na Assembleia; mesmo com a redução, 40% ainda têm financiamentos

Depois de um ano, Palmas registra uma queda significativa no número de funcionários públicos com empréstimos consignados. Ao todo, entre funcionários do governo do Estado em Palmas, da prefeitura, da Assembleia e da Câmara são pouco mais de 12.700 com alguma espécie de consignação. No mesmo mês do ano passado, esse número chegava a cerca de 22 mil. A redução ficou em 43%.

A CDL Palmas considera positiva essa significativa redução depois de um ano na capital. Para a entidade, os empréstimos consignados acabam tirando o dinheiro de circulação, o que reduz de forma significativa as compras à vista.

Os financiamentos são descontados diretamente no salário do funcionário e, dessa forma, o dinheiro não circula na cidade, segundo a entidade. Essa situação fez com que, em 2008, muitos lojistas diminuíssem custos, investimentos e, em alguns casos, provocou redução de colaboradores nas empresas. A todo, em Palmas, cerca de 40% dos servidores estaduais e municipais ainda têm empréstimos.

Governo do Estado

Tanto em números absolutos quanto percentualmente, a maior redução de pessoas com esses financiamentos ficou no governo do Estado.

Conforme a Assessoria de Comunicação da Secretaria Estadual de Administração (Secad), dos cerca de 21 mil servidores públicos que estão lotados em Palmas (entre comissionados, contratados de forma emergencial e concursados), aproximadamente 7 mil, ou seja, 33%, têm empréstimos consignados. Em 2008, eram 14.449, o que representava 68% do total.

Em relação, a 2008 a diminuição ficou em mais de 50% e, na comparação com o total de servidores estaduais lotados em Palmas, a queda foi de 35 pontos percentuais.

O percentual de servidores públicos estaduais de Palmas com financiamentos é mais baixo na comparação com todo o quadro estadual. No Tocantins, conforme a Secad, são cerca de 50 mil funcionários e, destes, aproximadamente 20 mil possuem financiamentos, o que representa 40%.

Prefeitura

Em menor escala, a Prefeitura de Palmas também registra uma queda no número de pessoas com consignação. Um dos motivos para isso foi a redução de pessoas que estão empregadas na administração municipal.

Segundo a Assessoria de Comunicação da prefeitura, dos 7.514 funcionários municipais, 5.213 têm empréstimos, o que representa 59,4%. Embora o percentual seja alto, na comparação com 2008, mostra uma significativa redução. Em 2008, dos 8.148 servidores, 7.350 (mais de 90%) tinham algum tipo de contrato consignado. Agora, são 2.137 pessoas a menos pagando esses financiamentos todos os meses.

Legislativo

A exemplo de prefeitura e do governo estadual, a Assembleia Legislativa e a Câmara de Vereadores também registraram diminuição no número de funcionários com empréstimos consignados.

As reduções, consideradas pela CDL como bastante significativas, são mais acentuadas na Câmara de Vereadores. Talvez um dos motivos para isso seja a troca de legislatura, com muitos funcionários comissionados sendo substituídos. Segundo a Assessoria de Comunicação da Câmara, dos 457 servidores da Casa, só 81, ou seja, 17% possuem financiamentos consignados. Em 2008, o número passava de 240 e o número de funcionários era de pouco mais de 300. Desta forma, o percentual de servidores com empréstimos ficava em quase 80%.

Na Assembleia, dos 1.194 servidores, 440 contam com empréstimos consignados. Isso representa 36,8%. No ano passado, eram 1.016 funcionários e cerca de 650 (pouco mais de 65%) tinham financiamentos.

Aposentados e pensionistas

Como aconteceu em 2008, o informativo O Lojista, da CDL Palmas, não obteve os números específicos dos empréstimos consignados dos beneficiários do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) em Palmas. Porém, obteve informações do Tocantins. Ao todo, até o mês de novembro de 2008, havia 66.948 operações. Já o total de recursos emprestados por bancos e financeiras aos aposentados e pensionistas é do Tocantins é de R$ 104.864.841,40.

O número de aposentados e pensionistas do Estado é de R$ 131 mil, porém existem casos de um mesmo beneficiário ter mais de um financiamento. O ano passado, o total de operações era de quase 88 mil e a dívida de quem tinha o benefício da Previdência passava de R$ 124,7 milhões. Desta forma, também é possível registrar redução de número de consignações.

Em Palmas, segundo a Assessoria de Comunicação do INSS, o total de aposentados e pensionistas chega a 14 mil.

Servidores federais

O número de pessoas com empréstimos consignados em Palmas é maior. Isso porque o levantamento da CDL não está levando em conta os órgãos federais presentes em Palmas (Ibama, IBGE, Receita Federal, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Ministério Público Federal, Superintendência do Trabalho, Funasa e outros). Os servidores públicos destes órgãos também têm vários tipos de empréstimos consignados a sua disposição. Além disso, ainda há grandes empresas em Palmas que têm convênios com bancos e financeiras e, desta forma, coloca a consignação a disposição dos seus colaboradores.

Repercussão

Em 2008, com a reportagem “Palmas, a Cidade dos Empréstimos Consignados” O Lojista chamou a atenção para um problema que só se agravava na Capital. O levantamento era o primeiro realizado na cidade e mostrava os efeitos da consignação no comércio. O assunto, inclusive, rendeu pauta para meios de comunicação em nível nacional, com a questão da capital tocantinense sendo abordada pela Rede Globo de Televisão.

Um ano depois, o presidente da CDL, Sílvio Cunha, avalia que a redução destas operações de crédito são benéficas para o varejo local. O número de empréstimos ainda é alto. Para uma cidade de cerca de 180 mil habitantes e que tem no poder público o forte da economia, possuir mais de 12 mil dos cerca de 30 mil servidores públicos municipais e estaduais com financiamentos ainda é, na opinião da CDL, bastante preocupante.

Fonte: Assessoria de Imprensa CDL Palmas