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Geral

Foto: Thiago Sá

A aldeia Funil é a mais próxima da capital, Palmas, a 65 quilômetros, e deverá compor o roteiro integrado Palmas, Lajeado, Povo Xerente, que a ADTUR - Agência de Desenvolvimento Turístico do Tocantins estuda formatar brevemente para ser comercializado por agências de viagens.

Um povo já adaptado à convivência com a sociedade não indígena, mas batalhando pela preservação de sua memória. Em torno de quatro mil índios da nação Xerente estão reunidos em 56 aldeias na Reserva Indígena demarcada no município de Tocantínia, margem direita do Rio Tocantins. Numa estrutura social dividida em clãs, são preservadores dos rituais tradicionais, que executam em festas durante o ano, reunindo parentes de outras etnias e visitantes.

Pela lente da máquina fotográfica do profissional, as imagens capturam os costumes ainda contextualizados como originais, embora pálidas lembranças de duzentos anos, quando foram aldeados os povos indígenas no Estado. O Conselho de Anciãos sobrevive lutando para conservar as tradições e suas ordens são a lei que equilibra as comunidades. Uma inovação introduzida pelos mais velhos são os “Guerreiros da Paz”, dois rapazes de moral ilibada que atuam auxiliando paralelamente os anciãos nos conflitos tribais.

O estado de felicidade deste povo nas reuniões festivas é explícito em suas atitudes: famílias inteiras deslocam-se de outros estados e de outras sedes da Reserva para participarem da programação. Para o receptivo, o cacique anfitrião faz uma “matolotagem” (abatem reses) e a distribuição acontece de forma organizada, todos recebendo o mesmo peso de carne, o suficiente para alimentar seu grupo. Dançam em rodas, como a dança do Sucuri, expressando na cadência lúdica da música cantada por um chefe, o prazer da aldeia.

Nos esportes coletivos como a Corrida da Tora, masculina e feminina, os melhores e mais fortes correm carregando sobre os ombros um tronco de buriti de um metro e meio, competindo em duas equipes. Com o torso nu pintado em geometrias de cor negra, os homens descalços disparam carregando o troféu e revezando com os demais até a chegada no destino final da competição. As mulheres concorrem levando um tronco menor, sibilando entre as árvores. Os gritos dos dois grupos são ouvidos de longe, alegres e vibrantes, num coro desregulado e com entonação de guerra.

No torneio de arco e flecha, a força do índio Xerente compete com a destreza, quando a meta é atingir um alvo (olho do peixe) a 50 metros. Os atletas formam um círculo e são comandados pelo grito do cacique, em língua nativa. Após o arco ser retesado pelos braços musculosos, a flecha corre os ares e muitas vezes ultrapassa o limite.

Um quadro de perfeição estética, as mulheres Xerentes! Altas, esguias quando jovens, traços fisionômicos desenhados a pincel, cor da pele morena dourada e cabelos pretos e lisos, sempre bem grandes. Adornadas com enfeites de tiririca, penas e embiras, além da pintura de jenipapo no corpo, são exemplares de beleza.

A perpetuação da raça Xerente acontece nos casamentos entre jovens, bem jovenzinhos mesmo: vê-se mães e pais de 17 anos, com filho sendo amamentado e puxando um curuminzinho pelas mãos. A etnia Xerente está inserida nos tempos atuais e sua rotina inclui a televisão, eletrodomésticos e a confecção de artesanato com a palha do buriti, o capim dourado e sementes, criando balaios, cestas, enfeites e peças de design de grande aceitação.

Fonte: Secom