Polí­tica

Foto: Geraldo Magela

Em discurso nesta segunda-feira (14), o senador Sadi Cassol (PT-TO) lamentou que, em consequência das contínuas denúncias de corrupção no meio político e nos diferentes níveis de governo, os políticos sejam todos "colocados na mesma vala". Ele reconheceu a justeza da indignação da sociedade com os escândalos na vida pública, e lembrou a proposta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de tornar a corrupção um crime hediondo, mas observou que o mais importante é que o eleitor pare de eleger corruptos.

Sadi Cassol afirmou que não se calará "enquanto os corruptos continuarem roubando dinheiro público, ficando soltos e usando esses recursos em benefício próprio". Ele pediu uma reflexão sobre o que aconteceu na semana passada em Brasília, onde, conforme afirmou, inverteram-se todos os valores. "Mandou-se retirar os inocentes que estavam protestando com legitimidade, os acadêmicos, a população, as organizações de Brasília, e se deixou os corruptos intocáveis", lamentou o senador.

Sadi Cassol acrescentou que em sua campanha eleitoral, no próximo ano, o combate à corrupção será a sua bandeira, frisando que a sociedade brasileira precisa ser chamada para o debate sobre esta questão.

O senador ironizou a falta de escrúpulos dos políticos envolvidos em escândalos de corrupção. E endereçou-lhes alguns conselhos. "Olhe para a sua imagem no espelho e grite: 'Eu sou um ladrão! Eu deveria ter vergonha de estar na face da terra, prejudicando tantas e tantas famílias.' (...) Suba no alto da montanha e grite para quem puder ouvir: 'Eu estou roubando dinheiro público, estou prejudicando um país todo, não sou digno de viver na sociedade civil organizada", declarou, aconselhando os corruptos a se entregarem à polícia, parando, assim, de "incomodar a sociedade brasileira" e "de tirar a merenda escolar, de roubar o uniforme das crianças, de tirar os remédios dos hospitais".

O senador ainda acrescentou que corrupção não é só roubar dinheiro, não é só desviar dinheiro de obras. Segundo ele, corrupção é tirar "aqueles pequenos proprietários de terras à força, como aconteceu em Tocantins, e dar essas terras a figurões políticos. Esta é uma corrupção também”, disse.

Sadi Cassol encerrou seu pronunciamento com um desafio: “Precisamos chamar as sociedades tocantinense e brasileira para o debate, porque, se o Governo Federal buscasse de volta o patrimônio das terras que foram desviadas a qualquer preço ou nem pagas de milhares, milhões de hectares neste País, não ia ser preciso desapropriar mais ninguém para a reforma agrária. Absolutamente ninguém! Haveria terras de sobra. É só buscar de volta aquilo que nos roubaram. É patrimônio nosso, de quem paga impostos. Então, queremos chamar para o debate no Tocantins; queremos chamar para o debate o Entorno de Palmas. Onde foram parar tantas e tantas chácaras? Queremos chamar para o debate os responsáveis pelos terrenos urbanos da nossa capital. Onde foram parar tantos e tantos terrenos? Queremos chamar para o debate Campos Lindos, no Tocantins, com aquelas terras em que há muitas dúvidas sobre tudo que aconteceu. Nós não vamos parar. Vamos conversar com o nosso tocantinense todo dia", afirmou.

Os senadores João Pedro (PT-AM), Paulo Paim (PT-RS) e Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) se solidarizaram com Sadi Cassol.

Sadi Cassol também agradeceu homenagens recebidas no fim de semana em seu estado natal, o Rio Grande do Sul, onde recebeu, da Câmara Municipal de Veranópolis, o título de Cidadão Veranopolitano. Cassol, que viveu por 20 anos naquele município, foi vereador, secretário municipal e prefeito.

Da redação com informações Agência Senado