Geral

Foto: Divulgação Heliana: 'gentileza da deputada não é acompanhada por algumas pessoas que trabalham com ela' Heliana: 'gentileza da deputada não é acompanhada por algumas pessoas que trabalham com ela'

Na quinta-feira (21) soube que a deputada estadual Josi Nunes estava reunida em um auditório de uma escola de Gurupi. Decidi então ir até o local para saber do que se tratava a reunião, já que o encontro não era a portas fechadas. Como cidadã tenho o direito de ir e vir, como jornalista tenho o dever de estar nos locais onde eu possa coletar alguma informação.

Infelizmente existem pessoas que não entendem esse direito que tenho. Cheguei ao encontro já no finalzinho, mas pude perceber que era uma reunião para tratar das pretensões políticas da deputada. Nada mais normal, já que estamos em ano eleitoral e todos os políticos se reúnem com suas bases parar discutir o processo.

Aproveitei a oportunidade e pedi uma entrevista à deputada. Ela, como sempre gentil, atendeu e respondeu aos meus questionamentos enfatizando que o encontro é para ter conhecimento do que a comunidade espera dela. A explicação da deputada acentua que não havia crime nenhum em eu estar naquele encontro.

Mas, infelizmente a gentileza da deputada não é acompanhada por algumas pessoas que trabalham diretamente com ela. Pude notar a total falta de competência, despreparo, respeito e jeito de lidar com gente de um senhor conhecido como Dr. César, que é chefe de gabinete da peemedebista. Enquanto falta competência neste senhor, sobra arrogância.

Ao terminar meu trabalho, entrevista esta que está gravada (todos sabem que não é crime gravar entrevista), fui abordada por este senhor que quis me obrigar a mostrar o material gravado. Eu nem sabia quem ele era. Perguntei e ele me informou que é chefe de gabinete da deputada e que queria ver o conteúdo gravado. Eu disse que não ia mostrar porque não teria sentido mostrar o que havia conversado com a deputada.

Até então, pensei que ele queria ver o conteúdo para somente saber se a deputada teria se saído bem na entrevista, às vezes os assessores fazem isto, mas ele insistiu e eu também insisti no meu NÃO. Na ocasião me senti desrespeitada como profissional, porque é uma afronta pedir a um jornalista para que mostre o seu material antes de ser publicado. Se o entrevistado tem alguma coisa que não pode falar ao jornalista, que pense duas vezes antes de falar.

Ele continuou me acompanhado e eu dizendo não. De repente ele chamou Eremilson Leite e me acusou de ser uma espiã e que eu tinha gravado toda a reunião. O Eremilson me perguntou se eu tinha tomado tal atitude e disse que não, já que eu realmente não tinha feito isso. Em seguida chegou João Fernandes que trabalha na Associação Industrial a de Gurupi (Acig) e também me acusou. Quem me conhece sabe que perco as estribeiras fácil, mas para não perder a minha razão, saí apenas dizendo que eu não devia satisfação a eles. Ao dar as costas aos três, ainda falaram algumas coisas.

Sinceramente, por muito pouco eles não tomaram o gravador de minhas mãos. Confesso que até tive medo, porque ali sozinha rodeada por três homens que me acusavam, o sentimento não seria diferente, ainda mais que era a primeira vez que era abordada desta forma.

Ao sair do local fiquei encabulada: o que teriam conversando naquela reunião que eu não poderia saber? Será que tratavam de algo tão secreto, que somente pessoas ligadas ao partido podiam saber? Mas, a deputada havia me dito que era uma reunião que realiza sempre. Não entendi.

Quero dizer que estava ali como uma cidadã comum, que não tenho pretensão de ser espiã de quem quer seja e quero esclarecer que não sou ligada a nenhum partido político. E aos que me chamam de penetra do Jornal Cocktail, como estão falando por aí, quero apenas informar que estava como cidadã e que aproveitei a oportunidade de falar com a deputada Josi. Agora, eu só lamento se nós do Cocktail incomodamos algumas pessoas que estão ligadas diretamente à deputada.

Ah! Aos que mandam recado pra eu tomar cuidado porque na política tudo muda, quero dizer que sei disso. E dizer também que nunca precisei de políticos para sobreviver com dignidade.

(Heliana Oliveira - jornalista)