Polí­tica

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O presidente do diretório regional do PSB, deputado federal Laurez Moreira, ainda acredita que o governador Carlos Henrique Gaguim (PMDB) poderá disputar a reeleição, caso esteja bem nas pesquisas. “Eu ainda não vi ninguém no governo, estando bem nas pesquisas, deixar de ser candidato à reeleição. Então, eu vejo o Gaguim com grandes possibilidades de enfrentar as urnas. Entendo que o grupo não terá problema nenhum. O governador tem um bom relacionamento com o PT em nível estadual, já declarou que a sua candidata a Presidência da República é a ministra Dilma Rousseff, do PT, o que facilita o entendimento com os petistas. E o senador João Ribeiro já deixou bem claro que não tem problema nenhum em apoiar o governador Gaguim. As coisas devem ser definidas agora no mês de fevereiro”, avalia o parlamentar socialista.

Na sua análise, é muito difícil o prefeito Raul Filho (PT) renunciar ao cargo para se candidatar ao governo do Estado ou mesmo a uma das duas vagas ao Senado, nesse momento. “O prefeito Raul deve mesmo terminar o seu mandato”, especula Laurez, que considera muito cedo para se falar em um “chapão” para a disputa proporcional. A seguir a entrevista exclusiva ao Conexão Tocantins.

CT – O senhor acredita que os partidos que fazem parte do governo de coalizão podem chegar unidos até as convenções, em torno de um candidato ao Executivo estadual?

Laurez – Eu entendo que foi formado um governo de coalizão com vários partidos e esse grupo tem demonstrado certa unidade. A gente tem percebido, em conversas com os deputados, a vontade de permanecer com esse grupo unido. O mesmo tem ocorrido com os prefeitos que mantive contatos.

CT – O governador Gaguim, reiteradas vezes, tem dito que não é candidato e que a disputa vai ficar entre o senador João Ribeiro (PR) e o prefeito Raul Filho (PT). No entanto, a cúpula do PMDB entende que o partido tem que ter candidato próprio. É possível chegar a um entendimento, em nível regional, entre os partidos que dão apoio ao governo Lula?

Laurez – Não vejo problema nenhum, até porque esses partidos fazem parte do governo Lula e também do governo estadual. Portanto, é uma união muito fácil para acontecer dentro do Estado. É evidente que política é conversação, articulação, mas a tendência é o grupo estar juntos para as eleições de outubro deste ano.

CT – O senhor não acredita que o governador tem cacife eleitoral para disputar a reeleição?

Laurez – Olha, eu ainda não vi ninguém no governo, estando bem nas pesquisas, deixar de ser candidato à reeleição. Então, eu vejo o Gaguim com grandes possibilidades de enfrentar as urnas. Entendo que o grupo não terá problema nenhum. O governador tem um bom relacionamento com o PT em nível estadual, já declarou que a sua candidata a Presidência da República é a ministra Dilma Rousseff, do PT, o que facilita o entendimento com os petistas. E o senador João Ribeiro já deixou bem claro que não tem problema nenhum em apoiar o governador Gaguim. As coisas devem ser definidas agora no mês de fevereiro, mas eu acho muito difícil o prefeito Raul Filho renunciar ao cargo para se candidatar ao governo do Estado nesse momento.

CT – O senhor não vê a possibilidade de Raul Filho disputar uma das duas vagas ao Senado?

Laurez – Também não. Acredito que ele (Raul) deixe a prefeitura para se candidatar a outro cargo. Tenho a impressão que ele vai terminar o seu mandato.

CT – Deputado, mas para se chegar a um acordo, o PT, no mínimo, quer uma vaga de candidato a senador. Como contornar a situação, uma vez que o ex-governador Marcelo Miranda (PMDB) é declaradamente um dos candidatos e o senador Leomar Quintanilha, também do PMDB, tem sido citado pelo governador como aspirante à reeleição, inclusive com o seu apoio?

Laurez – Acho que o PT não será problema. Não se trata de participar na majoritária, não. Hoje o PT está recebendo apoio de todo o PMDB e dos outros partidos da base de apoio ao presidente Lula à pré-candidata a presidente da República, Dilma Rousseff, que é o cargo mais importante que está com o PT. Existem outros partidos que vão reivindicar a participação na chapa majoritária em nível regional.

CT – O PSB, por exemplo?

Laurez – Eu entendo que sim. O PSB tem condições para isso. A gente tem que deixar as coisas andarem mais. Todo esse processo vai ainda passar por muitas negociações. O PT, hoje, já tem uma vaga garantida, porque tem o apoio declarado de toda a base à ministra Dilma como candidata a presidente da República, que é o cargo mais importante do que o de governador. Mas isso não quer dizer que o PT não possa discutir a formação da chapa majoritária no Tocantins. Agora, desse grupo, o PSB é o único partido que não tem esse compromisso com a Dilma, no primeiro turno. O nosso candidato é o deputado Ciro Gomes, que é o resultado de um acordo nacional do PSB com o PT. Vamos lutar de todas as formas para que Ciro Gomes seja eleito. Acreditamos que é o melhor nome, o mais preparado e o que mais conhece a realidade de todas as regiões brasileiras. Um líder que tem demonstrado muita competência por onde tem passado. Ciro é o presidenciável que mais conhece o Tocantins e tem ajudado o nosso Estado quando foi ministro.

CT – Mas o PSB não está isolado nesse projeto? O partido conta com o apoio de quais legendas?

Laurez – O PSB realmente tem essa dificuldade, hoje. Temos esse acordo de sair os dois candidatos e quem for para o segundo turno terá o apoio do outro. Se a Dilma for para o segundo turno, nós do PSB vamos apoiá-la. Se o Ciro passar para a outra fase do pleito, contaremos com o apoio do PT. Mesmo estando em um partido médio, com pouco espaço de televisão, Ciro Gomes tem um poder de comunicação muito grande. Portanto, acredito no crescimento dessa candidatura, independente de coligação.

CT – O senhor poderia figurar na chapa majoritária na condição de candidato a vice?

Laurez – Ainda não discutimos esse assunto. O projeto do PSB é eleger um deputado federal e quatro deputados estaduais. Estamos trabalhando para isso e fortalecendo o partido para a disputa eleitoral deste ano.

CT – Fale-se num “chapão” para a eleição proporcional. Não seria um risco para os partidos de médio e pequeno porte?

Laurez – É evidente que política é uma atividade complexa. Por isso, temos que ter muito cuidado na hora de fazer essa composição. Acredito que temos tudo pra fazer uma boa chapa, igual aconteceu nas eleições municipais, quando o PSB foi o partido que mais cresceu no Estado. Tivemos um avanço enorme. A ideia do “chapão” é uma tese que muita gente vem defendendo dentro do governo, o próprio governador Gaguim é partidário dela. Mas eu acho que ainda é muito cedo. Temos que ver essa questão com mais cautela.

CT – Mas com quais partidos o PSB poderia compor para formação de uma chapa de deputado federal e estadual?

Laurez – Ainda não definimos isso. Estamos conversando com vários partidos, com o próprio governador. Vamos escolher a melhor opção na época, porque temos que definir os candidatos para fazermos uma boa composição para nós e para quem vier a coligar-se com o PSB.

CT – O PSB é a legenda que menos teve espaço no governo de coalizão. Isso foi devido ao fato de o partido não tem nenhum deputado estadual?

Laurez – Provavelmente sim. Nós sabemos que os deputados estaduais, na composição do governo, tiveram papel importante na eleição indireta do governador e ocuparam um espaço enorme dentro do governo. Agora, estamos conversando com o governador, procurando uma forma de fazer com que o PSB seja melhor valorizado pela importância que o partido tem hoje. É o terceiro partido em número de vice-prefeitos no Estado e em número de presidentes de Câmara de Vereadores, está presente em todos os municípios. Temos quatro prefeitos, 14 vice-prefeitos, sem contar que é uma sigla que abriga bons quadros.

Por: Gilson Cavalcante

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