Opinião

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Neste dia 21 de janeiro se comemora no Brasil inteiro o dia do combate á intolerância religiosa. Mas o que é de fato “intolerar uma religião”? Essa foi uma das várias perguntas feitas durante a II Conferência Nacional de Igualdade Racial que aconteceu em Brasília em 2009.

Muitos representantes do povo de santo das comunidades de terreiro estão aí na incansável luta contra as ações de perseguição a muitos terreiros e outros templos.

Na ocasião os principais representantes nacionais das religiões apontaram a mídia como a principal disseminadora de notícias negativas sobre o assunto. Disseram ainda que a mídia marginaliza as religiões de matriz africana.

Os representantes das religiões enfrentam antes de tudo uma forte onda de rejeição causada pela falta de informação e pelo pré-conceito social.

Macumba, feitiço...tudo quanto é tipo de nome maléfico é dado para os cultos. As entidades que compõem a “malha espiritual” são relacionadas a coisas simplesmente demoníacas e satânicas de uma maneira extremamente “despreparada”.

A primeira luta nesse campo é contra a “desinformação” que está assolada no seio das sociedade. A ideia falsa de que se cultua as forças negativas nas religiões menos conhecidas como ubanda, kinbanda, candomblé impera e impede um debate maduro e sensato em torno da temática.

O reflexo de todo esse cenário é a desvalorização social de várias religiões com significado cultural e ancestral. Prefere-se marginalizar a educar o indivíduo para saber lidar com as diferenças.

Em Piracicaba a Câmara de vereadores chegou a aprovar, - isto mesmo, aprovar! - um projeto de lei proibindo a prática de candomblé no município. Está aí o retrato da rejeição social causada pela tal da desinformação.

Em Salvador, berço da prática das várias religiões, muitas mães de santo já tiveram terreiros queimados, invadidos e até mesmo foram agredidas e também culpadas por episódios sociais como pessoas que apareceram com agulhas pelo corpo.

O Estatuto da Igualdade Racial é uma esperança em torno do tema. O governo federal agora terá o maior desfio que é regulamentar as ações previstas no documento que contempla vastamente questões pontuais com relação aos cultos das religiões de matriz africana.

Nos grandes centros como São Paulo, os representantes se uniram para fortalecer a luta. O número de denúncias sob a alegação de prática de intolerância religiosa subiu significadamente também no Rio de Janeiro.

A mídia, a desinformação, a rejeição social ... infelizmente todos os dias ainda temos provas de que há sim muita intolerância religiosa para se combater.

*Maria José Cotrim é Jornalista e editora do site: www.negroemdebate.com.br