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Foto: Divulgação

Cerca de 100 pessoas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) de Tabocão ocupou na manhã desta segunda-feira, 2, uma área pertencente a multinacional Bunge, no município de Fortaleza do Tabocão. A área de cerca de 300 alqueires e fica próxima ao Santuário do Senhor do Bonfim. Essa foi a primeira área ocupada pelo MST no município.

Edivanilson da Silva, um dos líderes do movimento, informou que o objetivo da ocupação é chamar a atenção da Superintendência Regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). “Vamos permanecer enquanto não formos atendidos pelo Incra. Por enquanto não é uma invasão, apenas uma manifestação pacífica”, disse Silva, acrescentando que o grupo é formado por pessoas que vivem na zona rural e no município de Fortaleza do Tabocão. “Queremos um pedaço de terra para criar nossos filhos. As autoridades precisam nos dá uma satisfação”, disse José Rodrigues de Sá, afirmando que a área da Bunge é improdutiva.

O prefeito do município, João Batista Oliveira, o João Cirino (PMDB), esteve no local e afirmou que a manifestação é pacífica. “Estou confiante que no final da tarde, eles vão desocupar a área. Não ocorrendo isso estaremos solidários com a luta deles, porém sempre cumprindo o que a lei determina”, disse. O peemedebista também fez críticas ao Incra. “Procurei o Incra no primeiro dia de 2005. De lá pra cá foram mais de duzentas visitas, falando da necessidade da reforma agrária também vir para Tabocão. E tive várias audiências, inclusive com o deputado José Roberto Forzani (PT), que na época era superintendente do Incra. Foram muitas e muitas audiências, porém todas frustradas”, disse Cirino, acrescentando: “Na região do Médio Araguaia, Fortaleza do Tabocão é o único município que não tem assentamento implantado pelo Incra. Um dia isso teria que acontecer. Os sem terra não agüentaram mais esperar”. Conforme o prefeito, o assentamento Despertar, onde vivem 40 famílias, é único existente no município e foi implantado pela administração municipal.

Segundo o secretário municipal de Habitação, Edivaldo Teófilo, a maioria das 275 famílias cadastradas para receber uma moradia no município é da zona rural. “O movimento é legítimo, pois o que buscam é um lugar para morar e produzir o que comer”, disse Teofilo, que também é vereador no município.