Palmas

Foto: Marcio Di Pietro

Ao completar 22 anos nesta sexta-feira, 20, projetada para ser uma cidade multifuncional abrigando, inclusive, a sede administrativa do Governo Estadual, Palmas atualmente possuiu, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, uma das mais altas taxas de crescimento demográfico do Brasil da última década (5,2%). Sendo assim, seria inevitável seu “crescimento vertical”.

Os moradores mais antigos são os que percebem mais nitidamente essa mudança arquitetônica da cidade, que apresenta nos últimos três anos um aumento considerável no que se refere ao ramo da construção civil, em especial o surgimento de edifícios com mais de cinco andares.

A professora Ana Rita Guedes conta que chegou à cidade há pouco mais de 2 anos e que, devido ao seu estilo de vida e rotina, tinha optado por morar em um apartamento e que não encontrou dificuldades em encontrar o imóvel que desejava em Palmas. “Em pouco mais de duas semanas consegui encontrar um imóvel que atendia minhas necessidades e dentro do meu orçamento. O que observo é que a cidade já oferece opções diversas no setor imobiliário”, reflete.

Segundo o presidente do Sindicato da Habitação e membro da Comissão de Administração e Urbanismo da Câmara de Palmas, vereador Fernando Rezende (DEM), o crescimento vertical da cidade aumentou cerca de 200% no último triênio. “A verticalização é uma tendência natural dos grandes centros urbanos que visa agregar uma quantidade maior de pessoas em um único espaço urbano. Esse crescimento é muito importante para o desenvolvimento da cidade e tende a aumentar a cada ano”, explica Rezende.

Crescimento com lacunas

Apesar dos índices positivos de desenvolvimento urbano e ser a Capital que mais cresce no País, Palmas ainda enfrenta desafios consideráveis para tornar-se um modelo em termos de crescimento urbano sistemático.

O arquiteto Walfredo Antunes, co-autor do projeto da Capital, explica que o crescimento da cidade deveria ocorrer de forma mais homogênea, conforme o seu projeto original. Antunes salienta que a cidade, desde os seus primeiros traços, foi pensada a partir de um padrão que permitisse os diversos tipos de ocupação: residenciais unifamiliares ou multifamiliares em edifícios mais baixos ou mais altos.

Sobre um provável comprometimento do projeto original a partir da instalação de mais edifícios na cidade, Antunes esclarece que esse depende da taxa de ocupação e do índice de aproveitamento dos lotes. “Em todas as quadras deve haver essa mescla, pois assim permite-se o alcance de uma densidade geral, o surgimento de mais prédios e arranha céus, desde que não seja permitida uma concentração exagerada e prejudicial. Esse crescimento vertical de hoje ocorre de acordo com o desenvolvimento do projeto original. Infelizmente alguns setores não estão sendo desenvolvidos da forma correta, deixando vazios indesejáveis”, explica.

Desenvolvimento habitacional

Palmas registra as mais importantes taxas de crescimento demográfico do Brasil nos últimos 10 anos, recebendo pessoas de praticamente todos os estados brasileiros, com destaque para os estados vizinhos ao Tocantins.

Nos últimos anos, o desenvolvimento econômico pelo qual tem passado o município de Palmas de certa forma tem contribuído para a atração de um contingente populacional proveniente de diversas partes do país. Esta corrente migratória se deve à expectativa gerada com o surgimento de oportunidades de negócios e empregos em função da implantação do estado e da capital.

A Secretaria Estadual da Habitação informa que atualmente, em Palmas, estão sendo construídas 3.241 unidades habitacionais, em diferentes regiões da cidade, com um investimento de R$ 91.810.570,00.

Já a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) informa que atualmente a quantidade de casas ainda é bem maior que a de apartamentos, porém existe uma linha crescente neste sentido e logo, provavelmente, as unidades de apartamentos serão em maior número.

Atualmente também há uma demanda crescente para a liberação e construção de condomínios fechados horizontais. O que reacende a discussão se isto é salutar para a cidade, pois interfere diretamente no direito de ir e vir do cidadão, visto que muitos destes condomínios requerem uma grande área, tornando-se um obstáculo principalmente para os pedestres que devem contorná-lo para chegar a seu destino.

De acordo com o diretor de Planejamento Urbano da Seduh, Elias Martins, "Palmas deixou de ser uma cidade de construções provisórias e os grandes empreendimentos chegaram, sejam comerciais ou residenciais. O maior desafio do crescimento de Palmas é crescer ordenadamente e não deixar que o poder econômico possa tornar-se o ditador das regras de desenvolvimento”, pontua.

Dados do IBGE

Atualmente, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, levantados por meio do censo Demográfico de 2010, Palmas possui 75.202 domicílios coletivos, sendo 69.002 ocupados e 6.127 não ocupados.

Fonte: Secom