Opinião

O mundo atual clama por ações que contribuam de forma direta com o equilíbrio sustentável do planeta que está agonizando pela inescrupulosa interferência do homem em suas entranhas.

Mas antes tarde do que nunca. Os países desenvolvidos que são os que mais contribuíram com a poluição planetária estão chegando a conclusão de que devemos retornar aos parâmetros de equilíbrio do século passado sob pena de encurtarmos nossa presença na face do planeta. Parece impossível, mas dá para frear a louca corrida da modernidade de forma que possamos alongar por mais algum tempo a meia vida do moribundo planeta Terra.

Na Europa, o etanol já é realidade. A preocupação em utilizar combustível não poluente é fator primordial num mundo abarrotado de veículos motorizados. Os extensos campos da França, Bélgica e Alemanha estão produzindo grandes quantidades de beterraba branca para a produção de etanol destinado a abastecer a imensa frota que trafega no velho continente. Carros elétricos já fazem parte da paisagem de muitos países por aquelas bandas. O recente acidente nuclear provocado por intempéries da natureza já fazem países como a Alemanha e Estados Unidos decidirem rever seus programas nucleares e buscarem uma forma de substituí-los por outras fontes de energia que não agrida o planeta. A Espanha há muito já havia decretado sua moratória nuclear em favor da energia solar.

Os Estados Unidos que lidera o clube dos maiores poluidores do planeta, mesmo restringindo os acordos internacionais de redução dos índices de poluição, já trafega na via preferencial da sustentabilidade. O meio oeste americano está tomado de imensas lavoras de milho e soja para a produção de etanol. Na Califórnia o programa de desenvolvimento de tecnologia para motores de hidrogênio encontra-se bem avançado e com inúmeros protótipos circulando nas estradas. O programa da nova edificação predial e a adaptação dos prédios existentes com uma nova tecnologia de eficiência energética é obrigação de lei na maioria dos estados. A China que parecia inabalável, acordou para o fato e também já busca saídas para amenizar uma catástrofe anunciada.

O Brasil por sua vez, já deu os primeiros passos e agora caminha em ritmo acelerado, na busca por um ambiente melhorado sob o ponto de visto eco sustentável. Mesmo sendo acusado de provocar gigantes desmatamentos o país ameniza sua contrapartida com ações que poderão ajudar a salvar o planeta. Somos os maiores produtores de etanol do mundo e estamos aumentando mais ainda nossa produção para abastecer grande parte da frota mundial. No nordeste a energia eólica está ocupando espaço nas paisagens litorâneas e cata ventos são vistos ornamentando as dunas e falésias gerando energia limpa e barata.

Nossa grande vantagem está em termos recursos naturais consideráveis que se bem aproveitados, poderemos de fato, nos transformamos em uma nação equilibrada ambientalmente e oferecer qualidade de vida para nossos descendentes.

O Tocantins é um desses paraísos que pode se transformar em um grande celeiro de energia limpa e renovável. Temos uma reserva de rios com capacidade de instalar dezenas de usinas e produzir energia para atender a imensa demanda atual e futura advinda do uso da eletricidade também em veículos. Os lagos formados por estas usinas valerão uma fortuna em no máximo duas décadas. A água terá um valor maior do que o petróleo, aliás, já é maior. Uma garrafa de água com 500 ml já custa 2,00 reais. Precisamos apenas reparar com maior eficiência os impactos sociais advindos das desocupações dos ribeirinhos.

O Tocantins é ensolarado a maior parte do ano o que o coloca como um grande potencial na produção de energia solar. Já foram desenvolvidos dois tipos de tecnologia para captação de energia solar em grande escala. Uma denominada termo solar produzida por refração da luz captada em imensas placas que aquece a água que movimenta as turbinas de uma usina e o tradicional modelo de placas fotovoltaicas que alimentam grandes usinas na Espanha, Alemanha e Portugal e nos Estados Unidos onde tabém temos grandes usinas em diversos estados. A principal delas está na Califórnia, no deserto de Mojave, que produz 354 MW em 9 unidades de produção

A região do Jalapão pode perfeitamente receber usinas desses portes e gerar energia para as comunidades locais e vender o excedente para o sistema nacional de distribuição que corta o estado em imensos linhões. Empresas espanholas que possuem tecnologia para produção de energia solar podem muito bem realizar parcerias com o governo estadual e financiar usinas deste porte por aqui e até trazer fabricas de painéis gerando empregos e divisas em uma região pouco desenvolvida.

Palmas por muito tempo foi chamada de capital ecológica. Pois bem. Para realmente deter este título é preciso fazer a lição de casa. As centenas de prédios públicos da capital deveriam utilizar energia solar para suprir grande parte de suas necessidades e contribuir com um mundo melhor. A iluminação pública pode ser subsidiada para utilização de energia solar a exemplo da cidade de New Orleans nos Estados Unidos ,onde existe um eficiente programa de compensação para este uso. Com certeza a bela ponte sobre o lago estaria iluminada todos os dias por um custo financeiro baixo e ecologicamente corretos. Os telhados de Secretarias e Palácios poderiam muito bem estar captando energia abundante, barata e limpas.

A cana de açúcar já deu os primeiros passos no estado e com certeza em breve estará ampliando sua área de plantio inclusive produzindo energia com o bagaço de cana como já vem ocorrendo nos demais pólos produtores de cana de açúcar no país. O governo local já vem estimulando este setor que já mostra bons resultados. A usina de Gurupi, porém, está parada e precisa de uma verificação por parte das autoridades governamentais pra detectar o problema e buscar soluções.

A UFT em Gurupi através da faculdade de agronomia já possui uma pesquisa bastante avançada para o aprimoramento do pinhão manso na produção de biodiesel. Inclusive já foram publicados trabalhos científicos de reconhecimento nacional. Seria muito importante aproveitar esta tecnologia e conhecimento para estimular a agricultura familiar na produção dessa oleaginosa. Como estímulo para impulsionar o setor e também como exemplo a ser seguido, a frota de ônibus do transporte coletivo de Palmas e a frota movida a diesel do governo que compreende máquinas, caminhões e camionetas, poderiam utilizar o biodiesel produzido no Tocantins. Basta fazer uma pequena reserva de mercado.

E para finalizar, nada mais justo do que criar no estado pelo menos três pólos de reciclagem industrial onde estaríamos reciclando plásticos, papel e metal de uma vasta região e atraindo industrias que utilizam estas matérias primas. Temos uma fábrica de papelão parada em Gurupi enquanto fábricas e frigoríficos do estado compram caixas de papelão em outros estados As latas de alumínio saem daqui para outros centros onde são recicladas e industrializadas e voltam em forma de produtos manufaturados com alto valor agregado. Podemos muito bem inverter esta situação com os Pólos de Reciclagem.

Bem, precisamos agir, para o bem do Planeta terra e das gerações futuras.

*Divino Allan Siqueira é Administrador formado na Unirg e consultor para projetos de desenvolvimento sustentável. Email: divinoallan@bol.com.br

Por: Divino Allan Siqueira

Tags: Divino Allan Siqueira, Meio Ambiente