Economia

Foto: Wilson Rodrigues

A BR Distribuidora, do grupo Petrobrás, inicia, ainda esta semana, as obras de construção da base de distribuição de combustíveis no pátio intermodal ferroviário de Palmas/Porto Nacional, na área do distrito de Luzimangues, a 25 quilômetros da capital. O empreendimento que ocupa 120 mil metros quadrados, constitui-se na maior obra da BR Distribuidora no País, exigindo investimento de R$ 200 milhões, com previsão de gerar 600 empregos diretos. A base é construída utilizando planta de última geração, esboçando tecnologia de ponta no sistema de carregamento de caminhões de grande porte, em conexão com a ferrovia. Faz parte estratégica do sistema integrado de transporte que ligará o centro do Brasil aos portos marítimos. Em particular, o pátio ferroviário Palmas/Porto Nacional vai baratear custos, e se firmar como alternativa segura de transporte para escoamento da produção. No caso, o combustível será distribuído, além do Tocantins, para o oeste da Bahia, sul do Maranhão, leste do Mato Grosso e parte do Pará.

De acordo com o governador Siqueira Campos (PSDB) a obra é tratada como uma das prioridades de sua gestão, por fazer amadurecer a principal função da ferrovia Norte-Sul no Estado, que é a de facilitar a criação e circulação de riquezas. Recentemente, o governador reuniu-se, em Brasília, com os dirigentes da Valec, empresa responsável pela ferrovia Norte-Sul, buscando agilidade no funcionamento dos pátios ferroviários em solo tocantinense. Neste sentido, a BR Distribuidora recebeu do Naturatins, na última semana, a Licença de Instalação da base de distribuição, uma vez que foram rigorosamente cumpridas pela empresa todas as exigências relativas ao impacto ambiental.

O pátio ferroviário de Palmas possui características multimodais e não ficará restrito apenas à base de distribuição de combustíveis. Segundo o gerente comercial da Valec, Célio Cesar Ramos, as outras empresas que venceram a licitação já estão com os projetos de instalação prontos e com áreas para expansão naquele terminal. A previsão é de que até dezembro serão iniciadas as obras dos galpões e silos da Nova Agri, com investimentos superiores a R$ 50 milhões, fortalecendo o perfil de entreposto de cargas – a principal função desta plataforma multimodal, mas que depende ainda da completa conclusão da própria Ferrovia Norte-Sul, no seu traçado inicial de 1.574 quilômetros, cuja utilização é cada vez mais pressionada pelos recordes de produção de grãos, que necessita de escoamento rápido e seguro em direção aos portos marítimos.

O dado ainda mais alentador, como adiantou no mês passado o engenheiro Luís Barenco, da UTC Engenharia, empresa responsável pelas obras de implantação da BR Distribuidora é a capacitação de mão de obra local para trabalhar na empresa. “Estamos chegando para formar mão de obra local e não apenas durante este trabalho de implantação, de modo que a qualificação possa ter continuidade”, disse. A previsão é de que o pátio agregue também ao menos 20 outros grandes empreendimentos no seu entorno ferroviário, sendo capaz de promover ao menos 2 mil empregos diretos.

Base da BR Distribuidora em Palmas terá várias edificações

Nos planos estratégicos da BR Distribuidora, a base no Tocantins já é conhecida pela sigla Bapon, que a situa exatamente no km 722,7 da área de manobras e transbordo da Ferrovia Norte-Sul, e distante exatos 13 km das margens do rio Tocantins. O cronograma físico de desenvolvimento das obras aponta o término da base para dois anos. Assim, neste prazo, em termos de edificações, a base conterá guarita de entrada base, portaria multifuncional de controle e faturamento, prédio administrativo, estacionamento coberto, castelo d'água, cisterna, subestação e casa do gerador, casa de bombas de incêndio, estação de manobra e central de espuma, abrigo de resíduos, abrigo de lixo, abrigo para guarda de aditivos, abrigo para kit de emergência, laboratório, plataforma de conferência e abrigo para mangueira de incêndio. Os prédios a serem construídos serão protegidos contra descargas atmosféricas – muito comuns na época de chuva -, e todos os tanques serão aterrados em mais de um ponto, por meio de hastes de cobre com alma de aço.

Por estar lidando com produto inflamável, será construído um sistema completo de combate a incêndio, incluindo tanque de armazenamento de água e respectiva casa de bomba, interligado a uma rede de hidrantes para atendimento a toda a base e sistema de espuma para todos os tanques. O sistema foi projetado de acordo com determinações e norma da ABNT NBR 7505. De acordo com o memorial descritivo, o sistema elétrico da base contará com subestação acoplada à rede de dutos subterrâneos para alimentação de energia aos prédios administrativos, além de uma rede aérea em eletrocalhas para distribuição de força, controle e comunicação das áreas industriais, sistema de iluminação externa e rede completa de aterramento, através de malha interligando todos os equipamentos.

Em termos de automação, a base da BR Distribuidora disporá de sistema supervisório, com equipamentos de telemetria, de controle de carregamento, descarregamento, aditivação e bombeio, bem como sistema de emissão de notas fiscais, interligados por uma rede de comunicação abrangendo todos os prédios e instalações necessárias, permitindo a operação da base e desvio ferroviário com eficiência e segurança.

Combustíveis ocuparão 15 grandes tanques verticais

Conforme o memorial descritivo do projeto da base de distribuição, serão erguidos 15 tanques para armazenar combustíveis, sendo dois tanques metálicos e verticais, para conter cada um, 1.600 m3 de óleo diesel S-500 (teor de enxofre de 500 ppm), com diâmetro de 13,36 metros, e altura de 11,46 metros. Outros dois tanques metálicos verticais serão construídos para abrigar gasolina, com capacidade idêntica à do tanque de óleo diesel, em volume, diâmetro e altura. Para biodiesel, a BR distribuidora pretende construir outros dois tanques metálicos com menor amplitude.

Ou seja, serão duas unidades metálicas também verticais com volume de 495 m³, diâmetro de 7, 63 metros, e altura de 10,86 metros. Outros dois tanques armazenarão apenas óleo diesel S-50 (teor de enxofre de 50 ppm), mas que exigirá volume de 5.750m³ cada, diâmetro de 22.36 metros, alcançando 14,49 metros de altura cada unidade. Já para etanol hidratado, a base de Palmas-Porto Nacional da BR Distribuidora vai preparar três tanques verticais, com volume cada de 27,90 m³, 17,18 de diâmetro, 12,06 de altura. No item de estoque do etanol anidro serão também dois tanques metálicos, com idêntica capacidade do produto hidratado anterior.

Um dos tanques será reservado para conter água de combate a incêndio, com volume de 1.940 m³, 13,36 de diâmetro, e 13,87 de altura. De acordo com o memorial descritivo, tanto a bacia de contenção no que se refere ao dimensionamento, quanto a disposição dos tanques, tubulações e garantia contra infiltrações, atendem na íntegra à norma NBR 75050. Neste aspecto, serão instalados selos flutuantes nos tanques de volatividade maior (gasolina) e corta chamas nos tanques de volatividade média.

Também está prevista a automação dos tanques, incluindo a instalação do sistema de medição por radar, com monitoramento à distância em tempo real, através do prédio da operação e da sala do gerente da base, com sistema de alarme contra transbordamento. Nas instalações serão utilizados tubulações do tipo metálicas, aéreas, devendo ser assentadas em dormente de concreto armado ou perfis metálicos.

Sistema de bombeamento possuirá vazão de 90 m³ hora

A base de distribuição de combustíveis da BR Distribuidora construirá um complexo sistema de bombeamento, composto por pátio de carregamento de caminhão tanque, com treze bombas sendo três para diesel S500, três para gasolina, três para biodiesel, e quatro para diesel S50, permitindo a transferência simultânea e segregada de produtos entre os respectivos tanques de armazenagem e as plataformas de carregamento. De acordo com o projeto, haverá pátio de bombas de descarga de caminhões tanque que permitirá a instalação de 20 skids de descarga automáticos para bombeio de produtos para os tanques, uma para cada produto diferente, com vazão de 90 metros cúbicos por hora.

Será construída, ainda, uma praça com onze bombas sendo três para diesel S 500, três para gasolina e quatro para diesel S50, permitindo também a transferência simultânea e segregada de produtos entre os vagões tanques e os respectivos tanques de armazenamento. Outro pátio de bombas carregará exclusivamente etanol para vagões e caminhões tanques. Para tanto, vai ser construída praça com 16 bombas, sendo oito para etanol anidro e etanol hidratado. Tais equipamentos também permitirão a transferência simultânea dos combustíveis entre os tanques e as plataformas de carregamento de vagões e caminhões.

Também serão instaladas nove plataformas em estrutura metálica para carregamento tipo “top loading”, tanto para conduzir etanol anidro quanto para escoar etanol hidratado, totalizando 18 braços. Serão erguidas outras quinze plataformas em estrutura metálica para descarregamento de combustíveis, possuindo cada uma dois pontos de descarga de diesel S50, de diesel S500, e de gasolina, um de cada lado. Uma plataforma de enchimento de caminhão tanque será erguida em estrutura metálica, com cobertura em laje nivelada em concreto armado vai permitir o carregamento tipo “bottom loading”. Outras quatro lajes niveladas também em concreto armado atenderão o carregamento do tipo “top loading”.

Outra construção de plataforma de descarregamento de caminhões tanques em estrutura metálica, com cobertura, conterá cinco ilhas para descarga em dez lajes niveladas. Um total de 20 skids de descarga automática para os tanques, um para cada produto diferente, terá a vazão de 90 m3 por hora. Para o funcionamento da base, será necessária ainda a construção do sistema de drenagem oleosa, constando rede de tubulações de ferro fundido e respectivas caixas de passagens, conforme o projeto, possibilitando a coleta dos eventuais resíduos da bacia, dos tubovias, e do pátio de bombas. Todas as vias de circulação interna envolvendo carga e descarga serão pavimentadas em concreto armado.

Fonte: Secom