Economia

O empresariado de Palmas é jovem, tem pouca capacitação e começou seu negócio sem muita experiência, pela motivação de abrir seu próprio empreendimento numa cidade nova, de oportunidades. Este é o perfil da maioria dos empresários da capital, diagnosticado por uma pesquisa realizada pela Universidade Federal do Tocantins (UFT) entre os meses de abril e maio deste ano.

O levantamento faz parte do Projeto de Capacitação de Empresários para a Inovação, iniciativa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), juntamente com a Universidade de Brasília (UnB) e outras universidades do centro-oeste brasileiro. Aqui no Tocantins, a pesquisa de campo foi conduzida pelo Núcleo de Estudos Estratégicos em Gestão Contemporânea (NEEG) da UFT, em parceria com a Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Assuntos Comunitários (Proex), com o objetivo de identificar o perfil dos empresários palmenses nos setores do comércio e da prestação de serviços, suas competências administrativas e tecnológicas, além das necessidades de capacitação.

Os dados obtidos pela Universidade comprovam o que é fácil de ver na prática. A maioria dos negócios foi aberta há menos de cinco anos (55,85%) e é considerada micro e pequenas empresas por possuir no máximo nove empregados (85,55%) e contar com faturamento anual de até R,4 milhões (73,4%). A motivação para abrir uma empresa foi o desejo de conduzir um negócio próprio em uma cidade jovem para 73,26% dos entrevistados; o fato de já ter conhecimento e experiência na área de atuação foi respondido por apenas 10,7%. Entre os donos, prevalecem homens (56,9%), pessoas com até 40 anos (70,19%) e sem diploma de nível superior (73,9%).

Essa realidade da formação acadêmica mostra que a principal preocupação está na condução dos negócios, e a qualificação do empresário acaba ficando no plano inferior. Para buscar novas oportunidades e inovações para suas empresas, 52,06% responderam que o fazem por meio de cursos de capacitação e 96,3% dos entrevistados afirmam que gostariam de fazer um curso de curta duração voltado para a inovação, visando a maiores ganhos financeiros.

Diferencial - Ao se levar em consideração a pesquisa nacional Exame PME (2010), que mostra a capacitação das pessoas como grande diferencial para a sobrevivência dos negócios, o empresariado de Palmas parece estar no rumo certo. No entanto, o gargalo surge na forma com que os empresários vêem essa qualificação. Para eles, a capacitação não se enquadra como diferencial competitivo, já que apenas 7,97% a consideram a característica inovadora de suas empresas. Para a maioria (36,2%), o mais inovador atualmente é o atendimento, revelando uma peculiaridade do perfil empresarial da capital.

De acordo com a pesquisa, o atendimento como diferencial competitivo pode ser um fator cultural, já que "deixou de ser algo inovador desde o século passado, e hoje é uma obrigação o bom atendimento ao cliente". Entretanto, nota-se em Palmas uma situação de descaso que em outras cidades já não se encontra. Nessa relação, atitudes de grosseria, revide verbal, má vontade evidenciam o despreparo do empregado. Mesmo percebendo o desconforto por parte do cliente, segundo os pesquisadores, o empresariado tem dificuldade em mudar esse cenário pela falta de qualificação da mão-de-obra operacional, sendo preferível a manutenção dessa relação à troca contínua do empregado.

Saída - Em linhas gerais, a pesquisa concluiu que o empresário palmense necessita de capacitação presencial, preferencialmente de curta duração, para uma resposta rápida. Com isso, acredita-se que haverá "melhores resultados no processo de tomada de decisão de suas rotinas, ampliando seus horizontes, principalmente nas relações humanas (empregados - maior gargalo), nas tecnologias disponíveis e na condução da gestão, separando a pessoa física da jurídica, para que se entenda como gestor (autoridade)".

A pesquisa abordou aleatoriamente 188 empresários do Plano Diretor de Palmas, incluindo Taguaralto, Aurenys (I a IV), Vila União e o centro da cidade. Porém a pesquisa concentrou maior parte dos entrevistados no centro e Taguaralto devido à importância comercial dessas regiões.

Fonte: Dicom UFT