Educação

Depoimentos de professores e alunos que passaram pela Educação de Jovens e Adultos foi um dos destaques da programação desta quarta-feira, 21, na I Semana Estadual Paulo Freire, que está sendo realizada pela Secretaria Estadual da Educação, setor de Educação Indígena e Diversidade.

Raimundo Nonato da Costa Oliveira, 43 anos, estudante da 3ª série do Ensino Médio da Escola Estadual Novo Horizonte, falou de como a escola influenciou a sua vida. Ele nasceu no Maranhão, é pai de três filhos, tinha parado de estudar aos 15 anos, mas ele mesmo diz que somente a escola poderá ser um fator de transformação para o indivíduo. “O único caminho é estudar. A EJA é uma luz que me buscou de muito longe. Apensar de não frequentar a escola, nunca parei de ler, mas percebi que os meus filhos me faziam perguntas que não sabia responder, daí veio a necessidade de voltar para a escola”.

A professora Djanice Sales de Sena trabalha há cinco anos, no sistema prisional, na Escola Estadual Nova Geração, em Palmas, que está localizada na Casa de Prisão Provisória. Ela falou que o maior papel do professor é trabalhar com valores. “É evidente a diferença dos reeducandos que frequentam a escola e os que não estudam. Lá a educação funciona como instrumento de transformação na vida das pessoas privadas da liberdade. Acredito na mudança que a educação propõe, os nossos alunos tem grande potencial”.

Anderson Guimarães, concluiu o ensino médio na Escola Estadual Nova Geração. Foi preso por um crime leve, mas foi lá que ele sentiu necessidade de continuar estudando, enviou o pedido ao diretor da unidade prisional. Confessa que era um aluno rebelde e destacou a paciência que os professores tiveram. “Os professores tem carinho, afeto, foi na escola que aprendemos a abraçar as oportunidades. O inteligente aprende com os próprios erros, os sábios com os erros dos outros, hoje me considero um sábio e quero aproveitar todas as oportunidades”. Falando das pessoas que continuam presas, Anderson frisou que 80% deles podem ter suas vidas transformadas pela educação, pois são pessoas que cometeram crimes pelas circunstâncias da vida.

Para o diretor de Educação Indígena e Diversidade, Maximiano Bezerra, os depoimentos retratam a pedagogia de Paulo Freire, da interatividade do conhecimento. “Paulo Freire foi o maior educador como referência para a diversidade, uma educação que transforma”.

Programação

Na quinta-feira, 22, haverá a apresentação do vídeo, Ilha das Flores, de Jorge Furtado, uma alusão a Pedagogia do Oprimido, com a professora Roselice Ferreira Silva, do grupo de trabalho da Educação Ambiental. E haverá palestra sobre Educação de Jovens e Adultos e a Educação Popular, com a professora Dilsilene Maria Ayres de Santana.

Na sexta-feira, 23, no auditório da Escola de Governo, das 8 às 12 horas, haverá palestra sobre ‘a correlação entre metodologia de Paulo Feire e a Educação de Adultos, com ênfase na proposta de trabalho da UMA (Universidade da Maturidade).

Paulo Freire

O pernambucano Paulo Feire nasceu no dia 19 de setembro de 1921, faleceu em 1997, em São Paulo, foi um educador e filósofo que se destacou pela Pedagogia Popular, autor do livro ‘Pedagogia do Oprimido’ e defendeu o dialogo com os mais simples. Paulo Feire vivenciou a pobreza e a fome, na sua infância quando ocorria a depressão em 1929, essa experiência foi fundamental para mais adiante elaborar um método de alfabetização que o tornaria referência na América Latina e na África. (Ascom Seduc)