Polí­tica

A garantia do líder do Governo no Senado, senador Romero Jucá (PMDB/Roraima), de promover uma reunião entre os senadores da região Norte, mais Mato Grosso, com a diretoria do Banco da Amazônia foi um dos resultados concretos do encontro promovido na tarde de terça, 29, pela senadora Kátia Abreu (PSD) no Senado, para discutir a performance do Basa. Da reunião participaram ainda os senadores Romero Jucá, Valdir Raup/RR (presidente nacional do PMDB), Blairo Maggi (PR/MT), Jaime Campos (DEM/MT), Sérgio Petecão (PSD/Acre), Acir Gurgacv (PDT/RO), Vanessa Grazziotin (PCdoB/AM) e Flexa Ribeiro (PSDB/PA).

A discussão sobre o Basa já havia sido precipitada pela senadora Kátia Abreu durante o AmazonTec em Palmas, no mês passado, quando reuniu na Capital os presidentes de todas as Federações da Agricultura e Pecuária da região Norte para colocar o assunto na pauta política e econômica dos Estados, com os desdobramentos nas bancadas no Congresso Nacional.

Os senadores da Amazônia querem discutir a performance do Banco da Amazônia na gestão do atual presidente, Abdias José de Sousa Junior, no cargo desde 2.007, período em que a instituição priorizou os grandes empresários do setor, destinando-lhes 56% dos seus recursos. Além disso, o Basa deixou de aplicar meio bilhão de reais em 2008 e 1 bilhão e 200 milhões de reais na região em 2009, recursos constitucionalmente destinados pelo Fundo Constitucional do Norte (FNO) a investimentos no setor produtivo rural.

Conforme estudos do Ministério do Planejamento, os investimentos do Banco da Amazônia estão sofrendo retração sendo que nos últimos cinco anos a instituição não conseguiu investir sequer a metade da dotação anual autorizada.

Os senadores também preocupam-se com o índice de inadimplência do Banco que passou de 3,2% em 2007, para 6,4% em 2009. Eles criticam ainda a burocracia da instituição já que foram retiradas as alçadas gerenciais, sendo todos os projetos hoje submetidos diretamente às superintendências e à diretoria em Belém.

Relatório do Tribunal de Contas da União constatou que há um baixo cumprimento de metas de fiscalização no Banco da Amazônia, que chegam a apenas 49% (2009), o que concorre para os elevados índices de inadimplência do Pronaf.

Na raiz do problema, além da forma de gestão, a morosidade com que o Banco se desloca na área de informática. Em 2004 o banco contratou a empresa Cobra para reformular sua base tecnológica e em 2009, o contrato, com 15 aditivos, já estava em R$ 187 milhões e nenhuma melhoria se vê, com o banco caminhando para um colapso tecnológico.

O resultado da atual administração é que o Banco (que tem 96% de suas ações de propriedade da União) é o sétimo do ranking de desempenho dos bancos nos últimos seis anos. Em 2011 ele caiu para oitavo, com um lucro de R$ 43,3 milhões. (Ascom Kátia Abreu)