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Foi apresentado durante reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Congresso, os dois requerimentos de autoria do deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ) que convocam o governador Siqueira Campos (PSDB) e o secretário Estadual de Relações Institucionais, Eduardo Siqueira Campos para prestem esclarecimentos sobre as ligações do governo do Tocantins com o bicheiro Carlinhos Cachoeira.

A informação, publicada no Portal CT na noite de ontem, diz ainda que os requerimentos ainda não foram votados por que a convocação dos governadores, citados em gravações da Polícia Federal durante a operação Monte Carlo, foi adiada. Além de Siqueira, o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT) também tiveram seus nomes envolvidos com as atividades de Cachoeira.

Como justificativa, o deputado citou a aproximação de Cachoeira com o governador do Tocantins para tentar fechar contratos m a Delta – empresa investigada como um dos braços da organização criminosa de Cachoeira. Picciani ainda citou o encontro que Siqueira Campos teve com o bicheiro no apartamento do suplente de senador, Ataídes Oliveira (PSDB), onde supostamente, teria sido fechado um financiamento de campanha para o então candidato ao governo.

No requerimento, o deputado ainda aponta as ligações telefônicas que Cachoeira mantinha com Eduardo Siqueira Campos. Segundo Picciani, o secretário chegou a se encontrar com o contraventor e com pessoas do judiciário em um restaurante.

O secretário de Relações Institucionais, aliás, já teria sido citado em outro requerimento de convocação, desta vez do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). O senador justificou a convocação citando ligações entre Cachoeira e Cláudio Abreu – dirigente da Delta, na qual combinam a contratação de uma “acompanhante” para Eduardo em um jantar em Brasília.

Através de nota, a assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Relações Institucionais justificou que o momento em que a CPMI se encontra não enquadra as acusações contra Siqueira e Eduardo. De acordo com a nota, “no momento, a comissão discute convocação de quem teve diálogo direto ou envolvimento contratual que mereça consideração. O problema aqui no Tocantins não é com o governo cuja movimentação financeira praticamente inexiste”.

Além disso, a secretaria afirma que dos quatro contratos firmados com empresas supostamente ligadas ao contraventor, três são de gestões anteriores e a única que firmou contrato com a gestão siqueirista cumpriu o contrato e executou 100% da obra orçada em mais de R$ 14 milhões.

Acompanhe na íntegra a nota encaminhada pela Secretaria de Relações Institucionais

Nota da Secretaria das Relações Institucionais

A Secretaria das Relações Institucionais considera que a convocação de membros do governo do Tocantins não está dentro dos critérios que vêm sendo discutidos na CPI. No momento, a comissão discute convocação de quem teve diálogo direto ou envolvimento contratual que mereça consideração. O problema aqui no Tocantins não é com o governo cuja movimentação financeira praticamente inexiste.

A CPI trabalha com critérios e, dentro deles, nenhum enquadra o Tocantins por falta de ação administrativa, contrato ou resultado financeiro.

Como já foi noticiado pelos meios de comunicação, uma das empresas que seria do grupo, mesmo detentora de quatro contratos, três da gestão anterior e uma da atual gestão, recebeu ao longo dos mais de 500 dias do atual R$ 1,3 milhão, de uma obra 100% executada. O valor total dessa obra é deR$ 14.695.596,05.

Ressalte-se que mesmo sendo detentora de cerca de R$ 114 milhões em contratos, o faturamento da empresa foi de menos de 1% do total dos contratos, no atual governo.

Além disso, também como já foi mostrado pelos meios de comunicação, a empreiteira tocantinense da pessoa que seria o outro sócio do grupo, recebeu R$ 234,4 milhões do governo do Tocantins, dos quais apenas R$ 19,1 milhões foram pagos pelo atual governo. Cabe ressaltar, mais uma vez como os meios de comunicação já mostraram, todos os contratos dessa empreiteira foram assinados pelas administrações passadas.