Polí­tica

Foto: Wilson Rodrigues

Ao se dirigir à presidente Dilma Rousseff durante pronunciamento na cerimônia de inauguração da Usina Hidrelétrica de Estreito na manhã desta quarta-feira, 17, o Governador Siqueira Campos pediu a duplicação da BR-153, construção da hidrovia Araguaia-Tocantins e a construção de três usinas hidrelétricas no Tocantins. “Todos nós crescentemente satisfeitos com o desempenho do Governo Dilma Rousseff, temos nossas esperanças fortalecidas e, sob grande expectativa, aguardamos as anunciadas providências”, disse o governador.

Além da duplicação da conhecida rodovia Belém-Brasília (BR-153) “que serve as mais ricas e mais habitadas regiões do país” e a hidrovia “por concessão ou não”, o Governador solicitou a construção de hidrelétricas de Santa Isabel, no Rio Araguaia, de Serra Quebrada, em Itaguatins e de Ipueiras, ambas no Rio Tocantins.

Ao agradecer a presidente pela obra, o Governador voltou a defender parcerias com a iniciativa privada para o desenvolvimento do país. “Para construir o Brasil de nossos sonhos, o Brasil que queremos, o caminho é este: parcerias, concessão e livre iniciativa”, declarou, no encerramento de seu pronunciamento.

Em conversa com o governador, a presidente Dilma Rousseff afirmou estar sensível ao pedido e que o Governo Federal não medirá esforços para que as solicitações sejam atendidas.

A usina

Com investimento de aproximadamente R$ 5 bilhões, a Usina Hidrelétrica de Estreito tem potência de 1.087 MW, com capacidade de fornecer energia a 4 milhões de pessoas. Está localizada no Rio Tocantins, na divisa do município maranhense que dá o nome ao empreendimento com Aguiarnópolis e Palmeiras do Tocantins (TO). De acordo com o Consórcio Estreito Energia (Ceste), foram cinco anos de obras, que geraram 36 mil empregos, diretos e indiretos.

Ao todo, são 12 municípios interferidos pela obra, que tem área inundada de 400 km². Destes, dois são no Maranhão (Estreito e Carolina) e dez do Tocantins: Aguiarnópolis, Babaçulândia, Barra do Ouro, Darcinópolis, Filadélfia, Goiatins, Itapiratins, Palmeirante, Palmeiras do Tocantins e Tupiratins.

Cerimônia

A presidente Dilma Rousseff, em discurso, afirmou que é uma vitória do País a inauguração da usina. “Inaugurar estreito é especial. Estamos comemorando anos a fio de trabalho, empenho e teimosia. Tem muito de teimosia para fazer essa usina considerando todos os problemas de ordem de regulação, entre outros”, disse. “Estreito faz parte de um determinado momento que houve uma série de obstáculos. Sou testemunha do empenho dos empreendedores para que isso aqui fosse possível”, disse.

A cerimônia contou ainda com a presença do governador em exercício do Maranhão, Washington Luiz, dos ministros Marcelo Crivella (da Pesca e Aquicultura), Helena Chagas (das Comunicações), do secretário executivo de Minas e Energia, Márcio Zimmerman, do presidente da Vale do Rio Doce, Murilo Ferreira, do presidente do Grupo GDF Suez, Gerárd Mestrallet, do presidente do Grupo Alcoa, Klaus Kleinfeld, do conselheiro do Grupo Camargo Correa, Luiz Nascimento, deputados, senadores e prefeitos da região.

História

Em seu pronunciamento, o governador Siqueira Campos lembrou que a usina de Estreito nasceu durante cerimônia ocorrida em 12 de julho de 2002, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. “Tive o privilégio de estar presente. Foi quando tudo começou e que agora, sob a condução da excelentíssima senhora presidente da República, entregamos pronta e bela obra ao nosso povo”.

O governador lembrou ainda que, há 50 anos, “no paredão da margem esquerda do Rio Tocantins um numeroso grupo de pessoas originarias dos Estados Unidos construiu uma bela e confortável residência que recebia missionários”. Conforme Siqueira Campos, havia muita especulação sobre o local, no canal chamado Estreito, onde muitos estavam em busca de diamante. “No imaginário popular era riqueza inigualável. Verdade ou fantasia nada é comparável a riqueza desta bela e poderosa hidrelétrica, estrutura de concreto abrigando poderosos geradores compondo um conjunto de geração e distribuição de energia para servir ao Tocantins, Maranhão, ao Nordeste e ao Brasil com regular performance”, afirmou.

Para o governador, a presença da presidente Dilma Rousseff demonstra a importância da obra para o Brasil. “De fato, presidente Dilma Rousseff, o povo exulta com a inauguração desta obra. Os filhos desta região tocantina agradecem e têm certeza que todo o Brasil agradece esta bela obra, construída através de aplaudida parceria de empresários e investidores belgas, franceses, brasileiros e de outras origens.”

Ao encerrar o pronunciamento, o governador citou dois versos de Augusto dos Anjos. O primeiro, “O lamento das coisas”, diz: “O cantochão dos dínamos profundos que podendo mover milhões de mundos jazem ainda na estática do Natal”. E o outro foi “A esperança”, cujo verso diz: “A Esperança não murcha, ela não cansa. Também como ela não sucumba à crença. Vão-se os sonhos nas asas da descrença. Voltam os sonhos nas asas da esperança”.  (Secom)