Polí­tica

Foto: Clayton Cristus

Em um dia de grandes debates partidários, o PMDB tomou conta da tribuna da Assembleia Legislativa em discursos inflamados de membros do partido. Nas falas, a situação do diretório peemedebista norteou as discussões parlamentares na manhã desta quinta-feira, 21.

A primeira a subir à tribuna para discursar foi a deputada Josi Nunes (PMDB) que criticou a atual gestão estadual de seu partido, sob o comando do deputado federal Junior Coimbra, e falou em intervenção da direção nacional no Tocantins. De acordo com a parlamentar, a direção estadual da legenda não tem respeitado as bases e que a postura do partido é incoerente. “Uma hora diz que está conversando com o governo e em outra afirma que tudo não passa de boatos”, disse.

A deputada, ao ter o tempo de discurso da liderança do PMDB negado pelo seu líder, José Augusto Pugliese, frisou, em tom irônico que entende a postura do deputado. “Esta posição não é estranha. Eu já vinha estranhando por não fazer parte de nenhuma comissão importante do PMDB na Casa. Não há diálogo. Nunca foi discutida nenhuma destas questões com os membros do partido”, completou.

Em resposta à deputada, Pugliese, também em tom bastante inflamado, lembrou das alianças do PMDB em diversos municípios do Estado. De acordo com o deputado, o fato de a legenda ter coligado com a base governista na campanha eleitoral de Palmas, não demonstra incoerência de postura. “O PMDB em Araguaína, cidade do nosso ex-governador Marcelo Miranda, estava em que palanque? Estava no palanque do adversário. Isso por que ele não teve coragem de ir lá e firmar uma candidatura própria do partido”, acusou.

Em sua fala, o líder peemedebista questionou a campanha do prefeito eleito de Gurupi, cidade de Josi, onde Dolores Nunes foi sua vice. “Muito me admira a nossa deputada Josi Nunes sentar na saia. Em Gurupi, onde ela foi eleita vice-prefeita, quem foi que bancou aquela campanha? Aquela foi uma eleição palaciana”, frisou.

O discurso de José Augusto ainda foi seguido por outros deputados do PMDB que usaram os mesmos argumentos. Para Eli Borges, a aliança do partido com o governo em Palmas apenas seguiu uma tendência estadual. “Agora, só porque eu fiz isso em Palmas, Palmas deixou de ser Tocantins e vira alvo de intervenção? Eu permaneço na oposição ao governo”, completou.

Já Vilmar do Detran, em tom mais incisivo atacou os líderes peemedebistas, liderados pelos ex-governadores Marcelo Miranda e Carlos Gaguim, que tem ido à Brasília se reunir com a direção nacional do partido. “O que precisamos é de clareza. Não de vir à tribuna se fazer de santinha. Eles tomam decisão às escuras, na calada da noite e vem aqui dizer que o PMDB está vendido? Não é esta a nossa postura”, finalizou.