Saúde

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A técnica pesquisada visa desenvolver protocolos terapêuticos usando a tecnologia da biofotônica, que trata interações do corpo humano com as diversas formas de radiação, entre elas o laser, em doenças bucais. A mucosite oral, conhecida popularmente como afta, é uma das complicações mais comuns e dolorosas induzidas pela radioterapia e quimioterapia, observada em pacientes submetidos a altas doses do tratamento.  

“Esse método é realizado com laser, um tipo especial de luz que também é utilizado na área de saúde em diversos tipos de tratamentos. Pacientes que fazem tratamento contra o câncer desenvolvem úlceras bucais, chamadas mucosites, que atrapalham a alimentação, em consequência disso, eles ficam fracos, a resistência imunológica cai, prorrogando o tempo de tratamento. Outro problema agravante é o aumento do tempo de internação, causando mais dificuldades aos pacientes, que ficam sujeitos à infecção hospitalar”, explica o cirurgião dentista e coordenador da pesquisa, André Senna.  

A aplicação da técnica de laserterapia consiste em aplicar o laser diretamente nas feridas presentes na boca do paciente. O procedimento foi realizado com um grupo de 31 pacientes com câncer, com idades entre 28 e 83 que estavam em tratamento no Hospital Regional de Araguaína.  

“Os dados obtidos nesta pesquisa subsidiaram a elaboração da dissertação de mestrado da cirurgiã dentista Anelise Ribeiro, do Hospital Regional de Araguaína. A dissertação foi defendida com sucesso na USP – Universidade de São Paulo, e os resultados obtidos mostraram que a qualidade de vida dos pacientes melhorou e que diminuíram as intercorrências como o uso de sonda nasogástrica e internação hospitalar. Além disso, não houve necessidade de suspensão do tratamento por causa das mucosites”, explica o pesquisador André Senna, que teve sua pesquisa selecionada no edital do Governo do Estado e CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico.   

Candidíase Bucal  

Outra pesquisa desenvolvida pelo cirurgião dentista, André Senna, e sua equipe de pesquisadores, realizou o primeiro experimento clínico de tratamento da candidíase bucal, por meio do uso da terapia fotodinâmica antimicrobiana – aplicação de uma espécie de laser diretamente na lesão após a aplicação de uma substância sensível à luz. A pesquisa foi com cerca de 500 pacientes, com idade entre 40 e 65 anos, com candidíase bucal, em tratamento na Faculdade de Odontologia do Itpac – Instituto Tocantinense Presidente Antônio Carlos, em Araguaína.   

Durante quatro semanas parte dos pacientes recebeu tratamento convencional e a outra metade recebeu a terapia fotodinâmica.  O resultado foi surpreendente e tivemos 100% de acerto com esta técnica. “Com os medicamentos tradicionais, os fungos que causam a candidíase possuem resistência e através desta técnica inovadora foi possível tratar a candidíase bucal de forma eficaz, sem medicação, com custo baixo, praticamente sem efeito colateral e sem resistência ao fungo’’, declara o pesquisador, comemorando o acerto da técnica.  

O resultado desta pesquisa foi apresentado em vários congressos e submetido para publicação na Revista da British Society of Gerodontology. A partir do momento da publicação, a técnica poderá ser utilizada livremente em todo o Brasil, explicou o André.

Governo do Estado e CNPq

A pesquisa foi realizada através do convênio entre CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico e o Governo do Estado, através da Sedecti – Secretaria do Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação e Funtrop – Fundação de Medicina Tropical do Tocantins.  

O edital para desenvolvimento das pesquisas foi de R$ 450 mil e selecionou 12 pesquisas científicas no Estado. Entre as selecionadas está a do pesquisador André Senna, que recebeu o valor de 54 mil reais. “Os recursos foram fundamentais para o desenvolvimento da pesquisa e sem isso não teríamos realizado nada neste seguimento e nem conseguido fazer esta descoberta inovadora”, lembra o pesquisador.  

“Desenvolver pesquisas que tratam a saúde do tocantinense é um das metas da Sedecti, que disponibiliza através de editais, recursos para custear as pesquisas e contribuir para o desenvolvimento de técnicas inovadoras. Criar políticas públicas de desenvolvimento científico e de inovação é uma das metas da Sedecti. Nos últimos anos temos conseguido aumentar o número de pesquisas desenvolvidas e de formação de pesquisadores”, diz Álan Rickson, responsável pelo departamento científico da Sedecti.