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Foto: Divulgação O Tocantins é o 14º colocado em produção de peixes O Tocantins é o 14º colocado em produção de peixes

Entre os dias 1º e 15 de setembro, o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) está promovendo em todo o Brasil a X Semana do Peixe. O evento, que estimula o consumo de pescado no País, tem a participação de supermercados, bares e restaurantes, escolas, centros de saúde, empresas e instituições. A campanha promove uma série de iniciativas em torno do pescado, como cursos, palestras, seminários, festivais gastronômicos, degustações, campeonatos, promoções em supermercados, distribuição em caminhões-feira e povoamento de alevinos (filhotes de peixe) em açudes e represas.

Segundo o ministro Marcelo Crivella, da Pesca e Aquicultura, o Brasil precisa aumentar o consumo e a produção interna de pescado. A X Semana do Peixe, para ele, é uma ótima oportunidade para o País aproveitar tanto uma saborosa receita quanto para mobilizar a população em torno do assunto. “Será importante os brasileiros refletirem sobre o tema e discutirem as ações em andamento para alavancar a produção de pescado em propriedades rurais, nos reservatórios de hidrelétricas e no litoral”, diz.

O ministro recomenda, em especial, durante a Semana do Peixe, o consumo de produtos provenientes da pesca nacional ou de criatórios de espécies de peixe como tilápia, tambaqui, pintado, cachara, tambacu e pacu, e de mariscos como ostras, mexilhões e vieiras.

A campanha funciona como uma âncora, no segundo semestre, para o aumento do consumo de pescado. No primeiro semestre, a Semana Santa cumpre este papel. Os brasileiros ainda consomem menos pescado do que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). A média atual é de 9 quilos por habitante/ano, quando o ideal seria pelo menos 12 quilos.

A previsão do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), entretanto, é de que o consumo nacional de pescado alcançará a média dos 12 quilos até o final de 2015.

A campanha

No ano passado, a Semana do Peixe aumentou o consumo nacional de peixe em 20% e conseguiu reduzir os preços em 24%, conforme levantamento do MPA. A atual campanha vai contar com a adesão de 93 restaurantes populares e 136 cozinhas comunitárias do País, que divulgarão cartazes e cartilhas e oferecerão pratos à base de pescado.

O lançamento oficial da X Semana do Peixe será em Brasília, na próxima segunda-feira, dia 02 de setembro, no Mercado do Peixe, da Ceasa, às 10 horas, com a presença do ministro Marcelo Crivella. Na dia 30 de agosto, sexta-feira, o ministro estará em Itaperuna (RJ); no sábado divulgará a X Semana do Peixe no Mercado de Peixes de Cabo Frino, no bairro Jacaré, a partir das 11 horas: no domingo (1º de setembro) vai lançar a campanha em nível estadual no Posto 6 da praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, a partir das 9 horas. Outros eventos, com a participação do ministro, estão previstos para estados como Rio Grande do Norte, São Paulo e Tocantins. 

Mercado bilionário

Grande produtor de carnes, o Brasil se prepara para ter uma participação mais significativa no mercado de pescado, para atender a sua demanda interna e também para exportar.

No mundo, o peixe é a proteína animal de maior consumo. Em 2011, por exemplo, foram produzidas 130,8 milhões de toneladas de pescado para consumo humano, enquanto a produção de bovinos alcançou neste mesmo ano 56,85 milhões de toneladas e a de frangos 89,36 milhões de toneladas. Em 20 anos (1991-2011), a produção mundial de bovinos aumentou 13%. Entretanto, o pescado está na frente na corrida. Em apenas seis anos (2006-2011), o consumo humano de pescado cresceu 14,43%. Em 2010, este extraordinário mercado já movimentava US$ 217,5 bilhões, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

No Brasil, a sinalização de que a demanda cresce pode ser constatada na balança comercial. O País já recorre a importações de pescado para atender à procura. Em 2012, o País importou US$ 1,3 bilhão em pescados como bacalhau, salmão, pangasius e merluza.

Brasil em campo

O atendimento da demanda atual e futura de pescado no Brasil e no mercado internacional dependerá do crescimento da atividade aquícola (cultivo de pescado), já que a pesca extrativa se encontra estagnada no mundo, desde pelo menos 2006, no patamar das 90 milhões de toneladas anuais.

Apesar de alguns nichos promissores para a pesca industrial no Brasil, a exaustão dos recursos pesqueiros mundiais aponta que o futuro será mesmo da aquicultura. “Este é um dos setores econômicos que mais cresce no mundo e o Brasil tem imensas possibilidades de assumir um papel de destaque na produção, como já adquiriu em outros tipos de carne, de forma a atender melhor o mercado interno e colocar excedentes no mercado externo”, diz o ministro Marcelo Crivella. Ele lembra que o País é o que dispõe de mais água doce no planeta, bem como um extenso litoral. Além disso, existem 200 grandes reservatórios onde será possível a criação de pescado em gaiolas (tanques rede). Ainda este ano, o ministério lançou editais para o aproveitamento de lotes aquícolas em reservatórios ou áreas litorâneas nos estados de Goiás, Paraná, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Em outra frente, o MPA quer que milhares de pequenas propriedades rurais passem a produzir pescado, o que pode ser feito sem comprometer a tradicional agricultura. Para tanto, o ministério lançou um programa de fomento à aquicultura familiar, que irá ceder equipamentos (escavadeira hidráulica e trator de esteiras) para Prefeituras e consórcios intermunicipais construírem viveiros escavados nas propriedades. Estes viveiros são áreas abertas no solo para o acumulo de água e a criação de peixes.

Aproximadamente 27% das prefeituras brasileiras estão habilitadas a participar do programa. As atividades possibilitarão a formação de cadeias produtivas, com empresas de fornecimento de alevinos (filhotes de peixe) e de ração, fornecedores de equipamentos e produtos, distribuidores e fábrica de beneficiamento.

“Estamos construindo a base da aquicultura nacional, com o apoio de todos os entes da federação, que compreendem o potencial do setor e já criam legislações ambientais mais favoráveis à atividade”, diz o ministro Crivella, confiante de que as ações darão resultado e os peixes irão se multiplicar. (Ascom/MPA)