Palmas

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A equipe enxuta do renomado arquiteto urbanista Luiz Masaru Hayakawasó precisou de 300 dias para elaborar um plano que irá nortear as ações do município nos próximos 30 anos. O Instituto Municipal de Planejamento Urbano de Palmas (Impup) está desenvolvendo um sistema que interliga os principais modais de transporte: ferroviário, rodoviário, aéreo e fluvial e trabalha para atrair investimentos públicos e interesses privados para a Capital mais nova do País. 

O sistema, intitulado Projeto de Estruturação Urbana de Palmas, foi apresentado, pelo prefeito Carlos Amastha, aos Ministérios da Aviação, das Cidades, de Transporte e Planejamento. Neste último, a ministra Miriam Belchior sinalizou grande interesse em liberar um financiamento de aproximadamente R$ 680 milhões para início da implantação do sistema. Outra sinalização positiva veio do vice-presidente da empresa aérea Avianca, Tarcísio Gargioni, que em visita a Palmas, manifestou intenção de estabelecer a empresa na Capital tocantinense, em principio para suprir a demanda de passageiros e posteriormente a previsão é trazer aviões de carga para Aeroporto Internacional Brigadeiro Lysias Rodrigues. 

O ponto inicial do projeto é o transporte público e através dele a Prefeitura Municipal de Palmas irá projetar a instalação de infraestutura, escolas, unidades de saúde e habitação. 

O Bus Rapid Transit (BRT) prevê a instalação de uma via rápida de transporte dinâmico de passageiros no canteiro central da Avenida Theotônio Segurado, ligando de um lado o Setor Santo Amaro e de outro uma bifurcação que dividirá os caminhos a Taquaralto e Taquari. “Serão aproximadamente 35 km de corredor expresso ininterrupto que possibilitará ao usuário conforto e rapidez”, explica Masaru enquanto aponta no mapa o trajeto já delimitado.  

Ao longo do percurso estão previstas as instalações de estações de integração multimodal que se conectarão às demais linhas. A estrutura de embarque e desembarque possibilitará aos usuários do transporte coletivo urbano o acesso a bens e serviços tais como emissão de documentos, plantões de vacinação, farmácias básicas, atendimento ao usuário, entre outros. 

Arborização e Ciclovia  

Todo planejamento vem cercado por uma proposta de corredor verde. A instalação de árvores no entorno da via expressa tem o propósito de diminuir a incidência de raios solares direto nos ônibus proporcionando um clima mais ameno nos coletivos, defende Masaru.

O sistema atende ainda ciclovias. O presidente do Impup lembra que parte da estrutura já está pronta, a exemplo o trecho que liga a Avenida Theotônio Segurado ao Jardim Aureny III. Está prevista a implantação de espaços para tráfego de bicicletas, ainda na região norte, até o Hospital Geral de Palmas. Outra ciclovia deverá ligar a rodoviária ao Fórum.  Caminhos que irão facilitar o acesso dos moradores ao BRT.

Rotatórias  

O projeto paralelo de estruturação urbana de Palmas atende ainda a ampliação geométrica do diâmetro externo das rotatórias de modo a acelerar o fluxo de veículos utilizando a terceira faixa. O interior das rótulas será rebaixado para melhor aproveitamento do espaço dentro de uma concepção que alia sustentabilidade e drenagem para melhor aproveitamento do volume de águas pluviais. 

Multimodal  

Os técnicos do Impup se aproveitaram do fato de Palmas estar localizada numa região geograficamente estratégica, no centro do País, para visionar um Plano Diretor Logístico e Multimodal. A construção do aeroporto de cargas vai viabilizar a exportação de mercadorias de maior valor agregado produzidas no Tocantins e em estados vizinhos à países da América do Norte e Europa. “Quando estiver concluída, a Cidade Aeroportuária produzirá grandes transformações na economia, não só de Palmas, mas em toda região”, ressaltou o presidente do Instituto.

O corredor Centro Norte da Ferrovia Norte Sul já conta com terminal de transbordo em Porto Nacional, há aproximadamente 20 km de Palmas, que atenderá o nordeste do Mato Grosso e o Centro Norte do Tocantins. A vantagem logística é a redução de custos e a rapidez do transporte de cargas para demais estados do Brasil e o mundo. 

Está em estudo uma área para implantação do Centro de Logística Estratégica capaz de absorver empresas de grande porte para evitar conflito  com a malha urbana e facilitar o deslocamento seguro das cargas.

Pensando no futuro  

Masaru que trabalha há décadas no planejamento de Curitiba, cidade citada inúmeras vezes como exemplo de organização urbana, ressalta que este projeto é para os próximos 30 anos e para atender uma população de 2,5 milhões de habitantes. “O estudo que está sendo desenvolvido hoje deverá nortear futuras ações, sempre pensando na cidade como um todo associando o desenvolvimento urbano à qualidade de vida da população”, finalizou Masaru.