Polí­tica

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Desde a chegada à cidade de São Miguel do Tocantins, na manhã de 04 de outubro, até a partida do município de Figueirópolis, na noite de 27 de outubro, a Caravana Popular – Encontros pelo Tocantins, organizada pelo Partido dos Trabalhadores, percorreu milhares de quilômetros por terras tocantinenses, viajando de Norte a Sul do Estado, conversando com a população e olhando nos olhos de cada pessoa para saber qual as reais necessidades desse povo.

A Caravana Popular visitou 36 municípios até o dia 27 de outubro e se reuniu com cerca de 2 mil tocantinenses. Gente de todas as classes econômicas, ligadas a movimentos sociais ou empresariais, das mais variadas frentes partidárias. Essa abrangência de gêneros e ideias transformou a Caravana num grande movimento popular em favor do Tocantins. Um exemplo claro dessa representação democrática da Caravana foi visto em Figueirópolis, quando o prefeito eleito Fernandes Martins (PMDB) sentou-se lado a lado de seu concorrente na última eleição, Edivaldo Soares de Oliveira (PT) para debater o melhor para o município. Os prefeitos de Cariri, Zé da Máquina (PPS); de Talismã, Miriam Salvador (PMDB); vereadores de todas as frentes partidárias, presidentes municipais de partido como PV, PMDB, PROS, PSB, PPS e secretários municipais participaram do debate, levando a Caravana a ser um movimento acima do partidarismo ou de posicionamento políticas, para ser um ambiente de discussão na construção de um caminho melhor para o futuro do Tocantins.

Na cidade de Gurupi, na noite do último sábado, estiveram presentes presidentes municipais de partidos como o PMDB, PSB e PROS, um representante do prefeito Laurez Moreira (PSB) e presidentes de Associações Comerciais e Rurais. Na reunião, empresários importantes de Gurupi e representantes da classe trabalhadora dividiram harmonicamente o mesmo espaço de discussão, criando um ambiente verdadeiramente democrático, em que se discutiu o futuro da cidade, a preocupação com o desenvolvimento econômico de Gurupi, assim como um projeto de avanço social, com o fortalecimento da educação e de uma atenção básica às famílias mais carentes.

Participação popular

Nas discussões difundidas pelas 36 cidades por onde a Caravana passou, cerca de 600 pessoas expuseram seus lamentos e queixas sobre o sofrimento vivido pelo povo tocantinense. Dentre as reclamações, a falta de água potável, situação que para muitos pode ser incompreensível, mas que foi identificada como a realidade cotidiana de milhares de tocantinenses. “É inadmissível que em pleno século 21 milhares de pessoas no Tocantins ainda sofram porque não têm água para beber”, argumentou o petista Nicolau Esteves.

Por onde a Caravana passou, ouviu sobre o abandono em que vive o pequeno produtor rural no Tocantins. Não existe assistência técnica e em muitos casos falta infraestrutura básica para transportar insumos e a própria produção. Um bom atendimento de saúde pública também é um direito pouco respeitado no Tocantins. Faltam médicos, medicamentos, infraestrutura hospitalar, ambulâncias e sobram lamentações. A educação e a perspectiva de um futuro melhor para jovens tocantinenses também está fora da realidade de milhares de famílias. “Esses são problemas que expõem o completo descaso da administração pública estadual nesses 25 anos com o povo do Tocantins. Não existe um planejamento por parte do Governo do Estado e isso provoca o acúmulo de problemas e o sofrimento da população. Falta uma gestão competente, que esteja realmente comprometida com o bem-estar do povo e que queira realmente fazer a diferença e tirar a população do sofrimento. Falta um Governo interessado em cuidar das pessoas”, afirma Nicolau Esteves.

O descaso com o bem público por parte do atual governo do Estado e de governos anteriores foi visto em vários municípios por onde a Caravana passou. Esse descaso é representado pelas dezenas de obras abandonadas. São escolas, creches, praças, ruas, quadras de esporte, locais que serviriam para o desenvolvimento da cidade e que hoje não passam de escombros. A Caravana esteve no município de Sampaio, onde um dos maiores projetos de irrigação foi criado. O projeto foi construído para que fosse uma força de avanço econômico para a região, mas está abandonado. Milhões de reais foram desperdiçados. Dinheiro público jogado ralo abaixo por falta de compromissos do Poder Público Estadual. O mesmo atraso ocorre no projeto Manoel Alves, onde por falta de planejamento e gestão, agricultores foram colocados em áreas para o cultivo de agricultura irrigada, mas sequer tem energia elétrica para tocar suas lavouras. “São milhões em dinheiro público jogados fora, enquanto a população fica desassistida. Isso tem que acabar. O tocantinense não pode mais sofrer por causa da incompetência daqueles que administram e já administraram o Estado”, relatou.

No roteiro da Caravana, ainda faltam 103 cidades a serem visitadas. Desse movimento, o PT quer elaborar um projeto de desenvolvimento para o Tocantins, emanado do povo e que tenha a condição de resolver problemas que não deveriam existir mais no Estado e que levam milhares de pessoas ao sofrimento e a decepção.