Cultura

Foto: Divulgação

O conjunto composto por 30 obras do artista plástico Joel de Assis que a dialogar com o abismo em sua exposição intitulada “Harmonia das Esferas”, alusiva ao centenário da arte abstrata, mostra discos pintados dos dois lados, aspectos de uma mesma realidade de um universo caótico. Ficará exposto em Palmas até a quinta-feira, 12.

Na segunda-feira, 9, no Teatro de Bolso do Memorial Coluna Prestes, em Palmas, a exposição itinerante, foi aberta ao público. “Temos diversos tipos de exposições no Estado, mas essa exposição traz um elemento que não é tão novo, que é o abstracionismo, mas que se reveste de novo a cada vez que se coloca enquanto manifestação de arte. O Joel de Assis é um lutador quase solitário para manter isso vivo”, elogiou Célio Pedreira, diretor do Departamento de Cultura da Secretaria de Educação e Cultura (Seduc).

O antagonismo entre a vida e a morte são personagens dispostos no escuro. E, o espectador, com auxílio de uma lanterna, não só vê, mas também, interage com a subjetividade materializada em cores, que iluminam o fundo negro, o abismo, o desconhecido.  “É um diálogo com nós mesmos, como dizia Oscar Niemeyer, a gente não deve reclamar, se indispor com o desconhecido que vive dentro da gente. Às vezes sinto que minha pintura é metalinguística, fala dela mesma”, explica o artista, também antropólogo.

Para Joel seus ‘quadros’ questionam a estética tradicional, porque se tornam escultopintura, não obstante, o pintor russo Kazimir Malevich, precursor do Abstracionismo, influenciá-lo “É base de um questionamento estético, na medida em que eu eliminei a presença de luz e pinto em tela preta, também questionei a lateralidade do quadro, fiz redondo, no que fiz redondo eu vi que podia pintar dos dois lados, e não era mais um quadro de parede”, completou.

A servidora pública Ione Carvalho interagiu com as obras expostas no palco. “Ele deu vida ao negro, ele usou o fundo preto e o colorido, o contraste deu vida. Isso é o que mais me chamou a atenção. Aguça a sensibilidade, um olhar diferente, eu gosto de arte, me sinto mais leve”, disse Ione.

Sobre o autor

Joel de Assis formou-se pela Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Por sua participação no I Salão Nacional de Arte Moderna do Distrito Federal, em 1964, teve o nome incluído como verbete do Dicionário Brasileiro de Artistas Plásticos.

Natural do Rio de Janeiro, Joel de Assis também é decorador, antropólogo e sociólogo. Também tem experiência no teatro.

Já participou de exposições coletivas. Suas telas atualmente estão divididas em acervos de ateliês em Brasília, Praia de Guarajuba (BA) e Praia de Copacabana (RJ) e em sua residência em Palmas. (ATN)