Saúde

Foto: Sara Cardoso

Na data em que se comemora o Dia Mundial do Rim, 13 de março, é importante, além da prevenção, saber como é feito o tratamento de doenças relacionadas a insuficiência desse órgão que é tão importante para o funcionamento do organismo. A doença renal crônica é uma doença silenciosa e só apresenta sintomas quando já está em estágio avançado, por isso, grande parte das pessoas desenvolve a doença e não têm conhecimento. Os pacientes que, por qualquer motivo, atingiram a fase crônica da doença têm três métodos de tratamento que substituem as funções do rim: a diálise peritoneal, a hemodiálise e o transplante renal.

O médico nefrologista do Hospital Geral de Palmas (HGP), Itágores Hoffman, explica que a diálise e a hemodiálise são tratamentos paliativos, em substituição ao órgão. “Na diálise peritoneal a pessoa recebe um cateter na barriga, no qual é colocado um líquido, para que o sangue seja limpo. Nesse caso, não ocorre troca de sangue. Esse é um tratamento que dá mais liberdade e é indicado para pacientes jovens e que têm um nível sociocultural melhor, já que o tratamento depende dele. Nesse caso, a pessoa e a família são treinadas para realizar o procedimento em casa, precisando ir ao hospital apenas uma vez por mês para fazer a avaliação com o médico e exames laboratoriais”, explicou.

Já no caso da hemodiálise, o médico explica que o procedimento é realizado no hospital, através de uma máquina. “O sangue sai por meio de uma agulha e segue por um equipamento que vai levar o sangue até a máquina, onde vai ocorrer a filtração e a troca de substâncias entre o sangue e um líquido, que é chamado de líquido dialisado”, explicou.

Nesse tratamento, o paciente deve ir três vezes por semana ao hospital e cada sessão demora em média 4 horas. “Esse tipo de tratamento pode, no máximo, provocar a queda da pressão durante a sessão, câimbra, dor de cabeça e também pequenos hematomas no braço, que é de onde sai o sangue para ser filtrado”, explica o nefrologista.

Um dos pacientes que fazem tratamento é Cristiano José Rodrigues, de 65 anos. Ele conta que é morador de Lagoa do Tocantins e toda semana vem ao HGP para passar pelo procedimento. “Eu não tinha a menor ideia que estava com esse problema e quando cheguei aqui já tava bem avançado. Agora, toda semana eu venho para fazer a hemodiálise e, graças a Deus, ainda tem esse tratamento, ou não sei o que poderia ter acontecido”, disse.

No Tocantins, a Fundação Pró-Rim, contratada pelo Governo do Estado, é responsável pelos serviços de hemodiálise. Somente no núcleo que fica nas imediações do HGP, até o dia 10 de março um total de 2.171 sessões de hemodiálise foram realizadas. Já no ano de 2013, foram contabilizadas 26.333 sessões. Também existem núcleos da Pró-Rim em Araguaína e Gurupi.

Transplante

O transplante é o tratamento para quem é doente renal e tem menos de 65 anos. O procedimento oferece mais qualidade e maior expectativa de vida, além de menos complicações. “O transplante só pode ser realizado em pessoas com menos de 65 anos, já que após essa idade as chances de ocorrerem complicações são maiores”, explica o médico.

Hoffman explica que o procedimento pode ser feito de duas formas: através da doação do rim por uma pessoa viva ou morta. “No caso de doador vivo, isso ocorre geralmente entre parentes, quando se tem uma maior sobrevida do rim, em torno de 18 anos. No caso do órgão de uma pessoa morta, o procedimento é realizado, geralmente, entre pessoas que não têm compatibilidade sanguínea e, por isso, a sobrevida é menor”, explicou.

 O Tocantins ainda não realiza transplantes, mas faz todo o processo de encaminhamento  para que o procedimento seja realizado em outras unidades da Federação.

Proibições

O único alimento proibido para quem tem a doença renal crônica é a carambola. “A fruta é proibida porque ela tem uma substância neurotóxica de eliminação renal e o acúmulo dela pode causar lesão. Para os demais alimentos, vai depender se o paciente aderiu, de fato, ao tratamento. Caso contrário, alguns podem conter substâncias que o rim é responsável pela limpeza e não vai funcionar, então a substância vai acumular no sangue e pode causar complicações. Esse é o caso do potássio, que existe em grande quantidade nas frutas e, em excesso, pode causar arritmias cardíacas e até parada cardíaca”, destacou o médico. Ele ainda lembra que os principais fatores de risco para a doença são diabetes, hipertensão e envelhecimento. (ATN)