Cultura

Foto: Divulgação

O Movimento Encrespa Tocantins chega ao município da região Sudeste, Paranã neste sábado, 12. Uma caravana de 10 componentes do grupo Crespas.TO vai até à cidade onde em parceria com a Prefeitura da cidade realizarão várias oficinas  sobre cabelos crespos e vão difundir o Movimento.

O evento conta com mais de 100 inscritos dentre alunos, professores, líderes sociais e principalmente representantes das comunidades quilombolas da cidade. “O movimento surgiu de uma necessidade que senti de criar uma rede de pessoas para juntas promovermos ações e iniciativas para combater o preconceito que existe enraizado com relação ao cabelo crespo. A sociedade dita que existe o cabelo bom e o cabelo ruim mas para nós isso não é verdade”, explicou a idealizadora e coordenadora do movimento, jornalista Maria José Cotrim.

A mobilização para a causa começou com a criação de uma página na internet e resultou na realização de um grande evento na capital em fevereiro onde várias adeptas se encontraram para discutir a temática. “Quando criei a página na internet e propus a criação do movimento pensei justamente numa ação de autoafirmação do cabelo crespo e de fortalecimento da identidade étnico-racial das meninas e mulheres”, conta Maria José.

O movimento tem a parte de conscientização com relação ao processo de formação da identidade negra e também sobre a parte estética com oficinas voltadas a cuidados com cabelos crespos, penteados, uso de turbantes, lenços e maquiagem. “O movimento tem duas frentes: a conscientização e as oficinas práticas de cuidados com cabelos, penteados, dicas de hidratação, afinal esse é outro desafio: o mercado da beleza e as profissionais da área ainda não sabem lidar com o cabelo afro. Queremos estimular as meninas a aprenderem a cuidar de seus cabelos, inovar, ousar e com certeza esse processo começa em casa”, contou.

Integram o Movimento a jornalista Maria Antônia Perdigão, Nayara Rodrigues, Ohanna Patiele,  Daiane Luiza, Joanna de Cassia, Rafaela Alves, Lucy Souza e Saly dos Reis.

Conscientização

As participantes estão otimistas com a realização do evento e esperam mobilizar a cidade em prol de um novo olhar com relação aos cabelos crespos.  “O nosso movimento tem muito ainda por fazer. Vamos levar essa conscientização para as escolas nos municípios como estamos fazendo em Paranã e para a comunidade. Nossa ação tomou corpo no Estado e com certeza já influenciamos muitas meninas a assumirem seus cabelos crespos. Não se trata de uma ditadura sobre cabelos e sim valorização das raízes e sobretudo respeito à liberdade que cada uma de nós temos direito. Acredito que esse evento em Paranã é o ponto de partida para a valorização do cabelo crespo. Somos mulheres que sofremos na pele diariamente o preconceito da sociedade, assumimos nossa identidade não por ser moda ou coisa do tipo: por uma questão de identidade”, explicou.