Palmas

Foto: Antonio Gonçalves

Morador de Palmas há quase 24 anos, o empresário Henrique Cardoso, dono do primeiro lava a jato da Capital, destaca que esperança, coragem e desafio foram o que o motivaram a deixar a vida confortável em Cabo Frio, no Rio de Janeiro, para investir em Palmas. O empresário é casado, tem quatro filhos e chegou aqui em 23 de agosto de 1990.

Segundo Cardoso, o cunhado tinha interesse em investir na compra de lotes e construção de imóveis na capital temporária Miracema do Tocantins, e propôs que ele cuidasse dos negócios no Tocantins. Em Alvorada, o empresário descobriu que Palmas era a nova capital. “Nosso destino era Miracema. Paramos para almoçar em Alvorada e lá descobrimos que Palmas era a nova capital do Tocantins, por isso mudamos a rota. Saímos com um destino e chegamos a outro”, conta o empresário.

As dificuldades encontradas foram muitas, entre elas a moradia. “Palmas era só poeira, esse é o resumo da nossa Capital no início. Dormia em uma barraca de camping debaixo de uma árvore”, lembra.

A empresa

O empresário explicou que, com as dificuldades e devido à cidade ter pouca estrutura econômica foi necessário buscar meios de sobrevivência e assim surgiu o lavajato.

“Aqui as coisas eram muito difíceis, precisava sobreviver. Lá em Cabo Frio já mexia com isso, foi quando em outubro de 1991 trouxe minhas coisas para construir o lavajato”, informa.

O Fragata Lavajato iniciou suas atividades na Avenida JK, na quadra 212 Sul, com três boxes para lavagem de carros e dois funcionários. No mesmo local, foi construído um quarto para dormir e cozinhar. Atualmente, a sede fica localizada na Avenida Teotônio Segurado e foram abertas mais duas filiais. “Hoje possuímos 50 funcionários. A luta foi grande, mas compensou, foi uma conquista. Nada veio de graça”, ressalta.

Desafios

Emocionado, Cardoso contou que houve momentos que pensou em desistir. “No ano de 1992, desmontei o carro de um cliente que era muito bravo e não conseguia montar. Fiquei apavorado e decidi abandonar tudo como estava e ir embora. Quando cheguei à rodoviária e o dinheiro que tinha não dava para ir nem até Goiânia, esfriei a cabeça, voltei para casa e no outro dia montei o carro”, explica.

Ainda segundo o pioneiro, muitas pessoas não acreditaram no sucesso do negócio, foi chamado de louco e não foi fácil atrair clientes com tanta poeira. Uma das maneiras utilizadas foi o anúncio em carro de som e oferecer lavagem gratuita.

“Peguei todo o dinheiro que tinha na época, que era o equivalente a R$ 60 hoje mandei um carro de som anunciar por duas horas que a lavagem seria de graça. Todos que apareceram pagaram, ninguém quis a lavagem gratuita. Era o reconhecimento do meu esforço”, afirma.

Expectativas

De acordo com Cardoso, acreditar no desenvolvimento da Capital mais jovem do Brasil foi determinante para as conquistas. “Tinha a idade certa, estava no momento certo e com certeza tive a oportunidade”, destaca.

Entre as expectativas para o futuro, o empresário chamou atenção para a formação acadêmica dos filhos e a continuação da expansão dos negócios. “A família é a base e sem dúvida agora é investir nos filhos. Em agosto vamos inaugurar mais um lavajato, com um novo conceito e continuar contribuindo para o desenvolvimento da nossa cidade”, garante.

Reconhecimento

Henrique Cardoso já recebeu diversas homenagens pelo pioneirismo na construção de Palmas e recebeu também em 2012, da Câmara Municipal, o certificado de Empresário Pioneiro.

O empresário é formado em Administração com ênfase em marketing e pós-graduado em Ciências Políticas. “É preciso acreditar, respeitar o processo da vida, assim como uma árvore, primeiro o enraizamento, que seria a construção da marca, buscar os clientes, criar o nome, depois colher os frutos, que são o sucesso, as conquistas”, enfatiza.