Polí­tica

Foto: Divulgação Print Processo Douglas Schimitt (clique para ampliar) Print Processo Douglas Schimitt (clique para ampliar)

Preso com R$ 504 mil na última quinta-feira, 18, sob suspeita da prática de crimes de lavagem de dinheiro, associação criminosa e crime contra a ordem tributária, cometidos em Piracanjuba/GO, Douglas Marcelo Alencar Shimtt, foi indicado pela polícia goiana por omitir informação e prestar declaração falsa às autoridades. O processo (Nº 201403455290) foi protocolado na sexta-feira, 19, na escrivania do crime de Piracanjuba e tem a magistrada Fabiana Federico Soares como julgadora.

Além de Douglas, foram presos na operação policial de Piracanjuba (GO), que também apreendeu um avião com santinhos de Marcelo Miranda e Carlos Gaguim, Lucas Marinho Araújo, acusado de ser laranja e ter emprestado sua conta para a lavagem de R$ 1,5 milhão, Roberto Carlos Maya Barbosa, piloto da aeronave, e Marco Antônio Jayme Roriz, motorista da Hillux que levou os suspeitos até a pista de pouso local a pedido do PMDB, partido para o qual confirmou trabalhar, em Palmas.

Dois agentes da polícia goiana e o delegado Rilmo Braga Cruz Júnior afirmaram que ao ser detido junto com outras três pessoas, Douglas confessou que o dinheiro seria utilizado para o pagamento de despesas da campanha eleitoral de Marcelo Miranda, que está com as contas bloqueadas pela Justiça. No momento da prisão, apenas o piloto revelou ignorar o transporte de dinheiro e sua finalidade.

Contudo, ao depor na delegacia, depois de conversar com advogados e com uma pessoa identificada como "Cleanto", que seria o chefe do serviço aéreo da campanha de Miranda, Douglas mudou a versão. Disse que o dinheiro seria de empréstimo feito em Brasília para pagamento de dívidas pessoais e da empresa Triple Consultoria, de sua propriedade.

O laranja da operação confessou à polícia que Douglas trabalha para a campanha eleitoral de Marcelo Miranda, mas não soube dizer se o dinheiro tinha qualquer envolvimento com tráfico de drogas ou crimes eleitorais e também mudou de versão sobre a provável origem do dinheiro. Segundo Lucas, Douglas não lhe explicou a razão para o depósito ocorrer em Goiás, nem para que e nem de quem eram os R$ 1.505.900,00 encontrados por ele na sua conta na terça-feira.

Ao jornal Folha de S. Paulo o delegado Ricardo Chueire, titular da delegacia de Itumbiara que acompanha o caso, criticou a história criada pelos presos. "Inventaram uma história falaciosa. Existem fortes indícios de que seja caixa dois de campanha, mas não cabe à Polícia Civil averiguar isso", disse o delegado ao jornalista Diógenes Campanha que assina a reportagem publicada pelo jornal na sexta-feira.

Chueire afirmou também ao jornal paulista que irá encaminhar cópias da documentação apurada no caso para o Tribunal Regional Eleitoral do Tocantins (TRE-TO) e para a Procuradoria Regional Eleitoral, órgão do Ministério Público Federal (MPF) no Tocantins para que a suspeita de caixa dois seja apurada.