Opinião

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Quando a campanha eleitoral começou pra valer, com horário político no rádio e na televisão e seguidos debates e entrevistas com candidatos, os adeptos da candidatura tucana estranhavam a falta de referência direta aos escândalos e manifesta corrupção no governo petista. Seria tibieza ou rabo preso?

Agora, na reta final, vê-se que não era fraqueza. Afinal os tucanos não poderiam jogar pedras porque seu telhado é também de vidro. Observando o que está ocorrendo com ataques e revides em tema exclusivo sobre corrupção, desvio e mau emprego de dinheiro público, malfeitorias em geral, pode-se dizer que o jogo descambou para pancadaria generalizada. Ao invés do “futebol bonito e bem jogado”, isto é o debate e confronto de ideias e projetos, a partida está repleta de “caneladas” de parte a parte. Tanto assim que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), árbitro nessa pugna, horrorizado e buscando serenar os ânimos “dentro de campo”, mostrou cartão amarelo ao avisar que “o horário eleitoral gratuito não comporta ataques pessoais” e se ocupou, nos últimos dias, de determinar retirada de propaganda ofensiva e acusações levianas de ambas as partes.

Vejamos alguns dos “piores momentos” desse embate:

1)      O carrinho pelas costas que foi o mensalão do Lula e o revide petista com o mensalão tucano no governo Azeredo, em Minas;

2)      A corrupção explícita na polícia do Rio de Janeiro, que é do PMDB aliado do governo federal. No repique a negociata do metrô em São Paulo, núcleo do PSDB;

3)      O explosivo escândalo na Petrobras envolvendo a alta cúpula do governo com forte respingo de piche nos tucanos manchando a memória e a biografia de Sérgio Guerra, ex-presidente nacional do PSDB falecido em março deste ano;

4)      O polêmico aeroporto na propriedade da família de Aécio, em Minas, e a desastrada compra da refinaria de Pasadena (EUA) aprovada por Dilma.

5)      Mais algumas ‘caneladas’ nessa partida de várzea: Aécio se recusou a fazer teste do bafômetro após ser flagrado em uma blitz; Igor Rousseff, irmão da presidente, foi contratado pelo então prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, mas nunca apareceu para trabalhar; desvio de verbas na Petrobras ia em parte para o PT.

E fiquemos por aqui, pois o que é tenebroso não vale a pena ver de novo.

Na linguagem do futebol, quando se defrontam dois times medíocres e há um vencedor costuma-se dizer que “ganhou o menos pior”. Neste embate presidencial será justo e correto dizer-se que “ganhou o menos corrupto” se avaliado pela baixaria na campanha e dada a imensidade de mútuas denúncias de corrupção.

E o eleitor como é que fica? Depois desta finalíssima do campeonato nacional da corrupção, no domingo, 26, o eleitor será o torcedor frustrado. Não interessa para que time torcerá, a verdade é que sai perdedor e terá de amargar longo tempo de sofrimento, porque o próximo “campeonato” só daqui a quatro anos. Até lá, para o torcedor (povo), apenas “peladas” ou jogo de várzea.

Infelizmente, o Brasil não coloca faixa nem no campeonato político...

Luiz Carlos Borges da Silveira é médico, ex-ministro da Saúde, ex-secretário de Ciência e Tecnologia do Governo do Estado do Tocantins e ex-secretário do Desenvolvimento Econômico, Ciência e Emprego do Município de Palmas-TO