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Foto: Arquivo Conexão Tocantins

O diretor executivo nacional da Central de Trabalhadores do Brasil (CTB), Eduardo Navarro, que está visitando o Estado com o intuito de articular novas adesões ao sindicato bem como reforçar a qualificação sindical, em visita à redação do Conexão Tocantins na tarde desta última quarta-feira, 14, concedeu entrevista e abordou a atual conjuntura da CTB no País, a falta de reconhecimento pelas reivindicações da Central, as possíveis dificuldades futuras da classe trabalhadora e pontos defendidos, assim como o plebiscito para Reforma Política e Projeto de Lei que trata do tema. Navarro estava acompanhado do dirigente estadual da CTB, Antonildo Medeiros.

Eduardo Navarro afirmou que o ano de 2015 não será um ano fácil. Segundo o diretor executivo, a conjuntura política do País tem tudo para endurecer para os trabalhadores, uma vez que já se tem sinalização para ajustes por parte do governo. O temor da CTB, segundo afirmações do dirigente, é que o trabalhador seja o mais atingido no processo. “Já começaram as primeiras arrumações, contingenciamento, ajustes. Nós já começamos a reclamar, nosso presidente já esteve em Brasília, reclamou pessoalmente a ela (a presidente Dilma Rousseff (PT)) que nós não vamos aceitar que os ajustes se deem encima dos trabalhadores”, afirmou.

Questionado sobre como a CTB, neste novo mandato da presidente Dilma, pretende colaborar para que as políticas públicas que favoreçam o trabalhador possam melhorar, Navarro afirmou que, pelo leque de alianças do governo, o entendimento é que o governo será de disputa entre as classes patronais e sindicais, onde a CTB também participa. “Se é uma disputa, o lado de cá também tem que disputar. Nós temos que ir pra rua e dizer: olha Dilma, se você fizer uma coisa boa nós vamos apoiar, mas se você fizer uma besteira, nós vamos pra rua também criticar”, frisou.

Reconhecimento

O dirigente nacional da CTB afirmou durante a entrevista que a CTB está presente em todos os Estados do Brasil buscando melhorias para a classe trabalhadora, mas, segundo ele, muitas vezes, a Central, assim como outras entidades sindicais, é esquecida por seus feitos, segundo Navarro, devido às empresas tomarem frente nas benfeitorias trabalhistas reivindicadas pelos movimentos sindicais se apropriando das mesmas e as apresentando aos trabalhadores como se delas próprias fosse a iniciativa. De acordo com Eduardo Navarro, a nova filosofia do emprego é a empresa disputar o trabalhador. “O trabalhador tem que ser apaixonado pela empresa. Então ele (a empresa, o empresário) vai dizer: olha! quem paga o seu salário sou eu! Esse tíquete alimentação quem dá sou eu! O sindicato não presta, quem presta sou eu porque sou seu patrão, porque sou seu amigo. Mudou a filosofia do trabalho. A empresa hoje disputa a cabeça do trabalhador dizendo que ela é boazinha e que o Sindicato não é”, disse.

Questionado sobre a necessidade de uma comunicação articulada dos sindicatos no sentido de divulgar as reivindicações dos trabalhadores, Eduardo Navarro afirmou que a comunicação da Central é deficitária a partir do momento em que os próprios trabalhadores, que estão acostumados a trabalhos técnicos ou atividades manuais, não são especialistas ou estão acostumados com a comunicação, administração, entre outros trabalhos. “A nossa comunicação é deficitária [...] Nós reproduzimos um modelo de comunicação de 40, 50 anos atrás [...] O nosso instrumento é a rua”, salientou.

Plebiscito

Eduardo Navarro ainda falou sobre a necessidade de uma reforma política no País. Segundo ele, o plebiscito já recolheu 7 milhões de assinaturas e a CTB já conseguiu 800 mil assinaturas com a expectativa de alcançar os dois milhões. “Nós vamos ter dois instrumentos falando de reforma política. O conteúdo é muito parecido, o que vai alterar é que um é plebiscito e o outro é Projeto de Lei de iniciativa popular. A nossa ideia é que esses dois processos detonem um debate na sociedade, porque quando a sociedade vê que ela é necessária é aí que as coisas começam a ir avançando”, disse.

O dirigente sindical enumerou os principais pontos defendidos pela CTB para reforma. Entre os pontos estão: Financiamento público e privado com limite de R$ 700 para coibir o financiamento empresarial; Mecanismos de Democratização: Projeto de Lei, Referendos, Plebiscitos;  Lista Preordenada: “teríamos um processo eleitoral em que você participaria com cada partido apresentando uma lista preordenada de nomes, de preferência homem e mulher. O eleitor vota no candidato, vê qual foi o coeficiente cinco válidos. Então ali vai para o segundo turno para que se escolha na chapa os cinco primeiros", salienta o dirigente que ainda defende a participação de cotas de seguimentos sociais, entre eles, mulheres e negros.

Perguntado sobre qual dos dois projetos, Plebiscito ou Projeto de Lei, a CTB mais se identifica, Eduardo afirmou: “Nós apoiamos o plebiscito porque é a coisa mais estratégica, mas nós estamos com mais força no Projeto de Lei”, finalizou.