Polí­tica

Foto: Conexão Tocantins

A votação dos cargos que compõem a mesa diretora na eleição da presidência da Assembleia Legislativa do Tocantins foi questionada pelos deputados estaduais da base governista e culminou na primeira discussão entre os dois grupos da Casa de Leis. Num clima de tensão os deputados discutiram entre si e houve até troca de acusações.

O deputado estadual Paulo Mourão (PT) pediu averiguação das cédulas de votação. Segundo ele informou ao Conexão Tocantins, há marcações diferentes nos quadrados de votação. “As cédulas estão marcadas com bolinhas, outras com um xis como se fosse para identificar quem votou. Vou pedir a anulação da sessão”, disse ao Conexão Tocantins. “Aqui está se falando da identificação de um voto de forma diferente”, reforçou em plenário ao pedir que seja formada uma comissão para avaliar. Ele disse que houve votos identificados.

Segundo Mourão, a averiguação é necessária para provar que não há “jogo de cartas marcadas” na Assembleia. Eli Borges reforçou a desconfiança. “Existem indícios de que as cédulas vieram com identificação específica”, disse Eli Borges. Segundo José Roberto Forzani as cédulas precisam ser preservadas para averiguação. O governista José Bonifácio reforçou o pedido: “Se há dúvida tem que ser apurado, isso aqui é coisa séria e não brincadeira”, disse Bonifácio.

O presidente reeleito Osires Damaso (Dem) disse que não vê necessidade. “Essa presidência não vai acatar o pedido porque entende que a votação é secreta”, disse.

O deputado Wanderlei Barbosa (SD) entrou na discussão. “Escrevo na cédula como eu quero. Imagino que vossa excelência não deve se render porque esse pedido é desespero dos que perderam”, afirmou.

O fiscal da chapa encabeçada pelo governo, Valdemar Junior (PSD) pediu que o fato fosse registrado em ata.

O deputado Ricardo Ayres (PSB) apimentou a discussão. “Qualquer tentativa de promover diligência que possa levar à qualquer tipo de discriminação com relação ao voto viola assim o segredo do voto. O pedido quer violar o segredo dessa votação”, disse. Eduardo Siqueira Campos (PTB) também questionou o pedido da oposição e frisou que a ata da eleição para presidente foi lavrada sem nenhum questionamento por parte dos governistas.

O presidente Damaso chegou a dizer que não vai se intimidar nem se render aos argumentos da oposição sobre a eleição.

Mais discussão

Bonifácio foi à tribuna e disse que a eleição foi um grande teatro. “Esse negócio de marcar votos, o que significa isso? Se eu comprar o voto de alguém vou fazer uma marca para ele comprovar que votou nele”, disse.

“Se houver um sinal que possa identificar voto esse voto tem que ser anulado”, frisou.  Ele negou o argumento da oposição de que os governistas estariam desesperados. “Eu sei ganhar eleições e perder eleições. Não sou homem para desespero mas às vezes me sinto covarde para tomar certas atitudes”, rebateu.

Wanderlei Barbosa acusou Bonifácio de desespero pós-eleição e negou que voto marcado seja voto marcado como disse o republicano. Barbosa disse ainda que Bonifácio vem tendo um Comportamento esdrúxulo pelos questionamentos que vem fazendo constantemente com relação à gestão de Damaso.