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“O verdadeiro remédio para a inflação é produzir, produzir e produzir!”. Esse foi o recado dado nesta segunda-feira (23) pelo senador Ataídes Oliveira (PSDB/TO), num discurso contra os sucessivos aumentos das taxas de juros pelo Banco Central. Ele observou que o Brasil tem os juros mais elevados do mundo e que, mesmo assim, a inflação continua fora de controle. “Aumentar os juros é um remédio amargo, que tem terríveis efeitos colaterais sobre o consumo e os investimentos produtivos. Junto com eles caem o PIB e os empregos”, argumentou.

Ataídes observou que, diante da atual taxa de juros, o setor financeiro prefere comprar títulos públicos a aumentar a oferta de crédito para consumidores e empresários: “Quero que alguém me diga em qual setor da economia é possível se obter um retorno financeiro nessa proporção, de 12,75%”.  Como resultado, explicou, as empresas não conseguem obter financiamentos, e sem eles não fazem novas contratações e nem adquirem novos equipamentos. “A roda da economia não gira e não há aumento da produtividade. Como consequência, a oferta de bens e serviços fica limitada”, acrescentou.

Juros elevados 

O senador também afirmou que juros elevados atraem capital de curto prazo e apreciam o câmbio artificialmente, criando obstáculos para as exportações e aumentando o rombo nas contas externas, que já fecharam 2014 com o pior déficit desde 1947, de US$ 90 bilhões de dólares.

O custo disso, segundo ele, já chegou. A economia deve fechar 2015 novamente em recessão e a inflação da baixa renda já superou 8% em 12 meses. Ele lembrou que os mais pobres são os que mais sofrem com a elevação da inflação, pois os bens básicos, como comida e luz, representam a maior parte dos seus gastos. 

Em vez de aumentar os juros, o importante, na opinião do senador, seria reduzir o Custo Brasil, combater a corrupção e equilibrar as contas públicas. “Temos que estimular a produtividade, acabar com a burocracia, facilitar a contratação de mão-de-obra e qualificá-la, abaixar os impostos e reduzir os encargos sobre a folha de pagamentos”, concluiu.