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Foto: Luciana Ribeiro Os grãos que serão colhidos servirão para o plantio da próxima safra Os grãos que serão colhidos servirão para o plantio da próxima safra

O plantio de sementes de soja no Tocantins, no período conhecido como entressafra, está em andamento. E como o ciclo se estende até o vazio sanitário, período de ausência total de plantas vivas da oleaginosa no campo, os produtores estão aptos a plantar apenas nas áreas de várzeas tropicais, compreendidas nos municípios de Dueré, Lagoa da Confusão, Santa Rita, Pium e Formoso do Araguaia.  

A orientação aos produtores que participam dessa condição de plantio é que busquem a Agência de Defesa Agropecuária do Estado (Adapec) para fazer inscrições e levar informações de plantio das áreas. Com isso, a Agência deve monitorar 100% das áreas plantadas, com equipes capacitadas, a fim de que todo plantio ocorra com eficácia.

Ano passado, o Estado produziu 54 mil hectares de soja na entressafra. Conforme o inspetor de Defesa Agropecuária da Adapec, Luís Henrique Michelin, as condições atuais adversas do clima dificultam uma expectativa de produção para 2015, porém a previsão de trabalho para este ano será de acordo com a área anteriormente organizada. “O Tocantins está localizado em uma logística excelente para a produção, portanto sempre prospectamos ótimas condições de retorno”, disse.

O Tocantins, com suas regiões de várzeas tropicais, é beneficiado com a entressafra em razão da alta temperatura, baixa umidade relativa do ar, além do sistema de irrigação ser através de lençol freático, com absorção de água pela raiz. Junto à Adapec, o produtor rural tem a condição de manter a plantação com baixa prevalência da praga Ferrugem de Soja.

O destino da colheita, que tem início em julho, quando também começa o vazio sanitário, será para o plantio da próxima safra.  O período curto de armazenamento faz com que a qualidade fisiológica e sanitária do material seja diferenciada.  Segundo Luís, toda essa produção local atende às regiões Nordeste, Centro-Oeste e Norte, bem como grande parte das instituições de pesquisa do Brasil. “Observamos que nossos estados circunvizinhos também estão produzindo aqui. O mercado local é abastecido e os grãos também são levados para abastecer as plantações dos nossos estados circunvizinhos”, afirmou.

Conforme o inspetor, todos os estados estão aptos para a produção de soja na entressafra, tendo em vista as suas áreas de exceção e o controle através das agências de defesa agropecuária. O diferencial do Tocantins está no clima definido, na logística favorável e na liberação para produção da semente se estender pelo período do vazio sanitário.

Entenda

Entende-se por vazio sanitário, o período de ausência total de plantas vivas de soja, excluindo-se as áreas de pesquisa científica e de produção de semente genética, devidamente monitorada e controlada. A medida é uma proteção contra a ferrugem asiática, doença causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi Sydow que já provocou um prejuízo de 2 bilhões de dólares  à sojicultura brasileira na safra 2005/2006.

Durante o período do vazio sanitário, que vai de 1º de julho a 30 de  setembro, todas as plantas de soja existentes na propriedade devem ser erradicadas, por meio de produtos químicos ou equipamentos. No Tocantins, as áreas específicas, onde foram comprovadas cientificamente que não há proliferação da praga, compreendem as regiões de várzeas tropicais, devido às condições climáticas e territoriais encontradas. Nas demais regiões do Estado, continua proibido o cultivo do grão durante toda a entressafra, com exceção do cultivo para fins de pesquisa.

Em 2006, essa medida foi instituída nos Estados de Mato Grosso, de Goiás e do Tocantins. Em 2007, foi publicada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, a Instrução Normativa Número 2, de 29 de janeiro de 2007, instituindo o Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja (PNCFS). Atualmente, 12 estados apresentam o período do vazio sanitário regulamentado.

Por: Redação

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