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Foto: Carlos Magno O Monumento Nacional das Árvores Fossilizadas do Tocantins está localizado no município de Filadélfia, a 438 quilômetros de Palmas O Monumento Nacional das Árvores Fossilizadas do Tocantins está localizado no município de Filadélfia, a 438 quilômetros de Palmas

Com a inauguração do Centro de Recepção de Visitantes do Monumento Nacional das Árvores Fossilizadas do Tocantins (MNAFTO), localizado no distrito de Bielândia, município de Filadélfia, a 438 quilômetros de Palmas, o Estado vai contar com estrutura adequada para receber profissionais e acadêmicos que visitam o local. A estrutura inaugurada pelo governador Marcelo Miranda nesta terça-feira, 2, conta com sede administrativa, banheiros, alojamentos masculinos e femininos, auditório e garagem.

Para a construção do centro, foi investido cerca de R$ 1 milhão, com recursos de parceria do Governo do Estado com o Banco Mundial. Segundo o supervisor de gestão da Unidade de Conservação do Monumento Natural das Árvores Fossilizadas do Tocantins Setentrional, Hermísio Alecrim Aires, a maioria dos grupos de visitantes do sítio paleontológico é composta de estudantes secundaristas e acadêmicos de diversas regiões do País. “Recebemos grupos de 25, 30 pessoas, mas agora para junho já temos reservas de 50 pessoas interessadas em conhecer o local”, afirmou.

O monumento é a floresta petrificada mais importante do Hemisfério Sul do período Permiano, que vai desde 299 até 250 milhões de anos atrás. Além de ser objeto de pesquisa de diversos segmentos profissionais e acadêmicos, o monumento poderá também gerar renda para a população local com a utilização da atividade turística, garantindo o desenvolvimento do setor, além de favorecer o surgimento de novos postos de trabalho e a qualificação da comunidade local.

Comunidade local

O trabalhador rural Rosiel Martins de Brito, natural do distrito de Bielândia, desde criança convive com os fósseis de plantas e vegetais do período geológico Permiano. Com o passar do tempo, ele buscou o conhecimento e, atualmente, é o único condutor habilitado na região para levar os visitantes ao sítio paleontológico Buritirana, localizado a cerca de 20 quilômetros do distrito de Bielândia. “O pessoal da região chamava as peças de pedra de pau. A gente nunca entendeu direito porque era assim, mas agora sabemos a importância histórica deste local”, afirmou.

Ainda segundo o condutor, com a estrutura inaugurada pelo Governo, mais turistas devem chegar ao local, o que é uma motivação para que os moradores busquem capacitação. “Tenho certeza que, com a inauguração do Centro de Visitantes, muitas pessoas vão ficar interessadas em vir aqui conhecer e nós moradores precisamos estar preparados para gerar renda com isso”, afirmou.

Já a empresária Duane Ribeiro, dona de um pequeno restaurante no distrito, acredita que com a divulgação do monumento nos veículos de comunicação, mais estudantes e turistas virão para o pequeno povoado para ver de perto os fósseis de vegetais. “Sempre que a gente percebe que tem um grupo de visitantes na sede do monumento já oferece refeição com um preço diferenciado para estudantes. Acredito que muitos turistas virão conhecer o local e isso é muito bom pra nós que moramos aqui”, afirmou.

Incentivo à pesquisa

Além de promover a atividade turística, a estrutura administrativa do Monumento Natural das Árvores Fossilizadas vai contribuir para a formação profissional dos estudantes tocantinenses. Para a acadêmica do curso de Biologia da Universidade Federal do Tocantins (UFT) em Araguaína, Ismênia Fenelon Pereira, a nova estrutura vai garantir mais conforto aos estudantes que vierem visitar o afloramento arqueológico. “Muitas vezes nossos trabalhos duram mais que um dia aqui em Bielândia e com este centro, os estudantes poderão ficar alojados aqui mesmo”, afirmou.

De acordo com a paleontóloga Etiene Fabbrin, professora da UFT, com a inauguração do centro, pesquisadores do Brasil e do mundo vão poder contar com um espaço com maior conforto e estrutura para realizar pesquisas e estudos. A professora ressaltou ainda que o local pode inclusive promover uma modalidade não muito conhecida de aproveitamento turístico, que é o turismo científico. “Toda a comunidade paleontóloga e de cientistas do mundo conhecem este local e agora eles poderão também contribuir no desenvolvimento econômico local. É preciso que haja então trabalhos de capacitação da comunidade para receber estes pesquisadores e turistas”, afirmou.

Árvores Fossilizadas

O MNAFTO completa 15 anos no dia 5 de outubro. O local abriga a mais completa floresta fossilizada do mundo. Esta floresta viveu no Período Permiano da Era Paleozóica, entre 250 e 295 milhões de anos. No final deste período, nosso planeta assistiu à maior extinção em massa da fauna e flora jamais ocorrida, em que aproximadamente 90% das espécies marinhas e talvez 70% das terrestres desapareceram.

O acervo natural ocupa uma área de 32 mil hectares do cerrado tocantinense. O monumento é uma unidade de conservação ambiental do Estado que foi criada pela Lei 1.179 de outubro de 2000. De acordo com pesquisas realizadas no local, os fósseis têm mais de 250 milhões de anos, sendo assim, são anteriores aos dinossauros. Entre os principais fósseis encontrados no monumento destacam-se as samambaias arborescentes.

O monumento é procurado por geólogos, historiadores e pesquisadores. Os interessados em conhecer o local devem agendar a visita na Coordenadoria de Unidade de Conservação do órgão em Palmas. (Secom-TO)