Polí­tica

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O presidente regional do PV, Marcelo Lelis, está se preparando para enfrentar a disputa pela Prefeitura de Palmas. Ele já tentou por duas vezes, sem êxito. Disse que, agora, seu partido está mais bem estruturado e que o momento é favorável. No entanto, pondera que esse projeto político tem que ser discutido com todo o grupo que elegeu Marcelo Miranda. Na entrevista exclusiva ao Jornal Opção, em sua residência, em Palmas, Lelis disse que o processo sucessório só vai ser amadurecido a partir no primeiro trimestre de 2016. “É um projeto audacioso, estratégico e muito bem planejado que irá contemplar todos os municípios com foco naquilo que o povo espera.”

Avalia que a decisão da Justiça de não impedi-lo de ser elegível lhe dá uma sobrevida nas suas pretensões políticas, embora o processo que o torna inelegível até 2020, por abuso de poder econômico nas eleições de 2012, tenha que ter um veredito final do TSE. Mas ele se diz tranquilo quanto a isso.

Sobre a possibilidade de ampliação da base partidária que elegeu Marcelo Miranda e 2014, Lelis argumenta que daqui até 2016 muita coisa vai acontecer e, portanto, é muito cedo para se fazer qualquer previsão.

Lelis classifica o prefeito Carlos Amastha como “embuste, um político truculento, que não respeita a classe política e os setores organizados da sociedade”. No entanto, o prefeito tem um leque muito grande de partidos que apoiam a sua gestão, mas Lelis não vê nisso uma composição que tenha fôlego para um apoio político à reeleição do prefeito.

Com a nova decisão da Justiça no processo que o tornava inelegível até 2020, por abuso de poder econômico nas eleições de 2012, o sr. está apto a disputar a Prefeitura de Palmas no ano que vem?
Ainda estamos tratando dessa pendência no TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Não está resolvida, não. Mas temos certeza absoluta, pelas informações que dispomos com bons advogados, com todas as teses jurídicas, não teremos nenhum problema. O caso será solucionado e estaremos aptos a disputar as eleições de 2016. O PV tem se preparado não só em Palmas, mas em todos os municípios, para disputar as eleições de 2016. Como presidente do partido, tenho feito um esforço muito grande, com outros líderes da legenda, percorrendo o Tocantins todo para aproveitar o melhor momento da nossa história partidária. O PV nunca esteve tão bem colocado no Tocantins como agora. Nunca ocupamos espaços tão importantes como agora, com a vice-governadora Cláudia Lelis, espaços no governo também. Estamos aproveitando isso e fortalecendo o PV para disputar as eleições de 2016 em praticamente todos os municípios. Já temos 36 pré-candidatos a prefeito. Devemos chegar, até o prazo de filiações, 2 de outubro, a 50 pré-candidatos. Isso é novo para o PV, que sempre foi um partido tímido no interior. Agora, nós estadualizamos o PV.

E a sua candidatura a prefeito da capital?
Pois é. Fiz essa introdução para chegar a esse ponto. Palmas sempre foi o nosso coração, onde fomos mais fortes. O PV de Palmas sempre moveu o PV do Estado. Há um chamamento muito grande do partido para que disputemos a prefeitura de Palmas, o que é muito provável.
Não seria um risco político o sr. disputar o pleito com o prefeito Amastha, que vai concorrer à reeleição, e com o ex-prefeito Raul Filho, do PR?

Tenho visto mudança no cenário político de Palmas. Um exemplo: em janeiro, nos bairros da cidade, eu ouvia que o prefeito Amastha estava cuidando e embelezando a cidade. Agora, nos últimos meses, percebo uma mudança radical nesse pensamento. A Prefeitura de Palmas tem implantado uma política agressiva de arrecadação de impostos e taxas em todas as áreas e as pessoas estão fazendo uma reflexão sobre isso. O que a comunidade está recebendo em troca? Apenas uma maquiagem na cidade, é o que o povo está dizendo. O povo, lá fora, diz também que as pessoas devem ser mais respeitadas. O prefeito falta com respeito, inclusive com a classe política. A mim mesmo ele me desrespeitou inúmeras vezes.

O prefeito Amastha o acusou por diversas vezes nas redes sociais, utilizando palavras de baixo calão.
Ele (Amastha) me acusou de atos que nunca pratiquei. Em toda a minha vida pública não há nenhuma denúncia de corrupção praticada por mim. Quer dizer, falta com respeito à classe política, a mim, eu sou um exemplo disso. Mas eu falo também do desrespeito aos segmentos da sociedade. Os moradores da 1306 SUL se uniram e construíram, com muita dificuldade, a sua igreja. Depois, sem nenhum aviso, a prefeitura chega e derruba a construção da igreja católica da quadra. Depois vieram com uma desculpa que a área era do município e que seria utilizada para a implantação de equipamentos públicos. Quando se deram conta (a gestão municipal) que a área era do Estado, a igreja já estava no chão. Outro exemplo de falta de respeito do prefeito Amastha é a relação do gestor com os comerciantes da Avenida JK, dos quais muitos deles foram pioneiros de Palmas. Sem nenhuma conversa prévia, sem diálogo com esses comerciantes, a prefeitura implantou um estacionamento rotativo a seu modo, prejudicando a movimentação do comércio daquela via pública, a principal artéria comercial e financeira da cidade. Agora, mais recentemente, o episódio das vans. A prefeitura tomou atitudes sem conversar com os permissionários, com os que ainda não estavam regularizados. Ele (o prefeito) não respeita a nossa cultura, o jeito de viver dos moradores e contribuintes de Palmas. As vans sempre prestaram esse serviço extra de levar e buscar as pessoas em casa. Isso tem gerado uma mudança radical no cenário político. Tenho acompanhado pesquisas que mostram que o quadro fica cada dia mais favorável à oposição. Tenho visto uma curva muito grande de queda do nível de satisfação do povo para com o prefeito Amastha. O cenário é muito bom para mim. Não tenho nenhum receio em ir para a disputa da prefeitura.

Amastha conseguiu formar um grande leque de partidos de apoio à sua gestão. Essa composição é apenas no campo institucional e não terá sustentação política para as eleições do ano que vem?
Essas alianças em torno da gestão do prefeito, sem querer denegrir – não quero beber dessa água da política de falta de respeito – são muito frágeis. Não vejo composição político-ideológica, ao longo do tempo, com a construção de um grupo político. Vejo um grupo de partido que está ali e não sei até quando estarão juntos. Duvido que essa composição partidária do prefeito tenha vida longa ou que perdure até o próximo ano.

O sr. tem conversado com o governador Marcelo Miranda sobre o seu projeto de disputar a Prefeitura?
Com tudo que aconteceu (o seu impedimento de sair candidato a vice-governador de Marcelo Miranda, em 2014), eu conversei com a Cláudia (Lelis, sua mulher). Lembrei que ela esteve a vida toda ao meu lado, conhece tudo na vida política, é extremamente articulada, inteligente, uma boa executiva. Ela (Cláudia) ficou um pouco receosa, num primeiro momento (referindo-se à candidatura dela a vice de Miranda). Desde que Marcelo e Cláudia assumiram o governo, eu devo ter ido ao Palácio Araguaia falar com o governador umas duas vezes, e umas três vezes à vice-governadoria. Estou focado no momento no fortalecimento do PV.

A coligação partidária que elegeu Marcelo Miranda pode ser ampliada para as eleições municipais do próximo ano e, com isso, fortalecer a sua postulação à Prefeitura da Capital?
O momento não é para ser feita especulações nesse sentido. Mas eu acho que no momento certo, o governador e o seu grupo político, o nosso grupo político vai poder responder isso, com tranquilidade. Lá para maio do ano que vem as coisas começam a ficar mais claras. Eu vou trabalhar para buscar os apoios. A minha relação com o governador, como presidente do PV e como cidadão, é muito boa.

Esse momento de crise que o governo estadual está vivendo pode oferecer algum desgaste político-eleitorais ao governador Marcelo Miranda e o seu grupo nas eleições de 2016?
Eu espero que tudo isso que o governo está enfrentando seja superado daqui pra lá. Inclusive a Cláudia (Lelis) está lá junto com ele, se dedicando 24 horas por dia, para tentar encontrar caminhos. E eu acredito que esses caminhos serão encontrados. Daqui até 2016 muita coisa vai acontecer e, portanto, é muito cedo para se fazer qualquer tipo de previsão.

O sr. já conversou com o ex-prefeito Raul Filho (PR), para avaliar esse novo cenário, levando em conta que ele é também pré-candidato à Prefeitura de Palmas?
Conversamos no início do ano, não só com o Raul, mas com um grupo de lideranças interessadas em discutir Palmas. Mas o PV está trabalhando para apresentar um projeto para discutir a cidade e disputar as eleições. Raul Filho também está fazendo a mesma coisa, ou seja, se preparando para a disputa. Enxergo, no momento, essas três candidatura (Lelis, Raul e Amastha), possivelmente, talvez até outros se apresentem para a disputa, tem o Aragão, que tem uma força política em Palmas, saiu-se muito bem das eleições do ano passado, quando disputou a vaga de senador e foi o mais votado na capital. Tenho conversado muito com o deputado estadual Wanderlei Barbosa, do SD (e um dos adversários mais aguerridos do prefeito Amastha). Wanderlei entendeu que foi um erro em 2012, quando foi uma das principais forças políticas da campanha do Amastha.

Ele (Wanderlei) hoje está consciente da falta de consistência da gestão municipal, da falta de respeito do prefeito e de suas atitudes impositivas. Uma gestão não pode se ancorar apenas no embelezamento e paisagismo da cidade, faltam investimentos consistentes em saúde e educação, por exemplo. Não vemos obras de grande envergadura do prefeito Amastha.  Politicamente, eu acho que  Amastha tem que se preparar para uma campanha totalmente diferente da de 2012, quando ele, desconhecido que apresentou uma proposta num momento eleitoral dizendo que era a nova política, colocando todos os outros políticos no mesmo saco, disse: “eles pra lá e eu pra cá, não sou político, não tenho nada a ver com eles e vou apresentar um projeto novo para a cidade”. E o que vimos foi a união dele aos grupos que ele (Amastha) mais criticava, denegria. Então, ele se contradisse totalmente. (Gilson Cavalcante/ Jornal Opção)