Educação

Foto: Adilvan Nogueira Professores debatem alternativas para levar aos quilombolas educação de qualidade Professores debatem alternativas para levar aos quilombolas educação de qualidade
  • O professor José Luiz ressaltou a importância da capoeira como expressão popular

Discutir a formação de professores, o currículo e a estrutura das escolas quilombolas, foram os destaques da mesa-redonda Educação Quilombola, realizada na tarde dessa quarta-feira, 23, no Café Literário do 9º Salão do Livro. Durante o debate, os educadores relataram experiências de vida e discutiram propostas para o fortalecimento da educação nas comunidades de remanescentes de quilombos do Tocantins.

Participaram das discussões: a professora Celenita Gualberto Bernieri, coordenadora estadual das Comunidades Quilombolas do Sudeste; o professor Paulo Rogério Gonçalves, da Assessoria do Movimento Quilombola do Tocantins; o professor José Luiz Siqueira, da Universidade Federal de Goiás; o professor George França dos Santos, da Universidade Federal do Tocantins; o professor Erialdo Augusto, da Gerência de Educação do Campo, da Secretaria de Estado da Educação (Seduc) e a professora Lídia Soraia Liberato, esta, como mediadora.

Celenita contou sua trajetória de estudante. Aos 11 anos ela deixou o lar, na Comunidade Quilombola Lajeado, em Dianópolis, para estudar na cidade de Almas. “Faço parte da 7ª geração da Comunidade Quilombola, hoje tenho orgulho do que sou”. A educadora, que tem especialização em Gestão Escolar, frisou que, a partir das experiências vividas fora da comunidade, foi possível enxergar melhor a realidade dos quilombolas. “Hoje conheço a realidade das comunidades quilombolas, sei que elas precisam de mais oportunidades”, disse.

O professor George explicou que o Tocantins é um estado formado predominantemente por comunidades negras. “Por isso temos que pensar em uma formação para professores e definir o tipo de escola que queremos”, explicou. Falando um pouco de sua vida, ele disse que aos 11 anos, é que se descobriu ser negro e que, atualmente, o professor negro e a liderança negra ainda sofrem muito preconceito.

Paulo Rogério destacou características de algumas comunidades quilombolas. “No Tocantins, 72% da população é formada por negros, são 220 mil negros e negras, é um grupo social extremamente importante”, ressaltou Paulo.

Ele não considerou produtivo o deslocamento dos jovens das Comunidades Quilombolas para estudar nas cidades. “Queremos uma educação do campo, no campo, temos que pensar nas Escolas da Família Agrícola com o modelo da Pedagogia da alternância”, frisou Paulo Rogério.

O professor Erialdo explicou algumas ações que a Gerência de Educação do Campo e Quilombola da Seduc está realizando. Durante sua fala, ele comentou sobre o currículo e a organização do Seminário Quilombola, previsto para ser realizado este ano. “Como no Tocantins não existe escola com educação quilombola, temos que pensar no assunto juntamente com as representações das comunidades. Outro ponto importante é ter um diagnóstico dessas comunidades envolvendo a cultura, a educação e o patrimônio”, esclareceu.

A diversidade

O professor José Luiz, antes de participar da mesa-redonda, conversou sobre a educação para a diversidade, falou um pouco de sua cidade natal, Cristalândia, da história social que envolve as guerrilhas, o poder dominante que persuade as minorias. Ao finalizar a explanação, ele indicou algumas questões para que a sociedade reflita: quem educa quem? E educação para quê? Ele também falou da importância da capoeira como expressão das comunidades quilombolas.