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Foto: Lúcia Brito Ruraltins vai ampliar ações de crédito rural nas aldeias tocantinenses Ruraltins vai ampliar ações de crédito rural nas aldeias tocantinenses

A Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), em terras indígenas, desafios e potencialidades dominou as discussões nessa sexta-feira, 30, na programação da 2ª Feira Nacional da Agricultura Tradicional Indígena (Fenati), realizada paralela aos Jogos Mundiais dos Povos Indígenas, em Palmas.

A temática foi abordada na Roda de Conversa realizada no auditório da Fenati e contou com a participação de técnicos do Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins), do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA), da Secretaria Estadual de Planejamento e Orçamento, do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), da Fundação Nacional do Índio (Funai), de etnias indígenas do Tocantins e de outros estados.

Abrindo o diálogo o coordenador geral de Promoção ao Etnodesenvolvimento da Funai, Wagner Pereira Sena, mostrou o mapa de atendimento das Chamadas Públicas de Ater, frisando que atualmente 17.500 famílias são beneficiadas pelas mais variadas ações de assistência técnica, em todo país, com recursos aplicados em torno de R$ 100 milhões. Mesmo assim, reconheceu que esse número ainda é insuficiente, pois a cada conversa com os parceiros e as comunidades indígenas se percebe o quanto é preciso avançar. “Por isso, esse debate voltado para Ater indígena é de fundamental importância, porque é por meio dela que se garante o uso fruto da terra, o etnodesenvolvimento e a ocupação efetiva dos territórios”, pontuou.

O diretor de assistência técnica e extensão rural, do Ruraltins, Jozafá Maciel, destacou  algumas ações de assistência técnica que vem sendo desenvolvidos junto as comunidades indígenas tocantinense, por meio dos extensionistas do Ruraltins, a exemplo do projeto de crédito rural, elaborado para a comunidade Karajá, na Ilha do Bananal, que possibilitou a aquisição de aproximadamente 600 cabeças de gado, melhorando significadamente a vida de 25 famílias indígenas das aldeias. “Estamos trabalhando para ampliar essa e outras ações para as demais comunidades indígenas no Estado. Queremos trazer o indígena para dentro do Ruraltins, e enxergar nele também um produtor rural, respeitando seus interesses, costumes e tradições”, avaliou o diretor.

Políticas públicas

O diretor estadual de Planejamento, Raul Rodrigues, frisou que o Tocantins passa por um processo de reorganização de seu planejamento e que a consequência disso é a união de forças para atender as necessidades dos povos indígenas e das comunidades tradicionais. “As demandas que saírem daqui, seja no âmbito de capacitação dos técnicos, das comunidades indígenas ou projetos que possam ser financiados, serão encaminhadas ao governo para que se tornem futuramente políticas públicas efetivas com ação orçamentária. Vamos lutar para que isso seja prioridade, principalmente questões de interesse das comunidades indígenas”, pontuou.

O professor Júlio Cesar Araújo, do Instituto Federal do Tocantins (IFTO) argumentou que a metodologia para a ação de Ater em áreas indígenas deve ter um caráter educativo, com ênfase na pedagogia da prática, promovendo a geração, a revitalização, a circulação e a apropriação coletiva de conhecimentos. “Deve ser entendida como um trabalho específico e diferente do que o realizado, por exemplo, com famílias rurais não indígenas, pelo seu caráter étnico, linguístico, cultural e, principalmente, pela forma com a qual cada grupo indígena concebe sua noção de sustentabilidade e produção”, explicou.

Num depoimento emocionado, Lenimar Werreria, da etnia Karajá, defendeu a necessidade de uma assistência técnica mais efetiva nas aldeias e que os profissionais da extensão rural tenham mais recursos para desenvolverem seus trabalhos. “Nós queremos continuar morando em nossas aldeias, pois cada povo e cada etnia tem um diálogo com a natureza. Isso é muito forte para nós. É muito forte a terra, a água. E nós somos o povo da terra", considerou.

Durante o debate foram apresentadas ainda experiências exitosas de assistência técnica e extensão rural aplicadas na Reserva dos Guaritas, no Rio Grande do Sul. Ao final do encontro os participantes puderam fazer questionamentos com os componentes da mesa. Como proposta foi formado um grupo de trabalho para elaborar o plano estadual interinstitucional de políticas públicas para as comunidades indígenas.

Na roda de conversa sobre a Ater Indígena, participaram ainda profissionais do Ruraltins de Palmas, Porto Nacional, Caseara, Paraiso e de Tocantínia.   

A 2ª Feira Nacional da Agricultura Tradicional Indígena (Fenati) termina neste sábado dia 31.