Polí­cia

Foto: Divulgação Cleyton Alen (E) foi denunciado por sequestro, tortura e homicídio Cleyton Alen (E) foi denunciado por sequestro, tortura e homicídio

O presidente da Fundação Municipal de Esportes de Palmas – Fundesportes, Tenente Cleyton Alen é acusado pelos crimes sequestro, tortura e homicídio de Márcio Pereira Gomes. Duas mulheres também teriam sido sequestradas e espancadas na oportunidade. A denúncia foi feita pelo Ministério Público Estadual e os policiais Aleuciano de Lima Alves e Adalberto Lopes Alencar também são réus na ação. O processo começou a tramitar em outubro do ano passado.

Conforme a denúncia, no dia 16 de outubro de 2010, por volta das 4h da madrugada, os acusados ora denunciados, “conscientes, voluntariamente e em unidade de desígnios”, sequestraram e espancaram Márcio Pereira Gomes, assumindo e aceitando, com essas condutas, o risco de matá-lo, conforme de fato aconteceu e descreve o Laudo Necroscópico juntado no Evento 1, LAU 38 dos autos de inquérito policial no 0028482-67.2015.8272729.

Ainda segundo a denúncia do MPE, assinada pelo promotor de justiça Lucidio Bandeira Dourado, da 2ª Promotoria de Justiça da Capital, os policiais teriam também sequestrado e espancado Keniane Brito Guedes e Maria Lúcia da Silva Borges, ambas usuárias de drogas e conhecidas de Marcio Pereira Gomes.

O MPE alega que as vítimas foram abordadas pelos denunciados, os quais à paisana se passavam por usuários de drogas e indagavam a elas onde poderiam adquirir entorpecentes.

Marcio Pereira Gomes, suposto traficante na região dos Aurenys, teria saído com os denunciados em busca de drogas, juntamente com as duas mulheres. As vítimas teriam entrado em um veículo Corsa Classic, branco, 4 portas, descaracterizado, utilizado pela Polícia Militar nos serviços de inteligência, segundo a denúncia.

No entanto, Gomes, com a intenção de furtar uma maleta que tinha dentro do veículo utilizado pelos denunciados, teria pedido para que parassem em frente à padaria Kuster, no Jardim Aureny I. Na maleta havia uma arma de choque taser, de uso da Polícia Militar e dois cartuchos.

Antes de perceberem o furto, os policiais militares, ora denunciados, deixaram Marcio em local não descrito nos autos, bem como as duas mulheres. No entanto, ao se darem conta da falta da arma, saíram à procura das vítimas. Segundo a 2ª Promotoria de Justiça da Capital, já encapuzados, os acusados pegaram as duas mulheres e mantendo-as sob ameaça de armas de fogo exigiam que dissessem o paradeiro de Márcio e da maleta.

Ainda conforme a denúncia, os três militares, ora denunciados, ao encontrarem Márcio, forçaram-no a entrar no porta-malas do Corsa Sedan e o levaram para um local ermo, juntamente com as duas mulheres. Os acusados teriam então iniciado uma sessão de tortura por espancamento e aplicação de choques com a taser, alegando, dentre outras coisas, que aquilo era para vítima aprender a não furtar de policiais e para que dissesse onde estava o outro cartucho da arma.  

Ao final da sessão de tortura por espancamento as três vítimas foram jogadas no porta-malas do veículo, ocasião em que Márcio já não se expressava normalmente e apenas pedia água, segundo o MPE.  Ao chegarem a um lote baldio, nos fundos do Sindicato dos Delegados de Polícia de Palmas, já na região central de Palmas, as três vítimas foram retiradas do porta-malas. Marcio veio a óbito na manhã do mesmo dia, após o episódio.

“As condutas dos denunciados de sequestrarem e espancarem um ser humano, causando, com isso, sua morte, tudo em razão de um furto de uma arma taser, é um comportamento vil e ignóbil, repugnante aos olhos da sociedade, por isso, tais condutas são consideradas torpes”, alega o MPE na acusação ao pedir a condenação dos acusados pelos crimes de homicídio e sequestro de Márcio Pereira Gomes.

O juiz Gil de Correia recebeu a denúncia no dia 15 de dezembro e deu prazo de 10 dias para os acusados se manifestarem. Um ofício de citação foi encaminhado ao Comando da Polícia Militar solicitando a defesa de Cleyton Alen.

Cleyton Alen

O presidente da Fundesportes informou por meio de nota que fatos relatados, segundo ele, "supostamente" relacionados a ele, aconteceram no ano de 2010, quando o mesmo foi depor como testemunha em um inquérito policial, em virtude de exercer na época uma função de comando na seção de inteligência do batalhão em que tinha como área de atuação a mesma de onde ocorreram os fatos imputados, porém somente em 2015 descobriu que estava como indiciado.

Segundo Alen, há que se ressaltar que o inquérito policial é inquisitivo, "não oportunando às pessoas ouvidas nele apresentar qualquer tipo de defesa, não sendo cabível exercer de forma plena os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa", informou.

Cleyton Alen afirma que, somente agora, após 5 anos, será oportunizado apresentar em juízo provas e contra argumentar o que foi equivocadamente lhe imputado; "no caso em tela ocorreu um erro na formulação do relatório final do inquérito, pois quando se refere ao Ten Alen o documento está incoerente com as declarações e documentos presente nos autos", diz.

Segundo o presidente da Fundesportes, não há nada que o ligue aos fatos "e que somente foi citado no relatório final feito pelo delegado, o qual cita um suposto terceiro depoimento de uma testemunha que teria lhe reconhecido. Para ele é de causar espanto o fato de não constar nos autos do inquérito o referido depoimento".

Alen afirma ainda acreditar que houve um equívoco no inquérito que será esclarecido assim que ele for notificado e apresentar a defesa, visto que até o momento, segundo ele, só foi ouvido como testemunha juntamente com outros 15 militares em 2010.

O presidente da Fundesportes acredita ainda que não haja materialidade e indícios suficientes de sua autoria, esperando que sejam respeitados os princípios constitucionais do devido processo legal e principalmente o da presunção de inocência. (Atualizada às 14h35)