Estado

Foto: Divulgação

A definição de uma comissão composta pelos quatro governadores do Matopiba (Tocantins, Maranhão, Piauí e Bahia), para juntamente com a ministra da Agricultura, senadora Kátia Abreu, encontrar-se com a presidente Dilma Rousseff e proporem uma parceria de investimentos, foi uma das proposituras anunciadas nesta segunda, na Capital, durante o Diálogo Brasil-Japão: Intercâmbio Econômico e Comercial em Agricultura e Alimentos no Matopiba. Pela proposta, os Estados teriam aval do governo federal para alavancarem financiamentos com a finalidade de somarem-se aos R$ 2,5 bilhões previstos pela União para aplicar no Matopiba.

A proposta foi feita pelo governador do Piauí, Wellington Dias (PT) e recebeu o aval da ministra da Agricultura, senadora Kátia Abreu, e dos demais governadores. O encontro teve a participação dos governadores Marcelo Miranda (Tocantins), Wellington Dias (Piauí), Flavio Dino (Maranhão) e João Leão, vice-governador da Bahia. E ainda do vice-ministro de Assuntos Internacionais do Ministério da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão, Hiromich Matshushima e  do embaixador japonês no Brasil, Kunio Umeda.

O diálogo Brasil-Japão acontece durante toda esta segunda-feira, 29, em Palmas, com a participação, além dos governadores e ministra, do embaixador do Japão, do vice-ministro da Agricultura, Pecuária e Floresta japonês e de diretores das maiores empresas japonesas que operam no Brasil no ramo da indústria da alimentação e de máquinas e equipamentos. A primeira parte do intercâmbio foi realizada no auditório Cuica, da Universidade Federal do Tocantins. Pela manhã, apresentação da Ministra, dos governadores dos Estados e dos empresários japoneses.  No período da tarde, acontecem as reuniões temáticas.

Durante a manhã, o governo do Brasil e o governo do Japão assinaram um Memorando de Cooperação no campo da agricultura e alimentação, formalizado entre a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, e o embaixador japonês no Brasil, Kunio Umeda. O termo prevê ações conjuntas de infraestrutura logística no Matopiba, englobando hidrovias, ferrovias, rodovias, portos e armazéns. Uma parceria bilateral público-privada com objetivos econômicos e sociais. Além disso, governadores, Ministra da Agricultura e autoridades japonesas assinaram a Carta de Palmas.

Ainda pela manhã, foram criadas a Frente Estadual do Parlamento no Matopiba e a Frente Municipalista do Matopiba, com prefeitos de toda a região.Durante o encontro, a ministra Kátia Abreu apresentou os projetos sugeridos pelos governos estaduais a serem desenvolvidos em conjunto com o governo e empresários japoneses. Dentre eles, a Ferrovia Transnordestina (Balsas-Estreito/193 km),  a rodovia MA-06 (Alto Parnaíba-Tasso Fragoso/90 km), rodovia MA-06 (Tasso Fragoso-Balsas/143 km) e a MA-06 (BR-230-BR-220/415 km). Para o Tocantins, estão previstas recuperação e pavimentação das rodovias TO-01, TO-020, TO-030, TO-040, TO-070, TO – 080, TO-130, TO-164, TO-210, TO-239, TO- 255, TO- 296, TO- 374, TO-387, TO- 415, TO- 460, TO- 476 e TO-500, totalizando 2.086 km.

A segunda parte do Diálogo Brasil-Japão prevê na terça, 1º, visitas ao Projeto São João e Indústria Granol (Porto Nacional), ao projeto do Porto da Hidrovia do Tocantins e ao Terminal de Cargas da Ferrovia Norte-Sul onde haverá uma apresentação da VLI.

Economia em desenvolvimento

A ministra Kátia Abreu disse acreditar que o fluxo comercial de produtos do agronegócio entre os dois países, que cresceu mais de 70% na última década, pode ampliar-se ainda mais. O Japão, conforma a Ministra,  é o 4º maior importador de produtos agrícolas do mundo, tendo o Brasil como principal fornecedor de alguns deles, como carne de frango in natura, café verde, etanol e suco de laranja. Em 2015, a participação do Brasil nas importações agrícolas do mercado japonês foi de 4,6%, mas nós desejamos que, em breve, esse número chegue a 10%. Para Kátia Abreu, dentre os 10 maiores produtores agrícolas do mundo, registramos no Brasil o maior ganho de produtividade, tendo crescido a uma taxa média anual de 3,36% na última década, o dobro da taxa média mundial.

Segundo ela, toda essa produção de alimentos, fibras e bioenergia foi conseguida mantendo preservados 61% dos biomas do território nacional. “A cada dia, produzimos mais no mesmo espaço de terras. Não fossem os ganhos de produtividade das últimas quatro décadas, seria necessário o triplo da área atual para se produzir a safra de 209 milhões de toneladas de grãos prevista para 2016”, sublinhou a ministra.

“De nossa parte, convidamos os capitais japoneses a somarem-se aos mais de 75 bilhões de dólares de investimento produtivo que o Brasil recebeu do exterior em 2015”, falou a Kátia Abreu informando que são 35 milhões de hectares de terra de alta produtividade e com relevo próprio para agricultura.” Serão mais de 700 mil quilômetros quadrados voltados ao desenvolvimento da agricultura. A união da região do Matopiba com o Japão, nosso espírito empreendedor e nossa determinação política revolucionarão a agricultura mundial”, sinalizou a ministra.

Ela citou ainda as parcerias já empreendidas pelos japoneses na região. Em dez anos, entre 1993 e 2003, foram mais de R$ 1 bilhão em investimentos japoneses. Foram R$ 42,5 milhões (Prodecer), R$ 190 milhões (1.800 km de Malha Rodoviária), R$ 126 milhões (Patrulhas Mecanizadasx), R$ 272 milhões (Programa de Eletrificação Rural). “Dívidas honradas por todos os governadores, quitadas na sua totalidade”, disse a Ministra. “Dependerá dos nossos esforços, em dias como o de hoje, os papéis que Brasil e Japão ocuparão na geografia agrícola global daqui a quatro décadas”, destacou.

Dados sobre o Matopiba 

Matopiba- A região do Matopiba compreende 73 milhões de hectares, distribuídos em 31 microrregiões, 337 municípios e abrange uma população de 5,9 milhões de habitantes. É considerada atualmente a nova fronteira agrícola formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e da Bahia. O novo programa tem por objetivo aumentar a produtividade dos pequenos agricultores. Dados do Ministério da Agricultura mostram que, diferentemente das cidades, que contam com 50% da população na classe média, o campo tem apenas 16% de produtores nesta faixa de renda. A região produz, atualmente, cerca de 10% da produção de grãos no Brasil. É estratégico para a ascensão social dos pequenos produtores locais e para o incremento da produção e da exportação agropecuária do país.

O Maranhão ocupa 32,77% de todo o território do Matopiba, com 23,9 milhões de hectares em 135 municípios. O Tocantins tem 37,95% da área, 27,7 milhões de hectares e 139 municípios. Já o Piauí representa 11,21%, tem 8,2 milhões de hectares e 33 municípios e a Bahia ocupa 18,06% da área, com 13,2 milhões de hectares e 30 municípios. A proposta de delimitação foi feita pelo Grupo de Inteligência Territorial Estratégica (GITE), da Embrapa.

O clima favorável, o perfil dos produtores e a legalidade de novas áreas a serem abertas trazem boas perspectivas para a região. No caso da soja, por exemplo, os quatro estados aumentaram significativamente sua produção na safra de 2014/2015 em relação à 2013/2014. Conforme dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a Bahia teve crescimento de 20,3% (produção total de 3,979 milhões de toneladas), o Piauí, 18,6% (1,766 milhões de toneladas), o Maranhão, 16,4% (2,123 milhões de toneladas) e o Tocantins, 13,5% (2,335 milhões de toneladas).

Entre 1973 e 2011, a produção de soja passou de 670 mil toneladas para mais de 7 milhões. E a de grãos saltou de 2,5 milhões de toneladas para mais de 12,5 milhões no mesmo período. O total produzido de soja deverá saltar de 18.623 milhões de toneladas da safra 2013/2014 para 22.607 milhões de toneladas em 2023/2024, aumento de 21%.

Ainda assim, do total de 250.238 estabelecimentos rurais, 85% têm mais que 100 hectares e exploram principalmente lavouras temporárias e permanentes, hortícolas, bovinos, leite, porcos, aves e ovos.

Os dados coletados pela Embrapa mostram concentração de renda e pobreza na região. Do total de estabelecimentos, 80% são muito pobres (renda mensal de 0 a 2 salários mínimos) e geraram apenas 5,22% de toda a renda bruta do Matopiba. 14% são pobres e geraram 8,35 % da riqueza na região. 5,79% são classe média e responsáveis por 26,74% da renda. Somente 0,42% das propriedades são ricas (renda mensal de 200 salários mínimos) e geraram 59% da renda bruta da região.