Economia

Foto: Divulgação

A cada Páscoa que chega é notável o aumento do preço dos ovos de chocolate. Os “motivos” dos fabricantes são diversos: desde a forma utilizada para a fabricação até o cuidado com o transporte dos produtos. Isso pode explicar em parte o valor praticado, mas, no final das contas, o consumidor é que tem que se fazer a pergunta: vale a pena?

Um comparativo que é simples de se fazer é checar quando custa uma barra de chocolate e um ovo, ambos da mesma marca, avaliando bem a quantidade de produto que vem em cada um. A diferença, dependendo do caso, pode chegar a mais de 400%, o que é uma quantia significativa até mesmo na compra de apenas uma unidade, quanto mais na compra de vários.

Para o presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), Reinaldo Domingos, o que conta é o desejo versus a capacidade financeira. “É hora de pararmos de agir por impulso, de sermos levados pela ‘magia da Páscoa’ que o comércio nos transmite. Se eu quero uma marca específica, porque tem algum diferencial, e eu tenho dinheiro para isso, ótimo. Caso contrário, esse é o momento de começarmos a ser mais conscientes e buscarmos alternativas mais econômicas”.

Domingos reforça a ideia de que é preciso combater os abusos e excessos praticados no mercado e ficar muito atento para uma data comemorativa não ser a causadora de um desequilíbrio financeiro familiar. “A proposta não é acabar com a tradicional troca de chocolates na Páscoa, mas sim e refletir sobre a situação como um todo. Imagina ficar meses pagando por um produto que é perecível e só representa um único dia? Não podemos causar um dano desse às nossas finanças, sem ter consciência dos atos e das consequências”.

Muitas vezes, podemos fazer algo diferente para fugir dos altíssimos preços cobrados, seja comprar a opção caseira de ovos de chocolate – que são de ótima qualidade e não tem o status das marcas para encarecer – ou quem sabe propor algo diferente para se comemorar o momento, como um passeio. “Mas uma ótima opção para quem não quer deixar de presentear com chocolates é fazer algo coletivo. Por exemplo, se em uma casa tem cinco pessoas, em vez de cada uma comprar um ovo para dar à outra, podem combinar de fazer uma cesta com diversos produtos feitos de chocolate para todos. Com certeza sairá bem mais em conta”, explica o educador financeiro.

Domingos, que também é autor do livro “Mesada não é só dinheiro” (Editora DSOP), ressalta que, em caso de uma situação financeira muito complicada, com endividamento, as crianças devem ser prioridade. “A data é legal para todos, mas em especial para os pequenos, que ficam esperando não somente o ovo, como também o brinquedo que costuma vir. Eles devem ser instruídos para não se tornarem consumistas, mas é importante que recebam algo nessa data, assim como as outras crianças, e aos poucos sejam educados nesse sentido”.

Chocolate em demasia não faz bem para a saúde financeira nem para a física. Combater o consumo exacerbado faz bem em qualquer sentido e é dever de todos nós. É válido lembrar que o sentido da Páscoa é algo bem mais complexo e espiritual.