Polí­tica

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Após meses afastado para tratamento de saúde, o deputado estadual Paulo Mourão (PT) usou a tribuna da Assembleia Legislativa do Tocantins na sessão desta quarta-feira, 27, para avaliar o atual cenário político do Brasil. Segundo o parlamentar, o País não tem segurança jurídica e a falta de habilidade da presidente Dilma Rousseff (PT) na relação com o Congresso Nacional, resultou no agravamento do processo de impeachment. "Dilma não teve habilidade de fazer esta relação congressual. Deixou esta situação na gravidade que hoje nos encontramos no Brasil", afirmou. 

O deputado comentou sobre o processo do impeachment e disse que, desde 1930, há um fato interessante na história da política nacional "que todos os golpes que foram praticados pelos donos do poder ou pelos que se sentem os donos do poder se dão o nome de revolução", disse. 

O deputado lembrou do histórico político do País até chegar a atual presidente Dilma. “Em 1946 se elegeu Eurico Gaspar Dutra que teve seu mandato concluso até 51. Depois veio o Getúlio Vargas que se suicidou justamente em função de um processo organizado pela mídia, parte da mídia brasileira e os poderosos donos do poder naquela época que levaram o Getúlio Vargas ao processo do suicídio. Depois a eleição de Juscelino Kubitschek que concluiu o mandato. Jânio Quadros renúncia, Jango é deposto e outra revolução aconteceu aí da Ditadura Militar e nós tivemos depois na fase da redemocratização do País, eleições indiretas para eleição do Tancredo que veio a falecer. Color foi cassado por um processo de impeachment, justamente completando 24 anos desse processo de impeachment e depois concluíram o mandato o Fernando Henrique, o Lula e a presidente Dilma agora está sendo novamente impedida”, lembrou.

Paulo Mourão disse que o processo de impeachment é constitucional, mas que, para ser legal, precisa ter um crime de responsabilidade da parte autora. “O impeachment é sim constitucional, sem sombra de dúvidas, mas ele para ser legalizado, ser considerado legal, um presidente precisa cometer um ato de improbidade administrativa para que seja aí justificado através do código penal a cassação deste presidente ou desta presidente”, afirmou.

De acordo com Paulo Mourão, o mais lamentável de tudo é a falta de segurança jurídica. “Mas o mais lamentável de tudo é nos vermos um país da capacidade produtiva que é o Brasil, das riquezas minerais, riquezas ambientais, de um povo determinado ao trabalho, não ter ainda uma democracia estruturada em bases jurídicos constitucionais e tudo isso depõe contra o Brasil lá fora. O País não tem segurança jurídica”, disse. 

Governo Temer

Mourão disse que conhece bem o vice-presidente Michel Temer. "Um homem de fino trato, uma relação que tivemos com ele extremamente transparente e produtiva quando presidente da Câmara dos Deputados que o foi", disse o deputado Paulo Mourão. No entanto, para o deputado, a situação de divisão que se encontra o País e a falta "da clara evidência de um ato improbo cometido pela presidente Dilma, eu entendo que não há possibilidade ter um governo unificador, pacificador para que possa prosseguir, concluir esses dois anos e sete meses que precisam ser concluídos deste mandato conquistado nas urnas por voto direto pela presidente Dilma", frisou. 

O deputado ainda disse considerar estranho o planejamento de um possível governo substituto. "E acho muito estranho a situação que já está sendo montado o possível próximo governo porque o próprio PSDB, que é o partido que tem uma ação para cassar o mandato da Dilma e do vice-presidente Temer é o partido que vai compor os ministérios", frisou. 

Segundo Paulo Mourão, o ministério dos Transportes será dado ao Valdemar Cosa Neto (PR), o Ministério da Saúde será dado ao Paulo Maluf (PP), ambos envolvidos em denúncias de corrupção no passado próximo. "Eu pergunto; vai mudar o quê? a forma de composição das forças políticas vai mudar o quê no Congresso Nacional? a verdade que também precisa ser reconhecida é que este modelo político partidário do presidencialismo de coalizão chegou ao fim. Faliu! não há como mais, porque os partidos dão apoio para a governabilidade através de apoio recíproco, na história do é dando que se recebe. Está claro para a sociedade", disse. 

Eleições Gerais 

O petista defendeu eleições gerais no País ainda este ano. "Eu entendo que neste momento tanto a presidente Dilma como o vice-presidente Michel Temer precisavam fazer um ato e gesto de grandeza à sociedade. A sociedade está extremamente aborrecida com a classe política. Ninguém mais consegue acreditar na política. Eu entendo que tanto a presidente Dilma quanto o vice-presidente Michel Temer precisavam de um gesto de grandeza de um entendimento unificado nacional de convocarmos eleições gerais, que estas eleições pudessem agora coincidir com as eleições municipais", afirmou. 

O deputado ainda afirmou que é preciso discutir um outro modelo político para o País, "ou um parlamentarismo ou outro modelo que possa reformular o sentimento do povo brasileiro", concluiu.