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Foto: Elizeu Oliveira

Já com uma longa convivência com os não indígenas, os povos Karajá da Ilha do Bananal dizem enfrentar o desafio de conciliar seus costumes com os benefícios e consequências da modernidade. Para auxiliá-los nesse processo, o governador Marcelo Miranda recebeu na manhã desta quinta-feira, 7, representantes de algumas das aldeias da região. Entre as demandas apresentadas, está a eletrificação nas aldeias do norte da Ilha.

O governador adiantou que já existe projeto nesse sentido junto à Energisa. “Vamos fazer um levantamento de todas as demandas que foram apresentadas, para definirmos os meios de atendê-las. Tratamos de uma agenda altamente positiva e entendemos a necessidade de estudarmos políticas públicas que possam avançar nas questões sociais. Estamos discutindo, inclusive, com a Energisa, um projeto para implantação da rede de energia na região, de modo a encontrar as soluções mais viáveis”, disse o governador.

De acordo com o cacique da aldeia Lariwana e presidente da Articulação dos Povos Indígenas do Tocantins (Arpit), Natanael Uhanama Karajá, a construção de uma estrada para ligar as aldeias ao município da Lagoa da Confusão é uma necessidade dos povos Karajá, que atualmente enfrentam a dificuldade de acesso à cidade. Segundo o secretário de Estado da Infraestrutura, Habitação e Serviços Públicos, Sérgio Leão, na próxima semana, será feita uma visita às aldeias “para identificarmos como o Estado poderá atender essa demanda por meio do Projeto de Desenvolvimento Regional Integrado e Sustentável [PDRIS]”, afirmou. 

Outra questão apresentada foi o alto índice no número de suicídios que tem ocorrido, principalmente, entre jovens de 16 a 18 anos. De 2012 até agosto de 2015, houve 188 tentativas de suicídio nas aldeias Karajá. Sendo a maior parte das vítimas do sexo masculino, jovens ou adultos recém-casados. Para essa demanda, a secretária de Estado da Cidadania e Justiça, Gleidy Braga, defendeu a integração das secretarias. “Recentemente, criamos dentro da Seciju uma gerência de Proteção de Povos Indígenas, por meio dela vamos estudar e definir estratégias integradas de atuação”, explicou. 

O cacique da aldeia Macaúba, Antecir Wajumani, de 26 anos, ressaltou a importância da intervenção governamental junto aos povos Karajá. “Precisamos de ajuda para o nosso povo, ajuda para os nossos jovens, o desenvolvimento de projetos é nossa esperança de futuro. Ficamos muito felizes com a notícia da energia; ela significa muito mais que ter água gelada, é mais uma possibilidade de avançarmos em áreas como educação indígena”, agradeceu, emocionado.

Karajá

Segundo dados da Funasa de 2010, no Tocantins, os Karajá são cerca de 1.800 habitantes. São comunidades seculares às margens do Rio Araguaia nos estados de Goiás, Tocantins e Mato Grosso. Eles têm uma longa convivência com a chamada sociedade envolvente, isto é, os não indígenas, mas mantêm costumes tradicionais do grupo como: a língua nativa, as bonecas de cerâmica (ritxòkò), as pescarias familiares, os rituais como a festa de aruanã e da Casa Grande (hetohoky), os enfeites plumários, a cestaria, artesanato em madeira e as pinturas corporais, com os característicos dois círculos na face.

É comum ver, na aldeia, garotos de cabelo “da moda do jovem homem branco” e com “roupas de marca”, com celulares de última geração. Mas, os antigos tentam ensinar as danças e rituais indígenas transmitidos pelos ancestrais. Eles fazem isso em macro-jê, o idioma local. O artesanato dos Karajá é outro diferencial e foi reconhecido até mesmo como patrimônio nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Presenças

A audiência contou com a presença da secretária de Estado da Educação, Juventude e Esportes, Wanessa Zavarese Sechim; do secretário da Casa Civil, Télio Leão; do coordenador Distrital de Saúde Indígena do Distrito Sanitário Especial Indígena - Araguaia, da Secretaria Especial de Saúde Indígena, Antônio Fernando Ferreira; das lideranças indígenas, José Uriswer Karajá, Renato  Zohima Karajá e Serkwahi Kelly Matto de Brito.