Saúde

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Para qualificar fontes de informação sobre acidentes de trânsito, a Secretaria de Estado da Saúde realiza curso de capacitação de agentes de trânsito e policiais militares em Gurupi, no Sul do Estado. 

Simone Gondim, administradora hospitalar da Gerência de Doenças e Agravos Não Transmissíveis (Dant), explica que o propósito da capacitação é esclarecer aos responsáveis pelo registro de Boletim de Ocorrência de acidentes de trânsito sobre a importância do preenchimento correto dos novos formulários usados neste tipo de ocorrência, conforme resolução 544/2015 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

Simone explica ainda que as falhas mais comuns são campos em branco onde deveriam constar informações mais detalhadas. “O problema é a falta de informação. No novo boletim, há campos que precisam de informações específicas, que deveriam constar se a vítima de acidente usava alguma item de proteção como cinto de segurança ou o capacete”, destaca. 

Ainda segundo a administradora, a falta de informações nos Boletins de Ocorrência de acidentes de trânsito podem dificultar, tanto a alimentação dos bancos de dados da Polícia Militar e do Sistema Integrado de Operações (Siop), como análises qualificadas de serviços de saúde que utilizam essa informação para elaborar e direcionar ações na prevenção de acidentes e de promoção à saúde da população. 

A capacitação se iniciou na última segunda-feira, 26, e segue até sexta-feira, 30. Ao todo participam 26 policiais militares e 14 agentes de trânsito estaduais e municipais. Todos serão multiplicadores do assunto em suas repartições. 

Prejuízos

Os acidentes de trânsito quando não matam, deixam sequelas para os envolvidos. A maioria dos pacientes que dão entrada no Hospital Geral de Palmas (HGP) são vítimas de acidente de trânsito. Só em 2015, de janeiro a agosto, foram 1.580 atendimentos a vítimas de acidente, destes cerca de mil foram acidentes envolvendo motocicletas. Só este ano, no mesmo período já são quase 2 mil atendimentos a essas vítimas, sendo 1.389 atendimentos a pacientes que tiveram envolvimento em acidentes com motocicleta. Em todo o ano de 2015, o HGP realizou quase 3 mil cirurgias ortopédicas e em 2016, de janeiro a agosto, foram mais de 2 mil cirurgias.

O médico ortopedista do HGP, Ronaldo Rêgo, lembra que os acidentes com motocicleta são os mais comuns e a imprudência, desrespeito a leis de trânsito, falta de atenção e alta velocidade estão entre os fatores comuns. “O custo para o sistema público de saúde é altíssimo. Hoje existe uma grande permanência de pacientes internados nas enfermarias, com necessidades de  realização de vários exames de média e alta complexidade que sobrecarregam o Sistema Único de Saúde, o Sistema Previdenciário e ficam com sequelas temporárias ou definitivas geradas pelos traumas”, reforçou.

A psicóloga do pronto socorro do HGP, Daniele Gomes Teixeira, reforça que além das sequelas físicas, é inevitável as psicológicas. “Os fatores emocionais que surgem após o acidente estão relacionados a diversas situações. Quando o paciente é a pessoa que provoca o acidente, a equipe trabalha na questão da culpa. Já quando a pessoa é a vítima que sofreu acidente por terceiros, ela fica buscando explicação para o acontecimento. Quando estas sequelas não são trabalhadas podem desencadear doenças como a depressão, síndrome do pânico e outros transtornos. Por isso temos cuidado tanto com paciente como com os familiares. Orientamos  as pessoas ligadas ao usuário,  principalmente nos casos em que há perda de algum membro do corpo e invalidez. Ajudamos a família a lidar com o sofrimento e mostramos como ter força para auxiliar o paciente e mostrar que a vida continua”, explicou.

João Paulo Sales Dias, de 18 anos, é de Itaporã, região norte do Estado,  e em um acidente fraturou o  pé esquerdo, sendo atendido na emergência no HGP. “Fui surpreendido com um carro quando pilotava a moto durante o percurso para o trabalho. Senti muita dor no meu pé até chegar aqui, onde foi realizada a cirurgia de emergência. É muito triste ver como é o trânsito nos dias de hoje e algumas pessoas pagam pela imprudência de outras”, afirmou.