Estado

Foto: Divulgação Jornalista informa que já sofreu outras ameaças Jornalista informa que já sofreu outras ameaças

O jornalista de Gurupi/TO, Wesley Silas Barbosa da Cruz, responsável pelo site Atitude Portal de Notícias, acusa o policial civil que também é presidente da Câmara de Gurupi, Wendel Antônio Gomides (PDT), de ameaças, por publicações de matérias e artigo de opinião citando os vereadores da cidade, em especial a atuação de Wendel, na Casa Legislativa do município. Wesley denunciou as ameaças sofridas nesta última quarta-feira, 30, em carta dirigida ao Ministério Público Estadual, secretário Estadual de Segurança Pública, César Simoni e à diretoria do Fórum de Gurupi, onde pediu proteção à sua integridade física e profissional. 

O jornalista também fez Boletim de Ocorrência, registrado ontem na 3ª Delegacia Regional de Polícia Civil de Gurupi, informando que publicou um artigo de opinião no site, de autoria do jornalista e escritor Emílio Lopes na manhã de ontem, 30, que critica a atuação do presidente da Câmara, o que teria motivado as ameaças do vereador que já tinham histórico anterior com outras motivações. Wesley Silas informa que, indignado com a publicação do artigo, por volta das 12 horas de ontem, o presidente da Câmara de Vereadores ligou no seu celular dizendo que o jornalista "estaria levando as coisas na brincadeira". 

Em seu site, Wesley divulgou o teor das afirmações do vereador na ligação. "Estou aqui embaixo para conversar com você pessoalmente porque eu falo as coisas contigo e tu leva as coisas na brincadeira, cara. Eu não vou aceitar você ficar denegrindo minha imagem e vou resolver como você e nós resolve (sic) como homem do jeito que você quiser. Não vou aceitar você ficar com essas palhaçadas sobre mim não, rapaz", disse o vereador, segundo Wesley. O jornalista informa que tentou explicar ao vereador que tratava de um texto de opinião de um leitor e não do jornal, mas o vereador teria continuado: "Opinião é da puta que te pariu rapaz (sic) e você me respeita vagabundo e eu não sou moleque da sua laia, me respeita. Eu queria que você estive aqui e eu tinha te achado aqui. Negócio de vereador para mim isso é merda. Eu tenho amigos, tenho família e amigos que devo explicação e não sou cachorro igual você fala não rapaz", mostra o audio. 

Wesley Silas ainda relata que não foi a primeira vez que sofreu ameaças vindas do vereador Wendel Gomides e pessoa a ele ligada. Segundo o jornalista, após a repercussão de matéria em que o Ministério Público denunciava a aprovação de uma lei para repasse de R$ 400 mil ao Gurupi Esporte Clube, em que a Justiça atendeu o pedido e bloqueou, na época, o repasse, um homem conhecido pela alcunha de Taboquinha, que anda com Wendel teria dito que juiz e jornalista tinham que morrer e ainda, teria mandado o jornalista calar a boca. "Estive em um jogo do Gurupi Esporte Clube no Estádio Resendão, em Gurupi, e lá o capanga de Wendel Gomides, conhecido como Taboquinha, olha para mim e disse que juiz e jornalistas tinham que morrer. Em seguida perguntei para ele se ele estava me ameaçando e também ao juiz de direito, e o Wendel pediu para o Taboquinha calar a boca. Dias após o encontrei e Wendel em uma Sessão da Câmara de Vereadores e el pediu para que desconsiderasse e não registrasse o ocorrido na Delegacia", informou Wesley à Polícia. 

Na sua carta ao Ministério Público e Secretaria Estadual da Segurança Pública, Wesley pede proteção: "Diante as declarações do vereador e policial civil Wendel Antonio Gomides, peço que a justiça e a Secretaria de Segurança Pública garantam minha integridade física e profissional, pois o mesmo já foi diretor do Presídio Agrícola Luz do Amanhã e da Casa de Prisão Provisória de Gurupi". 

Ao Conexão Tocantins, o jornalista disse que não irá se intimidar "Esses fatos que aconteceram não vão me intimidar, vou continuar trabalhando normal. Essa atitude dele faz é me dar mais força para trabalhar!", afirmou. 

Uma cópia do áudio da ligação do celular foi encaminhada, na íntegra, para a Secretaria de Segurança Pública e para Delegacia Regional da Polícia Civil de Gurupi. 

O Conexão Tocantins tentou contato por meio de telefone com o presidente da Câmara de Gurupi, no entanto, não obteve êxito nas tentativas.

MPE

O Ministério Público Estadual informou que o promotor Roberto Freitas Garcia recebeu a denúncia e informou que o jornalista fez procedimento correto em procurar delegacia para comunicar ameaça. O MPE ainda informou aguardar o desenrolar de inquérito que deverá ser instaurado na Polícia Civil, para investigação. 

Sindjor 

Por meio de nota, o Sindicato dos Jornalistas do Tocantins (Sindjor) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), solidarizam-se com o jornalista Wesley Silas do Portal de Notícias Atitude. "Lembramos que intimidar/ameaçar pessoas é crime e passível de pena. Destacamos que o espaço e o material questionado pelo vereador representa a opinião de um leitor e não do jornal, e este espaço é aberto para publicação, sem censuras". 

O Sindjor informa estar acompanhando o caso e ressalta que o jornalista é um trabalhador como qualquer outro e não deve ser ameaçado por realizar o trabalho de levar informação a comunidade. "O Tocantins tem um histórico de ataques, intimidações, xingamentos entre outras atitudes com estes profissionais, atitude que classificamos como condenável, nenhum trabalhador deve ser desrespeitado no exercício da profissão". 

Confira abaixo a nota na íntegra. 

Nota Pública

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado do Tocantins – Sindjor-TO e a Federação Nacional dos Jornalistas - FENAJ vêm a público se solidarizar com o jornalista Wesley Silas do Portal de Notícias Atitude, que nessa quarta-feira, 30 de novembro foi surpreendido por um telefonema do vereador e atual presidente da câmara de vereadores de Gurupi, questionando e intimidando o jornalista pela publicação de um artigo de opinião de leitor, que questiona a postura adotada pelo parlamentar.

Lembramos que intimidar/ameaçar pessoas é crime e passível de pena. Destacamos que o espaço e o material questionado pelo vereador representa a opinião de um leitor e não do jornal, e este espaço é aberto para publicação, sem censuras. 

Ressaltamos que o jornalista é um trabalhador como qualquer outro e não deve ser ameaçado por realizar o trabalho de levar informação a comunidade. O Tocantins tem um histórico de ataques, intimidações, xingamentos entre outros comportamentos com estes profissionais, atitude que classificamos como condenável; nenhum trabalhador deve ser desrespeitado no exercício da profissão.

Nesse caso, como ocorrido em outros, o Sindicato está acompanhando, prestando solidariedade, apoio e orientando o jornalista nos procedimentos a serem tomados. Um Boletim de Ocorrências foi registrado, assim como encaminhado ao Ministério Público Estadual e a Secretaria de Segurança Publica carta-denúncia, informando sobre o ocorrido, e pedindo providências, ao qual o Sindjor-TO vai reforçar os pedidos de apuração dos fatos.

Sindjor-TO