Educação

Foto: Elias Oliveira Professora Maria Dinalva Tavares Professora Maria Dinalva Tavares

Diferente do Alfabeto Brasileiro que possui 26 sinais gráficos, o Braille é constituído por 64 sinais gravados em relevo no papel, formados pela combinação sistemática de seis pontos, agrupando-se em duas filas verticais e justapostas de três pontos, em sua forma fundamental, se assemelha à imagem de uma sena de dominó na parte superior.

É com essa combinação de sinais que muitas pessoas cegas conseguem se comunicar se utilizando da escrita e da leitura com facilidade. Para tanto, cada sinal do Braille não pode exceder o campo táctil, tendo em vista a necessidade de sua identificação rápida, ajustada exatamente à polpa do dedo.

O nascimento do braile aconteceu no século XIX pelo francês Louis Braille. Cego aos três anos de idade, conseguiu criar o alfabeto braile aos 20. O invento trouxe diferentes combinações de 1 a 6 pontos e espalhou-se pelo mundo sendo atualmente a forma de leitura e escrita oficiais para as pessoas cegas.

No Brasil, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) apontam que há mais de 6 milhões de pessoas com deficiência visual. Grande parte delas consegue ingressar no mercado de trabalho, sendo preparadas por meio da leitura e da escrita em braile.

A Secretaria de Estado da Educação Juventude e Esportes (Seduc) apresenta quantitativos de estudantes com deficiência, totalizando 3.622 alunos com Transtornos Globais do Desenvolvimento e Altas Habilidades/Superdotação que recebem o Atendimento Educacional Especializado – AEE, por meio de 323 professores capacitados. Se tratando especificamente de deficiência visual, há matriculados 2 alunos com surdocegueira; 39 alunos com cegueira e 530 com baixa visão, em todo o Estado.

Para professora Wanessa Sechim, secretária Estadual de Educação, é necessária a inclusão de todos com qualidade no processo educacional. “É um direito de todo cidadão participar da escola e ter uma educação de qualidade. Para isso, oferecemos cursos de capacitação para os professores que estão nas salas multifuncionais com o objetivo de garantir ensino e aprendizagem para todos. É preciso além do acesso do aluno à escola, proporcionar a sua permanência e a sua aprendizagem com sucesso”, disse.

Maria Dinalva Tavares Carneiro tem habilitação em Braile, Soroban e Informática adaptada para cegos. Ela trabalha com Educação Especial desde 2005. Perdeu a visão quando tinha quase 15 anos de idade, e comprova que os avanços alcançados pelas pessoas com deficiência são muitos.

Para Dinalva Tavares, há conquista em diversos lugares e é fruto de muita luta. “A gente vê a cada dia as conquistas que são frutos de uma luta de vários anos. A construção de rampas, os pisos táteis para pessoa com deficiência visual dentre outros, são exemplos dessas conquistas”, exemplificou.

Com todos os avanços presentes, ainda é preciso melhorar em muitos aspectos. O trabalho cotidiano da mídia ainda é falho. Dinalva fala que, principalmente, os telejornais precisam se adaptar. “Os telejornais têm uma mania de dizer: Acesse o site que está aparecendo na sua tela. Eu fico assim me perguntando, que tela? Que site? Por que não leem o site? É bom lembrar que há telespectador cego”, pontuou a professora.

As pessoas com necessidades especiais têm instrumentos que as auxiliam no ensino e na aprendizagem, como a Máquina Braille Perkins, semelhante a uma máquina de datilografia, e utilizada para a escrita. Há também o Soraban, que é utilizado para ensinar matemática. Em diferentes modelos, há o Reglete, que serve também para escrever em Braile, e vem sempre acompanhado da Punção, usada como se fosse uma caneta.

Oneide Teixeira Rodrigues trabalha na Gerência de Educação Especial da Seduc e é professora de Braile. Para ela é uma satisfação poder contribuir para o acesso das pessoas com deficiências ao mercado de trabalho. “Tenho pessoa que estudou comigo e hoje é colega de trabalho. Para mim é uma satisfação ver a pessoa que a gente ajudou a conquistar seu espaço, sua independência”, comentou afirmando que foi professora da Dinalva Tavares, hoje professora e revisora em braile.

Ensino para todos

A Seduc oferta, em Palmas, cursos de Libras, Braile, Soroban entre outros a professores e técnicos que desejam lidar com o mundo da inclusão.

Para o ano de 2017 está prevista Formação Continuada em Sistema Braille destinada a professores de Salas de Recursos Multifuncionais e do Ensino Regular com matrículas de alunos com Deficiência Visual em classe comum. A oferta do Curso de Sistema Braille e Acessibilidade é realizada semestralmente pela Gerência de Educação Especial/SEDUC, com carga horária de 120 horas para professores e comunidade por meio do Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual CAP/TO.